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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc146693
Banca
FCC
Órgão
CETESB
Ano
2024
Cargo
Adv ( )

Ciência: o valor dos limites

 

A esperança de que podemos atingir o conhecimento total é muito simplista. A ciência precisa falhar para avançar. Queremos certezas. Mas, para crescer, precisamos abraçar as incertezas. A existência dos limites não deve ser vista como um obstáculo intransponível. Limites são oportunidades, alavancas que nos ensinam algo sobre o mundo e sobre nós mesmos, que nos incentivam a prosseguir na busca de respostas. Limites expandem as possibilidades de quem podemos ser.

 

A ciência é muito mais do que conhecimento acumulado do mundo natural. É uma visão de mundo, um estilo de vida, uma aspiração coletiva de crescermos como espécie em um cosmos repleto de mistérios, de medos e encantos. A ciência é o cobertor com que cobrimos os pés à noite, a luz que ligamos no fim do corredor, o mentor paciente que nos lembra do que somos capazes quando trabalhamos juntos. Que a ciência seja usada tanto para o bem como para o mal não reflete a ciência em si, mas a precariedade da natureza humana, a tendência que temos tanto para criar quanto para destruir.

 

Embora as ciências físicas e sociais sejam capazes de iluminar muitos aspectos do conhecimento, não têm como missão responder a todas as perguntas. Nada diminuiria mais o espírito humano do que restringir nossa criatividade a uma única esquina do conhecimento. Somos criaturas multidimensionais e buscamos respostas de muitas formas. Cada uma tem seus propósitos e precisamos de todas elas.

 

Aceitar que o conhecimento é incompleto não é uma derrota do intelecto humano, não significa que estamos enquadrando a ciência como uma atividade humana, falível mesmo que poderosa, incompleta mesmo como melhor ferramenta para descrever o mundo. A ciência não reflete uma verdade divina, existente em um domínio platônico de perfeição e beleza. A ciência reflete a inquietude humana, nossa necessidade de ter algum controle sobre o tempo, sobre o misto de veneração e temor que sentimos quando confrontamos a imensidão do cosmos.

 

(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. 7.ed. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 325-328, passim)

O autor considera a possibilidade de que a ciência seja usada tanto para o bem como para o mal, uma vez que ela

  1. Ase mostra sujeita às escolhas com que norteamos sua aplicação.
  2. Bnão leva em conta o fato de sermos criaturas multidimensionais.
  3. Cnão é capaz de nos levar a qualquer atitude de caráter moralizante.
  4. Destá associada a métodos que podem ser ou não eficazes.
  5. Ese mostra sujeita à variação mesma dos valores civilizacionais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — se mostra sujeita às escolhas com que norteamos sua aplicação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A ciência e a responsabilidade humana pelo seu uso

Gabarito: letra A. O autor considera que a ciência pode ser usada para o bem ou para o mal porque ela se mostra sujeita às escolhas com que norteamos sua aplicação — ou seja, o uso da ciência depende das decisões humanas. Essa ideia está ancorada no trecho em que o autor afirma que o uso da ciência para o bem ou para o mal "não reflete a ciência em si, mas a precariedade da natureza humana", ou seja, a responsabilidade é das escolhas humanas, não da ciência.

O comando pede uma compreensão do texto: a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções ou acréscimos. A banca quer que você identifique a causa que o autor atribui ao fato de a ciência poder ser usada tanto para o bem quanto para o mal. No 2º parágrafo, o autor escreve:

"Que a ciência seja usada tanto para o bem como para o mal não reflete a ciência em si, mas a precariedade da natureza humana, a tendência que temos tanto para criar quanto para destruir."

A passagem é decisiva: o autor exclui a ciência como causa ("não reflete a ciência em si") e aponta a natureza humana, ou seja, as escolhas e tendências humanas. A alternativa A traduz exatamente isso: a ciência está sujeita às escolhas que fazemos ao aplicá-la. As demais alternativas ou extrapolam o texto (trazem ideias de fora), ou contradizem o que está escrito, ou tangenciam o tema sem responder à causa pedida.

A técnica para resolver questões de compreensão é localizar a passagem exata e verificar se a alternativa é uma reescritura fiel (paráfrase) dela. Cuidado com alternativas que parecem verdadeiras no mundo real, mas que o texto não sustenta — como a letra E, que fala em "variação dos valores civilizacionais", algo que o autor não menciona.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é a única que parafraseia a causa apontada pelo autor. O texto diz que o uso da ciência para o bem ou para o mal "não reflete a ciência em si, mas a precariedade da natureza humana". Isso significa que a ciência não tem vontade própria; ela é um instrumento que pode ser usado de diferentes formas, dependendo das escolhas humanas. A expressão "norteamos sua aplicação" é uma forma elegante de dizer "dirigimos, orientamos o uso". Portanto, a ciência está sujeita às nossas escolhas — exatamente o que a alternativa afirma.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B contradiz o texto. O autor afirma que "somos criaturas multidimensionais e buscamos respostas de muitas formas", ou seja, a ciência leva em conta (ou pelo menos não ignora) o fato de sermos multidimensionais. A alternativa diz o oposto: que a ciência "não leva em conta" isso. Além disso, essa ideia não é a causa do uso da ciência para o bem ou para o mal. Erro: contradiz o texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C extrapola o texto. O autor não afirma que a ciência não é capaz de nos levar a qualquer atitude de caráter moralizante. Ele apenas diz que o uso da ciência para o bem ou para o mal reflete a natureza humana, não a ciência em si. A palavra "moralizante" não aparece no texto, e a ideia de que a ciência não pode nos levar a atitudes morais é uma conclusão que o autor não tira. Erro: extrapolação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D tangencia o tema. O texto não discute a eficácia dos métodos científicos. A questão é sobre a causa do uso da ciência para o bem ou para o mal, e o autor aponta a natureza humana, não a eficácia dos métodos. A alternativa fala de algo que pode ser verdadeiro, mas que não está no texto e não responde à pergunta. Erro: fuga ao tema.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E extrapola o texto. O autor não menciona "variação dos valores civilizacionais". Ele fala em "precariedade da natureza humana" e "tendência que temos tanto para criar quanto para destruir". A ideia de que a ciência está sujeita à variação dos valores civilizacionais é uma generalização que não está ancorada no texto. Erro: extrapolação com ideia plausível, mas ausente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com ideias que parecem verdadeiras no mundo real, mas que o texto não traz. A letra E é o exemplo clássico: "variação dos valores civilizacionais" soa sofisticado, mas não está no texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife a passagem exata que responde à pergunta e verifique se a alternativa é uma paráfrase fiel. Desconfie de palavras como "sempre", "nunca", "apenas" e de ideias que você "acha" que o autor pensa, mas que não estão escritas.

Conclusão: a resposta correta é a letra A, pois é a única que parafraseia a causa apontada pelo autor: a ciência está sujeita às escolhas humanas. As demais ou contradizem, ou extrapolam, ou tangenciam o texto.

Gabarito: letra A

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