Questão de Direito Administrativo — Origem, Conceito e Fontes do Direito Administrativo — FCC 2026
- Código
- fc141056
- Banca
- FCC
- Órgão
- ALERR
- Ano
- 2026
- Cargo
- Cons Leg ( )
- Aconsensual.
- Bde resultados.
- Cgerencial.
- Dpatrimonialista.
- Eburocrática.
GabaritoB — de resultados.
Gabarito: letra B. O modelo descrito no enunciado — gestão flexível, participativa, descentralizada, orientada a resultados e priorizando eficiência — corresponde à Administração de resultados, expressão que sintetiza o paradigma gerencial pós-burocrático, no qual o foco desloca-se do controle de processos para o alcance de metas e a satisfação do cidadão. A alternativa B é a única que nomeia exatamente essa orientação finalística, enquanto as demais designam modelos históricos ou dimensões específicas que não abrangem o conjunto de características apresentado.
O Direito Administrativo brasileiro evoluiu por três grandes modelos de Administração Pública, cada um com lógica própria. O patrimonialista (pré-burocrático) confundia o patrimônio público com o privado do governante, sem distinção entre o que era do Estado e o que era do agente. O burocrático (weberiano) veio para combater o nepotismo e a corrupção, impondo formalismo, hierarquia rígida, impessoalidade e controle de procedimentos — mas pecou pela lentidão e pelo excesso de rigidez. O gerencial (pós-burocrático), inspirado na New Public Management e consolidado no Brasil pelo Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (PDRAE, 1995), inverte a lógica: em vez de controlar processos, passa a cobrar resultados, com descentralização, autonomia gerencial, contratos de gestão, avaliação de desempenho e foco no cidadão-cliente.
A Administração de resultados é, portanto, a face operacional do modelo gerencial: é a gestão que se organiza por metas, indicadores e avaliação de desempenho, premiando a eficiência e a efetividade. O enunciado descreve exatamente esse perfil — "flexível e participativa", "descentralizada", "orientada para resultados" e "prioriza a eficiência na prestação de serviços públicos". Já a Administração consensual (letra A) é um conceito mais recente, ligado à ideia de substituir a atuação unilateral e impositiva por instrumentos de acordo, negociação e participação (consensualidade), mas não é o termo que a doutrina consagrou para o modelo descrito — e, embora a participação seja um traço do gerencialismo, o núcleo do enunciado é a orientação a resultados.
A pegadinha da banca está em oferecer "gerencial" (letra C) como distrator forte: como o modelo gerencial é o pano de fundo, muitos candidatos marcam C sem perceber que o enunciado pede o nome específico do modelo que "prioriza a eficiência" e é "orientado para resultados" — e esse nome, na doutrina administrativa, é Administração de resultados. A distinção entre os dois é sutil: o gerencial é o paradigma amplo (contraposto ao burocrático); o de resultados é a sua concretização prática, o modo de operar. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Modelo | Característica central | Foco | Contexto histórico |
|---|---|---|---|
Patrimonialista | Confusão entre patrimônio público e privado | Apropriação pessoal do poder | Estado pré-burocrático (absolutista) |
Burocrático | Formalismo, hierarquia rígida, impessoalidade | Controle de procedimentos | Estado weberiano (pós-patrimonialista) |
Gerencial | Paradigma amplo pós-burocrático | Superação do modelo burocrático | Reforma do Aparelho do Estado (PDRAE, 1995) |
De resultados | Flexível, participativa, descentralizada | Eficiência e metas (orientação a resultados) | Concretização prática do gerencialismo |
Consensual | Diálogo, negociação, acordos | Substituição da atuação unilateral | Instrumentos de consensualidade (TAC, mediação) |
A Administração consensual refere-se a um modelo de atuação administrativa baseado no diálogo, na negociação e em instrumentos de acordo (como termos de ajustamento de conduta, mediação e arbitragem), em contraposição à atuação unilateral e imperativa. Embora a participação seja um traço do gerencialismo, o enunciado não se limita a isso — ele exige "orientação para resultados" e "eficiência", que são o cerne da Administração de resultados. A consensualidade é um meio (forma de decidir), não o fim (resultados) que o enunciado descreve.
A Administração de resultados é exatamente o modelo que "propõe uma abordagem mais flexível e participativa de gestão, descentralizada e orientada para resultados e que prioriza a eficiência na prestação de serviços públicos". É a expressão doutrinária que designa a gestão pública por metas e indicadores, típica do paradigma gerencial pós-burocrático. Cada termo do enunciado encontra eco no conceito: "flexível" (menos rigidez processual), "participativa" (envolvimento do cidadão e dos servidores), "descentralizada" (autonomia aos entes e órgãos), "orientada para resultados" (foco em entregas) e "eficiência" (princípio constitucional do art. 37, caput, CF/88, reforçado pela EC 19/1998).
A Administração gerencial é o paradigma amplo que engloba a Administração de resultados, mas o enunciado pede o nome específico do modelo que "prioriza a eficiência" e é "orientado para resultados". A banca explora a confusão entre o gênero (gerencial) e a espécie (de resultados). Se a questão perguntasse "qual modelo substitui o burocrático?", a resposta seria gerencial; mas como descreve as características operacionais — flexibilidade, descentralização, foco em resultados —, o termo técnico correto é Administração de resultados.
A Administração patrimonialista é o modelo pré-burocrático, típico do Estado absolutista, em que não havia distinção entre o patrimônio público e o privado do governante. É o oposto do que o enunciado descreve: não há flexibilidade, participação, descentralização nem orientação a resultados — há apenas apropriação pessoal do poder e dos recursos públicos. É um distrator histórico, que remete ao período anterior à reforma burocrática.
A Administração burocrática (weberiana) caracteriza-se pelo formalismo, hierarquia rígida, impessoalidade e controle de procedimentos. Embora tenha sido um avanço contra o patrimonialismo, ela é justamente o modelo que o gerencialismo (e a Administração de resultados) veio superar: em vez de flexibilidade e foco em resultados, a burocracia prioriza o cumprimento estrito de regras e a padronização de processos. O enunciado descreve o modelo pós-burocrático, não o burocrático.
Para não confundir, monte a linha evolutiva: patrimonialista → burocrático → gerencial (de resultados). O gerencial é o paradigma; o "de resultados" é o seu modo de operar. Quando a questão falar em "flexibilidade, descentralização, eficiência e foco em metas", a resposta é Administração de resultados; quando falar em "superação do modelo burocrático" ou "reforma do aparelho do Estado", é gerencial.
Gabarito: letra B
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