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Questão de Biologia — Biologia da Conservação — FCC 2024

BiologiaBiologia da Conservação
Código
fc145048
Banca
FCC
Órgão
CETESB
Ano
2024
Cargo
Ana Amb ( )

As afirmações abaixo referem-se à conservação da biodiversidade.

 

I. Uma unidade de proteção integral, como é o caso da reserva biológica, favorece a conservação in situ.

 

II. Uma floresta nacional e um parque nacional, por serem unidades de uso sustentável, são relevantes para a conservação ex situ.

 

III. A preservação da diversidade genética e o consequente potencial evolutivo de longo prazo são dificultados em populações pequenas.

 

IV. A conservação de populações pequenas a longo prazo é facilitada pela maior probabilidade de ocorrência de endrocruzamento.

 

Está correto o que se afirma APENAS em:

  1. AIII e IV
  2. BI, II e III.
  3. CI, II e IV.
  4. DII e IV.
  5. EI e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — I e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conservação da biodiversidade: in situ × ex situ e genética de populações pequenas

Gabarito: letra E — estão corretos apenas os itens I e III. A reserva biológica é uma unidade de proteção integral e, portanto, favorece a conservação in situ (no habitat natural); já a floresta nacional é unidade de uso sustentável, mas isso não a torna relevante para a conservação ex situ (fora do habitat), e o parque nacional é de proteção integral, não de uso sustentável. O item III está correto porque populações pequenas perdem diversidade genética por deriva e endogamia, reduzindo o potencial evolutivo; o item IV erra ao afirmar que o endocruzamento (endogamia) facilita a conservação a longo prazo — na verdade, ele a dificulta, por aumentar a homozigose e a expressão de alelos deletérios.

A conservação da biodiversidade opera em duas frentes complementares, e a distinção entre elas é o coração desta questão. A conservação in situ é aquela realizada no próprio ambiente natural da espécie, mantendo os processos ecológicos e evolutivos em curso — é o caso das unidades de conservação de proteção integral, como a reserva biológica e o parque nacional, onde a natureza é preservada com o mínimo de intervenção humana. Já a conservação ex situ ocorre fora do habitat natural, em bancos de germoplasma, jardins botânicos, zoológicos e criadouros, sendo uma estratégia complementar para espécies ameaçadas, mas que não substitui a proteção do ambiente original.

A Lei nº 9.985/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), divide as unidades em dois grandes grupos: as de proteção integral, que admitem apenas o uso indireto dos recursos naturais (pesquisa, educação e turismo ecológico), e as de uso sustentável, que permitem o uso direto, desde que compatível com a conservação. A reserva biológica e o parque nacional pertencem ao primeiro grupo; a floresta nacional, ao segundo. Essa classificação é essencial para julgar os itens I e II.

O item III aborda um princípio central da genética da conservação: populações pequenas perdem variabilidade genética mais rapidamente. Isso ocorre por dois mecanismos principais: a deriva genética, que é a flutuação aleatória das frequências alélicas, mais intensa em populações reduzidas, e a endogamia (cruzamento entre indivíduos aparentados), que aumenta a homozigose e expõe alelos recessivos deletérios. Com menos diversidade genética, a população tem menor capacidade de responder a mudanças ambientais e menor potencial evolutivo de longo prazo — exatamente o que o item afirma.

O item IV inverte esse raciocínio. O endocruzamento (termo usado no enunciado, sinônimo de endogamia) dificulta a conservação de populações pequenas a longo prazo, pois reduz a heterozigosidade, aumenta a expressão de doenças genéticas e diminui a aptidão (fitness) dos indivíduos — fenômeno conhecido como depressão endogâmica. Portanto, a afirmação de que a conservação é "facilitada" pela maior probabilidade de endocruzamento é exatamente o oposto do que a biologia da conservação estabelece.

A pegadinha da banca está em dois pontos: (1) atribuir ao parque nacional a categoria de uso sustentável, quando ele é de proteção integral, e (2) inverter o efeito do endocruzamento, apresentando-o como benéfico quando é prejudicial. Guarde essas duas fronteiras — proteção integral × uso sustentável e endogamia × diversidade genética — pois são elas que separam as alternativas.

Item

Afirmação

Classificação da UC

Tipo de conservação

Efeito na conservação

Correto?

I

Reserva biológica favorece conservação in situ

Proteção integral

In situ

Favorece

II

Floresta nacional e parque nacional são uso sustentável e relevantes para ex situ

Floresta nacional: uso sustentável; Parque nacional: proteção integral

Ex situ (incorreto — ambos são in situ)

Não se aplica

III

Populações pequenas têm potencial evolutivo dificultado

Dificultado (deriva genética e endogamia)

IV

Endocruzamento facilita conservação de populações pequenas

Dificultado (depressão endogâmica)

Conservação da biodiversidade
  • 1In situ (habitat natural)
    • Proteção integral
      • Reserva biológica
      • Parque nacional
    • Uso sustentável
      • Floresta nacional
  • 2Ex situ (fora do habitat)
    • Bancos de germoplasma
    • Jardins botânicos
    • Zoológicos
  • 3Populações pequenas
    • Deriva genética
    • Endogamia (depressão endogâmica)
    • Perda de potencial evolutivo
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Item I — ✅ Correto

A reserva biológica é uma unidade de proteção integral, conforme o SNUC, e sua finalidade é a preservação integral da biota e demais atributos naturais, sem interferência humana direta. Isso favorece a conservação in situ, pois as espécies são protegidas em seu próprio habitat, mantendo os processos ecológicos e evolutivos. A afirmação está correta.

Item II — ❌ Incorreto

A afirmação contém dois erros. Primeiro, a floresta nacional é, de fato, uma unidade de uso sustentável, mas isso não a torna relevante para a conservação ex situ — ela conserva in situ, permitindo o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais. Segundo, o parque nacional é unidade de proteção integral, não de uso sustentável. Portanto, a afirmação está incorreta por classificar erroneamente o parque nacional e por associar uso sustentável à conservação ex situ.

Item III — ✅ Correto

Populações pequenas sofrem com a perda de diversidade genética por deriva genética e endogamia, o que reduz o potencial evolutivo de longo prazo. Com menos variabilidade, a população tem menor capacidade de adaptação a mudanças ambientais e maior risco de extinção. A afirmação está correta.

Item IV — ❌ Incorreto

O endocruzamento (endogamia) dificulta a conservação de populações pequenas a longo prazo, pois aumenta a homozigose, expõe alelos recessivos deletérios e causa depressão endogâmica, reduzindo a aptidão dos indivíduos. A afirmação inverte o efeito, dizendo que "facilita", quando na verdade prejudica.

Conclusão: corretos apenas os itens I e III → gabarito: letra E.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora duas inversões clássicas: (1) classifica o parque nacional como uso sustentável, quando ele é proteção integral — confunda com a floresta nacional, que sim é uso sustentável; (2) apresenta o endocruzamento como facilitador da conservação, quando ele é um dos maiores problemas de populações pequenas. Fique atento a essas trocas de categoria e de efeito.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de conservação, monte um quadro mental: proteção integral (reserva biológica, parque nacional, estação ecológica, refúgio de vida silvestre, monumento natural) = conservação in situ com uso indireto; uso sustentável (floresta nacional, reserva extrativista, reserva de desenvolvimento sustentável, APA, RPPN) = uso direto compatível. E lembre: endogamia = perda de diversidade = dificuldade de conservação.

Gabarito: letra E

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