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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — FCC 2026

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
fc140710
Banca
FCC
Órgão
MPE AL
Ano
2026
Cargo
Tec ( )

Para a maioria dos brasileiros a pronúncia é “récorde”, proparoxítona, e não, como recomendam dez entre dez sábios, “recorde”, paroxítona. Estamos diante de um caso clássico de desobediência civil, em que a língua da vida real vai para um lado e a dos sábios, para o outro.

 

Recorde, termo adaptado do inglês record, pode ser substantivo – significando a melhor marca esportiva, o desempenho a ser superado – ou adjetivo – com sentido equivalente: “tempo recorde”, “velocidade recorde”. Quanto a isso, estamos todos de acordo. A divergência começa na hora de definir a prosódia da palavra. Em seu Dicionário de palavras & expressões estrangeiras, Luís Augusto Fischer observa com irreverência que há “duas pronúncias: a que os gramáticos preferem, ‘recorde’, ou a do resto da humanidade, ‘récorde’”. É mais ou menos isso. Basta trocar, na frase de Fischer, “o resto da humanidade” por “a maioria dos brasileiros” que ela fica perfeita. Em Portugal, a inclinação por “recorde” parece inquestionável. Aqui, ocorre o inverso.

 

Sempre pronunciei “récorde”. Puxando pela memória, não consigo pensar em ninguém que não o faça. Se, como em tantos casos, nossos dicionários e gramáticas ainda se aferram de maneira um tanto acrítica à preferência lusitana, isso é um problema deles, que precisa ser – e certamente será – corrigido um dia. O Houaiss foi o primeiro a abrir a porta. Veja a tímida mas significativa nota que constava ao pé do verbete recorde na edição de 2001: “Pelo menos no Brasil, ocorre também como palavra proparoxítona: ‘récorde’.” Mais tarde, o dicionário suprimiu a nota, mas passou a trazer o verbete récorde como variação de recorde.

 

Uma explicação provável para o descompasso: os portugueses tendem a manter a pronúncia que record ganhou na França, de onde importaram o anglicismo por tabela, enquanto os falantes brasileiros estabeleceram ligação direta com o idioma de origem, no qual o acento (no caso em que record é substantivo, e não verbo) recai na primeira sílaba. No dia em que a língua brasileira dissolver mais este preconceito, é evidente que a grafia será forçada a seguir atrás: escreveremos récorde, com acento. E tudo ficará mais harmônico entre som e traço, como deve ser.

 

(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Viva a língua brasileira! São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 73-75.)

Sérgio Rodrigues manifesta-se explicitamente em seu texto, valendo-se para tanto de verbo na primeira pessoa do singular, em:
  1. Aa grafia será forçada a seguir atrás: escreveremos récorde, com acento.
  2. BVeja a tímida mas significativa nota que constava ao pé do verbete recorde.
  3. CA divergência começa na hora de definir a prosódia da palavra.
  4. DEstamos diante de um caso clássico de desobediência civil.
  5. EPuxando pela memória, não consigo pensar em ninguém que não o faça.
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GabaritoE — Puxando pela memória, não consigo pensar em ninguém que não o faça.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Verbo na primeira pessoa do singular: a marca da manifestação explícita do autor

Gabarito: letra E. A única alternativa em que Sérgio Rodrigues se manifesta explicitamente, valendo-se de verbo na primeira pessoa do singular, é "Puxando pela memória, não consigo pensar em ninguém que não o faça", pois o verbo consigo está conjugado na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo (eu consigo). As demais alternativas ou usam a 1ª pessoa do plural (nós), ou a 3ª pessoa, ou o imperativo — nenhuma delas traz a marca da 1ª pessoa do singular.

O comando da questão é preciso: pede-se a passagem em que o autor se manifesta explicitamente por meio de um verbo na primeira pessoa do singular. Isso significa que precisamos localizar, no texto, um verbo cuja desinência número-pessoal indique o sujeito eu. Não se trata de interpretar o sentido, mas de reconhecer a flexão verbal de pessoa — uma tarefa de morfologia aplicada ao texto.

