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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — FCC 2024

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
fc146694
Banca
FCC
Órgão
CETESB
Ano
2024
Cargo
Adv ( )

Ciência: o valor dos limites

 

A esperança de que podemos atingir o conhecimento total é muito simplista. A ciência precisa falhar para avançar. Queremos certezas. Mas, para crescer, precisamos abraçar as incertezas. A existência dos limites não deve ser vista como um obstáculo intransponível. Limites são oportunidades, alavancas que nos ensinam algo sobre o mundo e sobre nós mesmos, que nos incentivam a prosseguir na busca de respostas. Limites expandem as possibilidades de quem podemos ser.

 

A ciência é muito mais do que conhecimento acumulado do mundo natural. É uma visão de mundo, um estilo de vida, uma aspiração coletiva de crescermos como espécie em um cosmos repleto de mistérios, de medos e encantos. A ciência é o cobertor com que cobrimos os pés à noite, a luz que ligamos no fim do corredor, o mentor paciente que nos lembra do que somos capazes quando trabalhamos juntos. Que a ciência seja usada tanto para o bem como para o mal não reflete a ciência em si, mas a precariedade da natureza humana, a tendência que temos tanto para criar quanto para destruir.

 

Embora as ciências físicas e sociais sejam capazes de iluminar muitos aspectos do conhecimento, não têm como missão responder a todas as perguntas. Nada diminuiria mais o espírito humano do que restringir nossa criatividade a uma única esquina do conhecimento. Somos criaturas multidimensionais e buscamos respostas de muitas formas. Cada uma tem seus propósitos e precisamos de todas elas.

 

Aceitar que o conhecimento é incompleto não é uma derrota do intelecto humano, não significa que estamos enquadrando a ciência como uma atividade humana, falível mesmo que poderosa, incompleta mesmo como melhor ferramenta para descrever o mundo. A ciência não reflete uma verdade divina, existente em um domínio platônico de perfeição e beleza. A ciência reflete a inquietude humana, nossa necessidade de ter algum controle sobre o tempo, sobre o misto de veneração e temor que sentimos quando confrontamos a imensidão do cosmos.

 

(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. 7.ed. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 325-328, passim)

As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas na frase:
  1. APara um cientista, a existência de limites não requerem que sejam imediatamente superados, mas reconhecidos com clareza.
  2. BNão advêm da vontade divina os métodos falíveis da ciência, a cujos limites o humano pesquisador deve se mostrar sensível.
  3. CNão se chegam jamais a conhecimentos completos, ainda quando a eles aspiram a metodologia de todas as ciências.
  4. DOs conhecimentos acumulados a que nos fazem chegar a ciência não se representa como uma totalidade.
  5. ENão caberiam aos cientistas resolver os problemas da humanidade, mas apenas detectá-los na exata dimensão que tem.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Não advêm da vontade divina os métodos falíveis da ciência, a cujos limites o humano pesquisador deve se mostrar sensível.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: o verbo concorda com o núcleo do sujeito

Gabarito: letra B. A frase "Não advêm da vontade divina os métodos falíveis da ciência" é a única em que o verbo advêm concorda corretamente com o sujeito posposto os métodos falíveis da ciência (núcleo: métodos, 3ª pessoa do plural). Nas demais, o verbo foi flexionado com base em um termo que não é o núcleo do sujeito — a clássica armadilha de distanciar o verbo do seu verdadeiro sujeito.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique a frase em que as normas de concordância verbal estão plenamente observadas. Isso significa: o verbo deve estar na mesma pessoa e número do núcleo do sujeito — não de qualquer palavra que apareça antes ou depois dele. A FCC adora construir frases com o sujeito posposto (depois do verbo) e com termos intercalados (adjuntos, orações adjetivas) para fazer você errar o núcleo.

A técnica que decide: ache o núcleo do sujeito

Em toda oração, o verbo concorda com o núcleo do sujeito — o substantivo (ou pronome) central, sem os adjuntos. Quando o sujeito vem depois do verbo, a ordem invertida não muda a concordância: o verbo continua concordando com o núcleo. Exemplo: "Chegaram as cartas" — o verbo chegaram concorda com cartas, não com as.

