Considere um rio de água cristalina, no qual há um trecho sombreado próximo à nascente (trecho A) e um trecho não sombreado próximo à foz (trecho B). Haverá tendência de predomínio da
Acadeia de pastejo em B e limitação da produtividade primária por radiação solar.
Bcadeia de detritos em A e decomposição do material alóctone por detritivoros.
Ccadeia de pastejo em A e produção primária fortemente dependente do perifiton.
Dcadeia de detritos em A e forte dependência de matéria orgânica alóctone.
Ealça microbiana em B e, portanto, provável inversão da pirâmide de energia.
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GabaritoD — cadeia de detritos em A e forte dependência de matéria orgânica alóctone.
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Cadeias alimentares em ecossistemas aquáticos: pastejo × detritos
Gabarito: letra D. Em rios, a tendência é que o trecho sombreado próximo à nascente (trecho A) tenha baixa produtividade primária e dependa de matéria orgânica alóctone (folhas, galhos vindos da vegetação terrestre), predominando a cadeia de detritos; já o trecho não sombreado próximo à foz (trecho B) tende a ter maior produção primária, com maior participação da cadeia de pastejo. Essa distinção é clássica na ecologia de riachos e é o que a alternativa D expressa corretamente.
O que a questão cobra é a compreensão de como a energia flui em ecossistemas aquáticos e como isso varia espacialmente. Em ecossistemas terrestres e aquáticos, existem dois grandes caminhos de fluxo de energia: a cadeia de pastejo (também chamada de cadeia de herbivoria ou de pastagem) e a cadeia de detritos (ou de decomposição). Na cadeia de pastejo, a energia flui dos produtores (plantas, algas, fitoplâncton) diretamente para os herbívoros e depois para os carnívoros. Na cadeia de detritos, a energia flui da matéria orgânica morta (detritos) para os decompositores (bactérias, fungos) e detritívoros (organismos que se alimentam de detritos), que por sua vez são consumidos por outros níveis tróficos.
A regra geral, como aponta o material de apoio, é que o sistema decompositor é responsável pela maior parte da produção secundária e da perda respiratória de calor em todas as comunidades do mundo. O sistema de pastejo tem seu maior papel nas comunidades planctônicas, onde grande parte da produção primária líquida (NPP) é consumida viva. Em contraste, em muitos pequenos riachos e lagoas, o pastejo contribui pouco para o fluxo total de energia, basicamente porque a produtividade primária é muito baixa. Esses sistemas aquáticos dependem, para sua base energética, de matéria orgânica morta produzida no ambiente terrestre que cai ou é lavada ou soprada na água — a chamada produção alóctone.
Aplicando isso ao enunciado: o trecho A é sombreado, próximo à nascente. O sombreamento reduz a incidência de luz solar, limitando a fotossíntese de algas e plantas aquáticas. Com baixa produção primária autóctone (produzida dentro do próprio ecossistema), a base da cadeia alimentar passa a ser a matéria orgânica alóctone — folhas, galhos e outros detritos que caem da vegetação ciliar. Predomina, portanto, a cadeia de detritos, com forte dependência de matéria orgânica alóctone. Já o trecho B, não sombreado e próximo à foz, recebe mais luz, permitindo maior desenvolvimento de algas (perifíton) e plantas aquáticas, o que favorece a cadeia de pastejo, com produção primária autóctone mais relevante.
A pegadinha da banca está em inverter essa lógica: colocar a cadeia de pastejo no trecho sombreado (A) ou a cadeia de detritos no trecho iluminado (B), ou ainda atribuir ao trecho sombreado uma alta produtividade primária. A alternativa D acerta ao associar o trecho A à cadeia de detritos e à dependência de matéria orgânica alóctone.
Guarde o critério decisivo: sombra → baixa fotossíntese → cadeia de detritos com matéria alóctone; luz → alta fotossíntese → cadeia de pastejo com produção autóctone. É exatamente nessa relação que as alternativas se dividem.
Rios: fluxo de energia
1Trecho sombreado (A)
Baixa fotossíntese
Cadeia de detritos
Depende de matéria alóctone
2Trecho iluminado (B)
Alta fotossíntese
Cadeia de pastejo
Produção autóctone
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que haveria predomínio da cadeia de pastejo em B e limitação da produtividade primária por radiação solar. O trecho B é não sombreado, portanto a radiação solar não é fator limitante — pelo contrário, ela favorece a produção primária. A cadeia de pastejo em B está correta, mas a limitação por radiação solar está errada: a limitação ocorreria no trecho sombreado (A), não em B.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que haveria cadeia de detritos em A e decomposição do material alóctone por detritívoros. A primeira parte está correta (A é sombreado, logo cadeia de detritos), mas a segunda parte contém um erro conceitual: a decomposição do material alóctone é realizada principalmente por decompositores (bactérias e fungos), não por detritívoros. Os detritívoros (como alguns insetos aquáticos e crustáceos) consomem os detritos, mas a decomposição química é feita pelos decompositores. A alternativa troca os papéis.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que haveria cadeia de pastejo em A e produção primária fortemente dependente do perifíton. O trecho A é sombreado, o que limita a fotossíntese e, portanto, a produção primária — inclusive do perifíton (comunidade de algas e micro-organismos aderidos a substratos). A cadeia de pastejo em A está errada; o correto é cadeia de detritos. A dependência do perifíton também está errada, pois a produção primária em A é baixa justamente pela falta de luz.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que haveria cadeia de detritos em A e forte dependência de matéria orgânica alóctone. Isso está exatamente de acordo com a ecologia de riachos: o trecho sombreado tem baixa produtividade primária autóctone e depende da matéria orgânica morta vinda do ambiente terrestre (alóctone), predominando a cadeia de detritos. É a alternativa que melhor descreve a tendência esperada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que haveria alça microbiana em B e, portanto, provável inversão da pirâmide de energia. A alça microbiana é um caminho de fluxo de energia em que a matéria orgânica dissolvida é utilizada por bactérias, que são consumidas por protozoários, que são consumidos por zooplâncton. Ela pode ocorrer em diversos ambientes aquáticos, mas não é específica do trecho B, e a inversão da pirâmide de energia não é uma consequência esperada. Além disso, a alça microbiana não é o predomínio esperado em um trecho não sombreado, onde a cadeia de pastejo tende a ser mais relevante.