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Questão de Português — Formação e Estrutura das Palavras — FCC 2026

PortuguêsFormação e Estrutura das Palavras
Código
fc140711
Banca
FCC
Órgão
MPE AL
Ano
2026
Cargo
Tec ( )

Para a maioria dos brasileiros a pronúncia é “récorde”, proparoxítona, e não, como recomendam dez entre dez sábios, “recorde”, paroxítona. Estamos diante de um caso clássico de desobediência civil, em que a língua da vida real vai para um lado e a dos sábios, para o outro.

 

Recorde, termo adaptado do inglês record, pode ser substantivo – significando a melhor marca esportiva, o desempenho a ser superado – ou adjetivo – com sentido equivalente: “tempo recorde”, “velocidade recorde”. Quanto a isso, estamos todos de acordo. A divergência começa na hora de definir a prosódia da palavra. Em seu Dicionário de palavras & expressões estrangeiras, Luís Augusto Fischer observa com irreverência que há “duas pronúncias: a que os gramáticos preferem, ‘recorde’, ou a do resto da humanidade, ‘récorde’”. É mais ou menos isso. Basta trocar, na frase de Fischer, “o resto da humanidade” por “a maioria dos brasileiros” que ela fica perfeita. Em Portugal, a inclinação por “recorde” parece inquestionável. Aqui, ocorre o inverso.

 

Sempre pronunciei “récorde”. Puxando pela memória, não consigo pensar em ninguém que não o faça. Se, como em tantos casos, nossos dicionários e gramáticas ainda se aferram de maneira um tanto acrítica à preferência lusitana, isso é um problema deles, que precisa ser – e certamente será – corrigido um dia. O Houaiss foi o primeiro a abrir a porta. Veja a tímida mas significativa nota que constava ao pé do verbete recorde na edição de 2001: “Pelo menos no Brasil, ocorre também como palavra proparoxítona: ‘récorde’.” Mais tarde, o dicionário suprimiu a nota, mas passou a trazer o verbete récorde como variação de recorde.

 

Uma explicação provável para o descompasso: os portugueses tendem a manter a pronúncia que record ganhou na França, de onde importaram o anglicismo por tabela, enquanto os falantes brasileiros estabeleceram ligação direta com o idioma de origem, no qual o acento (no caso em que record é substantivo, e não verbo) recai na primeira sílaba. No dia em que a língua brasileira dissolver mais este preconceito, é evidente que a grafia será forçada a seguir atrás: escreveremos récorde, com acento. E tudo ficará mais harmônico entre som e traço, como deve ser.

 

(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Viva a língua brasileira! São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 73-75.)

Observa-se palavra formada com prefixo que exprime ideia de negação no seguinte trecho:
  1. Anão consigo pensar em ninguém que não o faça.
  2. BMais tarde, o dicionário suprimiu a nota.
  3. CVeja a tímida mas significativa nota que constava ao pé do verbete.
  4. Do acento (no caso em que record é substantivo, e não verbo) recai na primeira sílaba.
  5. EEstamos diante de um caso clássico de desobediência civil.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Estamos diante de um caso clássico de desobediência civil.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prefixo de negação: a morfologia a serviço do sentido

Gabarito: letra E. A única alternativa que apresenta palavra formada com prefixo que exprime ideia de negação é a E, pois "desobediência" é formada pelo prefixo des- (que exprime negação) + o radical obediência. Como se lê no 1º parágrafo do texto: "Estamos diante de um caso clássico de desobediência civil". As demais alternativas ou usam a palavra "não" (que é um advérbio, não um prefixo) ou não contêm nenhum prefixo de negação.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique, nos trechos do texto, a palavra formada com prefixo que exprime ideia de negação. Isso é uma questão de morfologia — mais especificamente, de estrutura e formação de palavras. O comando não pede interpretação de texto, nem análise sintática: pede que você reconheça um morfema derivacional (o prefixo) e o seu valor semântico (negação).

