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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FCC 2024

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
fc146810
Banca
FCC
Órgão
CETESB
Ano
2024
Cargo
Tec Adm ( )

A inveja é uma forma de contemplação ressentida pelo sucesso dos outros, imbuída do desejo último de possuí-lo. Sabe-se que ela nunca é geral, mas particular, direcionada a atributos específicos do próximo. O objeto da inveja é inatingível, mas, muitas vezes, causa no invejoso a ilusão do contrário, envolvendo-o em um eterno ciclo de busca. De maneira paradoxal, ela toma conta de todo o seu corpo, física e psiquicamente.

 

Sabe-se que a inveja é tão perniciosa que os invejosos estão dispostos a destituir os outros de seus benefícios, ainda que, para tanto, seja necessário que eles mesmos sofram uma perda, podendo, inclusive, pôr fim à existência daquilo que beneficia sua própria vida. Ela não segue a lógica da coerência ou do sentido. A inveja é irracional, incontrolável e autodestrutiva. Muitos de nós devem ter visto com os próprios olhos.

 

Das 14 figuras que representam o vicio e a virtude, pintadas por Giotto na capela Arena, em Pádua, a inveja é que desempenha o papel mais significativo. Na rigorosa geometria espacial de seu programa de afrescos, Giotto pintou a Inveja em frente e em oposição à alegoria da Caridade. O confronto é um choque entre dois mundos diametralmente opostos: um do egoísmo e avareza e outro da generosidade plena.

(Adaptado de:FIDELIS, Gaudêncio. Revista Cult. Acesso em: 06/02/2024)

Das 14 figuras que representam o vício e a virtude, pintadas por Giotto na capela Arena, em Pádua, a inveja é que desempenha o papel mais significativo.

 

A expressão sublinhada acima produz, no contexto, efeito de

  1. Aconformidade.
  2. Bironia.
  3. Coposição.
  4. Drealce.
  5. Eparalelismo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — realce.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Efeito de sentido da expressão "é que" — realce

Gabarito: letra D. A expressão sublinhada "é que" produz, no contexto, efeito de realce (também chamado de ênfase ou destaque). Isso se prova porque a construção "a inveja é que desempenha" funciona como uma estrutura de realce, que isola o sujeito "a inveja" para destacá-lo dos demais elementos — como se lê no trecho: "a inveja é que desempenha o papel mais significativo". A banca não pede o sentido literal das palavras, mas o efeito de sentido que a estrutura gramatical "é que" acrescenta à frase.

O comando da questão

O enunciado pergunta qual efeito a expressão sublinhada produz no contexto. Isso muda tudo: não se trata de classificar a expressão isoladamente (como se fosse uma locução fixa), mas de observar o que ela faz com o sentido da frase. Em questões assim, a banca quer que você perceba a função pragmática — o destaque, a ênfase, a surpresa — e não apenas o valor semântico de cada palavra.

O texto e o movimento argumentativo

O texto trata da inveja como um vício particular, irracional e autodestrutivo. No terceiro parágrafo, o autor descreve os afrescos de Giotto e afirma que, entre as 14 figuras, "a inveja é que desempenha o papel mais significativo". A construção "é que" não está ali por acaso: ela seleciona a inveja entre todas as outras figuras, colocando-a em posição de destaque. Se a frase fosse "a inveja desempenha o papel mais significativo", o sentido seria o mesmo, mas sem o realee — a ênfase que a estrutura "é que" confere ao sujeito.

A técnica que decide

A construção "é que" é um recurso de realce (ou clivagem). Ela funciona como uma "moldura" que isola um termo da oração para destacá-lo. Veja o mecanismo:

  • Sem realce: "A inveja desempenha o papel mais significativo."

  • Com realce: "A inveja é que desempenha o papel mais significativo."

A diferença é sutil, mas decisiva: na segunda versão, o falante aponta para a inveja, como se dissesse "é a inveja, e não outra figura, que tem esse papel". Esse é exatamente o efeito de realce.

"Das 14 figuras que representam o vício e a virtude, pintadas por Giotto na capela Arena, em Pádua, a inveja é que desempenha o papel mais significativo."

A passagem mostra que a inveja é destacada entre as 14 figuras. O "é que" não introduz oposição (a frase não contrasta a inveja com a caridade nesse trecho específico), não cria ironia (não há inversão de sentido), não expressa conformidade (não há ideia de concordância) e não estabelece paralelismo (não há estrutura simétrica repetida). O efeito é puramente enfático.

1Função
Isola o sujeito
Destaca entre os demais
2Sem realce
"A inveja desempenha..."
3Com realce
"A inveja é que desempenha..."
4Não é
Conformidade
Ironia
Oposição
Paralelismo
"É que" — efeito de realce
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"É que" — efeito de realce: Função (Isola o sujeito, Destaca entre os demais); Sem realce ("A inveja desempenha..."); Com realce ("A inveja é que desempenha..."); Não é (Conformidade, Ironia, Oposição, Paralelismo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Conformidade seria o efeito de uma expressão como "conforme", "de acordo com" ou "segundo". No trecho, não há nenhuma ideia de concordância ou adequação a algo. A expressão "é que" não estabelece relação de conformidade com nada — ela apenas destaca o sujeito. A alternativa tangencia o texto: fala de um efeito que não está presente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Ironia ocorre quando se diz o contrário do que se quer significar, geralmente com tom de crítica ou zombaria. No trecho, o autor afirma seriamente que a inveja tem o papel mais significativo — não há inversão de sentido, nem tom jocoso. A alternativa extrapola: atribui ao texto uma intenção irônica que não existe.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Oposição seria o efeito de um conectivo como "mas", "porém", "contudo" ou de uma estrutura que contrasta dois elementos. É verdade que o texto, em outro trecho, fala do confronto entre a Inveja e a Caridade ("O confronto é um choque entre dois mundos diametralmente opostos"), mas nesse trecho específico não há oposição — há apenas destaque. A alternativa confunde o conteúdo do parágrafo (que menciona oposição) com o efeito da expressão sublinhada. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que lembra do confronto entre Inveja e Caridade marca "oposição", mas a expressão "é que" não estabelece contraste algum.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A expressão "é que" é um recurso de realce (ênfase). Ela isola o sujeito "a inveja" para destacá-lo entre as 14 figuras. A prova está na própria estrutura: "a inveja é que desempenha". Se a banca quisesse apenas informar, escreveria "a inveja desempenha". Ao inserir "é que", o autor salienta que é a inveja — e não outra figura — a mais significativa. Esse é o efeito de realce.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Paralelismo é a repetição de estruturas sintáticas semelhantes para criar simetria, como em "ou estudas, ou trabalhas" ou "não só é bela, mas também é inteligente". No trecho, não há repetição de estrutura alguma — a frase é simples e direta. A alternativa tangencia o texto: fala de um recurso estilístico que não aparece na passagem.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o conteúdo do parágrafo (que menciona o confronto entre Inveja e Caridade) e o efeito da expressão sublinhada. O candidato que lembra da oposição entre os dois mundos marca "oposição", mas a expressão "é que" não estabelece contraste — ela apenas destaca o sujeito.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "efeito de sentido", pergunte-se: "o que esta expressão faz com a frase?" Se ela isola e destaca um termo, o efeito é de realce. Se ela contrasta dois elementos, é oposição. Se ela inverte o sentido, é ironia. O contexto decide.

Gabarito: letra D. A expressão "é que" produz efeito de realce, pois destaca a inveja entre as 14 figuras, como se lê no trecho "a inveja é que desempenha o papel mais significativo".

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