Questão de Biologia — Tratamento de Água — FCC 2024
Biologia›Tratamento de Água
Código
fc145058
Banca
FCC
Órgão
CETESB
Ano
2024
Cargo
Ana Amb ( )
Várias técnicas de recuperação foram desenvolvidas com objetivo de minimizar os efeitos deléterios da ocorrência de eutrofização em ecosssistemas aquáticos, entre as quais:
ADesestratificação artificial que resulta na queda da biomassa fitoplanctônica do epilímnio como consequência da mortandade de algas.
BUtilização de herbicidas que resulta na rápida diminuição da biomassa de produtores primários, sem afetar os demais organismos aquáticos.
CAeração do hipolímnio que, além de oxigenar a camada mais profunda do corpo d´água, favorece a imobilização de fósforo no sedimento.
DRemoção do sedimento que visa, sobretudo, impedir florações de macrófitas enraizadas e seu efeito negativo sobre a qualidade da água.
EBiomanipulação que procura diminuir a biomassa fitoplanctônica por meio de intervenções na cadeia trófica por controle bottom-up.
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GabaritoC — Aeração do hipolímnio que, além de oxigenar a camada mais profunda do corpo d´água, favorece a imobilização de fósforo no sedimento.
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Técnicas de recuperação de ecossistemas aquáticos eutrofizados
Gabarito: letra C. A aeração do hipolímnio é uma técnica de recuperação que, ao oxigenar a camada mais profunda do corpo d'água, favorece a imobilização do fósforo no sedimento — exatamente o que afirma a alternativa C. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a desestratificação artificial não causa mortandade de algas, herbicidas afetam outros organismos, a remoção de sedimento não visa impedir florações de macrófitas enraizadas, e a biomanipulação é um controle top-down, não bottom-up.
A eutrofização é o enriquecimento de um ecossistema aquático com nutrientes, principalmente fósforo e nitrogênio, provenientes de esgotos domésticos, fertilizantes agrícolas e efluentes industriais. Esse excesso de nutrientes provoca o crescimento explosivo de algas e cianobactérias (florações), que, ao morrerem, são decompostas por microrganismos aeróbios, consumindo o oxigênio dissolvido da água. A consequência é a mortandade de peixes, a liberação de toxinas e a deterioração da qualidade da água. Para reverter ou minimizar esses efeitos, diversas técnicas de recuperação foram desenvolvidas, cada uma com mecanismos e objetivos específicos.
A aeração do hipolímnio é uma dessas técnicas. O hipolímnio é a camada mais profunda e fria de um lago ou reservatório, que, em condições de eutrofização, tende a ficar anóxica (sem oxigênio) devido à decomposição da matéria orgânica. Ao introduzir oxigênio nessa camada, a aeração promove a oxidação de compostos reduzidos e, principalmente, a precipitação do fósforo. Em condições anóxicas, o fósforo adsorvido ao óxido férrico (Fe³⁺) é liberado para a coluna d'água, pois o ferro é reduzido a Fe²⁺. Com a oxigenação, o ferro volta à forma férrica e precipita, carreando o fósforo para o sedimento, onde fica imobilizado. Assim, a aeração do hipolímnio reduz a disponibilidade de fósforo na coluna d'água, limitando o crescimento fitoplanctônico e controlando a eutrofização.
As demais técnicas citadas nas alternativas também são utilizadas, mas com mecanismos diferentes. A desestratificação artificial consiste em misturar as camadas de água (epilímnio e hipolímnio) por meio de aeradores ou bombas, quebrando a estratificação térmica. Isso promove a oxigenação de toda a coluna d'água e a homogeneização de temperatura e nutrientes, mas não causa mortandade de algas; pelo contrário, pode até favorecer o crescimento de algas na superfície ao trazer nutrientes do fundo. A utilização de herbicidas é uma medida química que mata as plantas aquáticas, mas afeta também outros organismos, causando desequilíbrio ecológico e liberando nutrientes das algas mortas, o que pode agravar a eutrofização. A remoção do sedimento (dragagem) visa retirar o excesso de nutrientes acumulados no fundo, reduzindo a liberação interna de fósforo, mas não tem como objetivo impedir florações de macrófitas enraizadas, que dependem da luz e de nutrientes na coluna d'água. A biomanipulação é uma técnica que altera a cadeia trófica para controlar o fitoplâncton, mas o controle é top-down (de cima para baixo), ou seja, manipulando os níveis tróficos superiores (peixes) para aumentar a pressão de predação sobre o zooplâncton, que por sua vez consome o fitoplâncton. O controle bottom-up seria a manipulação de nutrientes na base da cadeia.