A armadilha central aqui é confundir o advérbio de negação "não" com um prefixo de negação. O "não" é uma palavra autônoma, invariável, que modifica o verbo; o prefixo é um morfema preso, que se agrega ao radical para formar uma nova palavra. A banca sabe que muitos candidatos vão olhar para a alternativa A e ver o "não" repetido duas vezes, achando que ali está a resposta. Mas o "não" não é prefixo — é advérbio.

O texto: onde mora a resposta

O texto fala sobre a pronúncia de "recorde" (paroxítona, preferida pelos gramáticos) versus "récorde" (proparoxítona, usada pela maioria dos brasileiros). O autor defende a forma popular e critica a rigidez dos dicionários. No 1º parágrafo, ele escreve: "Estamos diante de um caso clássico de desobediência civil". É exatamente nessa palavra que está o prefixo de negação des-.

A técnica: como reconhecer um prefixo de negação

Prefixo é um afixo que se coloca antes do radical para formar uma nova palavra, alterando seu sentido. Os prefixos de negação mais comuns em português são: des-, in-, im-, i-, a-, an-, anti-, contra-. Exemplos: desleal, injusto, impossível, anormal, antisocial.

No caso de "desobediência", temos:

  • des- = prefixo de negação (indica "falta de", "ação contrária")

  • obediência = radical (substantivo)

A palavra "desobediência" é formada por derivação prefixal, pois acrescenta-se um prefixo a uma palavra já existente (obediência). O sentido resultante é "falta de obediência", "ato de desobedecer".

Análise das alternativas

Alternativa

Palavra com prefixo de negação?

Justificativa

A

Não

"não" é advérbio, não prefixo

B

Não

"su-" exprime "por baixo", não negação

C

Não

Ausência de prefixo de negação

D

Não

"não" é advérbio, não prefixo

E

Sim

"desobediência" = prefixo des- + radical "obediência"

1des-
desobediência
desleal
2in-/im-/i-
injusto
impossível
3a-/an-
anormal
4anti-
antissocial
Prefixos de negação
LEVELsoulevel.com.br
Prefixos de negação: des- (desobediência, desleal); in-/im-/i- (injusto, impossível); a-/an- (anormal); anti- (antissocial)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"não consigo pensar em ninguém que não o faça."

Aqui, a palavra "não" aparece duas vezes, mas "não" é um advérbio de negação, não um prefixo. Advérbio é uma palavra autônoma que modifica o verbo ("não consigo", "não o faça"). Não há formação de palavra por prefixo. A banca coloca o "não" repetido para atrair o candidato desatento. Erro: confundir advérbio com prefixo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Mais tarde, o dicionário suprimiu a nota."

A palavra "suprimiu" contém o prefixo su-, mas esse prefixo não exprime negação; exprime ideia de "por baixo", "inferioridade" (como em "subterrâneo"). Além disso, "suprimiu" é forma verbal, não uma palavra derivada com prefixo de negação. Erro: não há prefixo de negação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Veja a tímida mas significativa nota que constava ao pé do verbete."

Nenhuma palavra com prefixo de negação. "Tímida", "significativa", "constava" são palavras sem prefixo de negação. Erro: ausência de prefixo de negação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"o acento (no caso em que record é substantivo, e não verbo) recai na primeira sílaba."

Aqui aparece "não" novamente, mas como advérbio, não como prefixo. "Substantivo" e "verbo" são palavras sem prefixo de negação. Erro: confundir advérbio com prefixo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Estamos diante de um caso clássico de desobediência civil."

A palavra "desobediência" é formada pelo prefixo des- (negação) + radical obediência. É um caso clássico de derivação prefixal. O prefixo des- exprime ideia de negação, de "falta de". Portanto, é a única alternativa que atende ao comando.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de distinguir prefixo (morfema preso) de advérbio (palavra autônoma). A alternativa E é a única que apresenta uma palavra formada com prefixo de negação. Gabarito: letra E.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar prefixos de negação, desconfie de "não" solto na frase: ele é advérbio, não prefixo. Procure palavras como "desleal", "injusto", "impossível", "anormal" — nelas o prefixo está agregado ao radical.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca "não" repetido na alternativa A para fazer você achar que ali está a resposta. Lembre-se: prefixo é morfema preso, não palavra independente.

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