Na letra B, temos:

"Não advêm da vontade divina os métodos falíveis da ciência"

O sujeito é os métodos falíveis da ciência; o núcleo é métodos (plural). O verbo advêm (3ª pessoa do plural) concorda perfeitamente. Note que advêm é a forma plural de advir (vir a, provir de), e o sujeito está posposto — exatamente o que a banca explora.

A armadilha central: concordar com o termo mais próximo

A FCC constrói as distratoras fazendo o verbo concordar com um termo que não é o núcleo do sujeito, mas que está mais próximo dele. Veja o padrão:

  • A) "a existência de limites não requerem" — o verbo requerem concorda com limites, mas o sujeito é a existência de limites (núcleo: existência, singular). Erro clássico de concordar com o adjunto.

  • C) "Não se chegam jamais a conhecimentos completos" — o verbo chegar é intransitivo; o se é índice de indeterminação do sujeito, portanto o verbo fica no singular: chega-se. Além disso, "a conhecimentos completos" é objeto indireto, não sujeito.

  • D) "Os conhecimentos acumulados a que nos fazem chegar a ciência" — o sujeito de fazem é a ciência (singular), então o correto seria faz. O verbo foi flexionado no plural por concordar com conhecimentos, que é objeto.

  • E) "Não caberiam aos cientistas resolver os problemas" — o sujeito é a oração resolver os problemas da humanidade; quando o sujeito é oracional, o verbo fica no singular: cabe. O plural caberiam está errado.

A regra de ouro

Sempre sublinhe o verbo e pergunte: quem pratica a ação? O termo que responde é o sujeito; o núcleo dele é o que manda na concordância. Desconfie de frases com sujeito posposto ou com muitos adjuntos entre o verbo e o sujeito — a banca quer que você se perca no caminho.

Concordância verbal
  • 1Regra: verbo concorda com o núcleo do sujeito
    • Sujeito posposto não muda a regra
    • Termos intercalados não mudam o núcleo
  • 2Erros típicos
    • Concordar com o termo mais próximo (A)
    • Concordar com o objeto (D)
    • Verbo no plural com sujeito oracional (E)
    • Se indeterminador do sujeito → singular (C)
  • 3Casos especiais
    • Sujeito oracional → verbo no singular
    • Verbo intransitivo + se → singular
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Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Para um cientista, a existência de limites não requerem que sejam imediatamente superados, mas reconhecidos com clareza."

O sujeito é a existência de limites; o núcleo é existência (singular). O verbo requerem está no plural, concordando com limites (adjunto adnominal). O correto seria não requer. Erro: concordar com o termo mais próximo, não com o núcleo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Não advêm da vontade divina os métodos falíveis da ciência, a cujos limites o humano pesquisador deve se mostrar sensível."

O sujeito é os métodos falíveis da ciência (núcleo: métodos, plural). O verbo advêm está na 3ª pessoa do plural, concordando perfeitamente. A ordem invertida (verbo antes do sujeito) não altera a concordância. Correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Não se chegam jamais a conhecimentos completos, ainda quando a eles aspiram a metodologia de todas as ciências."

O verbo chegar é intransitivo; o se é índice de indeterminação do sujeito, portanto o verbo fica no singular: chega-se. Além disso, "a conhecimentos completos" é objeto indireto, não sujeito. Erro: uso indevido do plural com partícula apassivadora em verbo intransitivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Os conhecimentos acumulados a que nos fazem chegar a ciência não se representa como uma totalidade."

O sujeito de fazem é a ciência (singular), então o correto seria faz. O verbo foi flexionado no plural por concordar com conhecimentos, que é objeto direto. Erro: concordar com o objeto, não com o sujeito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Não caberiam aos cientistas resolver os problemas da humanidade, mas apenas detectá-los na exata dimensão que tem."

O sujeito é a oração resolver os problemas da humanidade; quando o sujeito é oracional, o verbo fica no singular: cabe. O plural caberiam está errado. Erro: não reconhecer sujeito oracional.

Conclusão

A única frase em que a concordância verbal está plenamente observada é a letra B. A técnica que resolve: identifique o núcleo do sujeito — mesmo que ele esteja posposto ou separado por adjuntos — e flexione o verbo para concordar com ele. Desconfie de verbos no plural com sujeito singular ou de sujeitos oracionais.

Gabarito: letra B

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