A banca explora a confusão entre os mecanismos de cada técnica, especialmente a direção do controle na biomanipulação (top-down vs. bottom-up) e o efeito da desestratificação sobre as algas. É fundamental conhecer o funcionamento de cada técnica para não cair nessas armadilhas.
Técnica
Mecanismo de ação
Efeito sobre o fitoplâncton
Correto?
Desestratificação artificial
Mistura das camadas de água (quebra da estratificação térmica)
Não causa mortandade; pode até aumentar a biomassa ao trazer nutrientes do fundo
❌
Utilização de herbicidas
Ação química sobre plantas aquáticas
Mata algas, mas afeta outros organismos e libera nutrientes (agrava a eutrofização)
❌
Aeração do hipolímnio
Oxigenação da camada profunda; oxidação do Fe²⁺ a Fe³⁺, que precipita com o fósforo
Reduz a disponibilidade de fósforo, limitando o crescimento algal
✅
Remoção do sedimento (dragagem)
Retirada do excesso de nutrientes acumulados no fundo
Reduz a liberação interna de fósforo, mas não visa impedir florações de macrófitas
❌
Biomanipulação
Intervenção na cadeia trófica por controle top-down (manipulação de peixes)
Aumenta a predação sobre o zooplâncton, que consome o fitoplâncton
❌
Técnicas de recuperação (eutrofização): Aeração do hipolímnio (Oxigena camada profunda, Imobiliza fósforo no sedimento); Desestratificação artificial (Mistura camadas de água, Não causa mortandade de algas); Herbicidas (Afetam outros organismos, Liberam nutrientes das algas mortas); Remoção do sedimento (Retira excesso de nutrientes, Não impede florações de macrófitas); Biomanipulação (Controle top-down (não bottom-up), Manipula níveis tróficos superiores)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A desestratificação artificial não resulta na mortandade de algas. Ela promove a mistura das camadas de água, oxigenando o hipolímnio e homogeneizando a temperatura e os nutrientes. Isso pode até aumentar a biomassa fitoplanctônica no epilímnio, pois traz nutrientes do fundo para a superfície, onde há luz. A mortandade de algas ocorre, por exemplo, quando há limitação de nutrientes ou luz, não pela simples desestratificação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O uso de herbicidas é uma medida química que mata as plantas aquáticas, mas afeta também outros organismos, como zooplâncton, peixes e invertebrados, causando desequilíbrio ecológico. Além disso, a morte das algas libera nutrientes na água, o que pode agravar a eutrofização. Portanto, não é uma técnica que "sem afetar os demais organismos aquáticos".
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A aeração do hipolímnio oxigena a camada mais profunda, promovendo a precipitação do fósforo. Em condições anóxicas, o fósforo é liberado do sedimento para a coluna d'água; com a oxigenação, o ferro é oxidado e precipita, carreando o fósforo para o sedimento, onde fica imobilizado. Isso reduz a disponibilidade de fósforo para o fitoplâncton, controlando a eutrofização.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A remoção do sedimento (dragagem) visa retirar o excesso de nutrientes acumulados no fundo, reduzindo a liberação interna de fósforo. Não tem como objetivo impedir florações de macrófitas enraizadas, que dependem de luz e nutrientes na coluna d'água. A dragagem pode até remover macrófitas, mas não é seu objetivo principal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A biomanipulação é uma técnica de controle top-down, não bottom-up. Ela manipula os níveis tróficos superiores (peixes) para aumentar a predação sobre o zooplâncton, que por sua vez consome o fitoplâncton. O controle bottom-up seria a manipulação de nutrientes na base da cadeia, o que não é o caso.