No texto, o autor usa a 1ª pessoa do singular em dois momentos: "Sempre pronunciei 'récorde'" e "não consigo pensar em ninguém que não o faça". A alternativa E reproduz exatamente o segundo trecho, com o verbo consigo (presente do indicativo, 1ª pessoa do singular). Já a alternativa A traz "escreveremos" (1ª pessoa do plural), a B traz "Veja" (imperativo, 2ª pessoa), a C traz "começa" (3ª pessoa) e a D traz "Estamos" (1ª pessoa do plural).

A armadilha central da banca é a confusão entre 1ª pessoa do singular e 1ª pessoa do plural. As alternativas A e D usam verbos na 1ª pessoa do plural (nós), que também indicam manifestação do autor, mas não na pessoa pedida. A alternativa B usa o imperativo "Veja", que não é nem 1ª nem 3ª pessoa — é uma forma de 2ª pessoa (tu/você), ainda que o sujeito não esteja explícito. A alternativa C usa a 3ª pessoa do singular, sem qualquer marca de manifestação do autor.

PEGA ESSA DICA!

Ao procurar a 1ª pessoa do singular, identifique a desinência número-pessoal: -o (consigo, falo, penso), -ei (pronunciei), -i (parti). Desconfie de formas como "estamos" e "escreveremos", que terminam em -mos — marca clara da 1ª pessoa do plural.

Verbo na 1ª pessoa do singular
  • 1Desinência número-pessoal
    • -o (consigo, falo)
    • -ei (pronunciei)
    • -i (parti)
  • 2Armadilha da banca
    • 1ª pessoa do plural (-mos)
      • escreveremos
      • Estamos
    • Imperativo (2ª pessoa)
      • Veja
    • 3ª pessoa do singular
      • começa
  • 31ª pessoa do singular
    • consigo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"a grafia será forçada a seguir atrás: escreveremos récorde, com acento."

O verbo escreveremos está na 1ª pessoa do plural (nós escreveremos), não na 1ª pessoa do singular. A banca explora a confusão entre as duas pessoas: ambas indicam manifestação do autor, mas o comando pede especificamente o singular. Erro: troca de pessoa verbal (plural em vez de singular).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Veja a tímida mas significativa nota que constava ao pé do verbete recorde."

O verbo Veja está no imperativo afirmativo, 2ª pessoa (tu/você). Não é 1ª pessoa do singular. Além disso, o autor não se manifesta aqui — ele se dirige ao leitor, convidando-o a observar a nota do dicionário. Erro: uso de imperativo (2ª pessoa), não de 1ª pessoa do singular.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"A divergência começa na hora de definir a prosódia da palavra."

O verbo começa está na 3ª pessoa do singular (a divergência começa). Não há qualquer marca de manifestação do autor — a frase é impessoal, descreve um fato. Erro: 3ª pessoa do singular, sem manifestação do autor.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Estamos diante de um caso clássico de desobediência civil."

O verbo Estamos está na 1ª pessoa do plural (nós estamos). Embora o autor se inclua no discurso, a pessoa pedida é a do singular. Erro: troca de pessoa verbal (plural em vez de singular).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Puxando pela memória, não consigo pensar em ninguém que não o faça."

O verbo consigo está na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo (eu consigo). O autor se manifesta explicitamente, afirmando que não consegue pensar em ninguém que pronuncie "recorde" (paroxítona). É a única alternativa que atende integralmente ao comando: verbo na 1ª pessoa do singular.

Conclusão: a questão testa o reconhecimento da flexão verbal de pessoa aplicado ao texto. A correta é a letra E, pois "consigo" é a única forma verbal na 1ª pessoa do singular. As demais ou usam o plural (A, D), ou o imperativo (B), ou a 3ª pessoa (C).

Gabarito: letra E

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