Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Correlação Verbal — FCC 2024

PortuguêsCorrelação Verbal
Código
fc146813
Banca
FCC
Órgão
CETESB
Ano
2024
Cargo
Tec Adm ( )

Essa crônica é uma despedida. Resolvi, por decisão própria, parar de escrever em Cotidiano [caderno do jornal FSP].

 

Devo ter perdido o juízo. Minha decisão contrária um dos dois maiores sonhos de cada escritor. Primeiro, o sonho de ser um best-seller. Confesso: sou vítima dessa vaidade. O outro sonho dos escritores é ter seus textos publicados num jornal importante. O que significa reconhecimento duplo: do jornal que os publica e dos leitores. Todo escritor tem uma pitada de narcisismo.

 

Fernando Pessoa tem um poema que diz assim: "tenho dó das estrelas luzindo há tanto tempo, tenho dó delas..." e Ele se pergunta se " não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas..." Respondo: sim. Há um cansaço. A velhice é o tempo do cansaço de todas as coisas. Estou velho. Estou cansado. Já escrevi muito. Mas, agora , meus 78 anos estão pesando. E, como acontece com as estrelas, há sempre a obrigação de brilhar. A obrigação : é isso o que pesa. Perco o sono atormentado por deveres, pensando no que tenho de escrever. Sinto - pode ser que não seja assim, mas é assim que eu sinto - que já disse tudo. Não tenho novidades a escrever. Mas tenho a obrigação de escrever quando minha vontade é não escrever.

 

O tempo dos jornais é o hoje, as presenças. Mas minha alma é movida pelas ausências: nos jornais, não há lugar para ressureições.

 

(Adaptado de: ALVES, Rubem. "Despedida". Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 01/02/2024)

A obrigação: é isso o que pesa. Perco o sono atormentado por deveres, pensando no que tenho de escrever.

 

Mantendo a correlação verbal e as relações de sentido originais, uma redação alternativa para o trecho acima, em outro tempo verbal, está em:

  1. AA obrigação: havia de ser isso o que pesava. perderei o sono atormentado por deveres pensando no que tivera de escrever.
  2. BA obrigação: fora isso o que pesava. perdi o sono atormentado por deveres, pensando no que terei de escrever.
  3. CA obrigação: era isso o que pesou. Perdera o sono atormentado por deveres. pensando no que tive de escrever.
  4. DA obrigação: tinha sido isso o que pesava. Perdeu o sono atormentado por deveres. pensando no que terei de escrever.
  5. EA obrigação: foi isso o que pesou. Perdi o sono atormentado por deveres, pensando no que tinha de escrever.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — A obrigação: foi isso o que pesou. Perdi o sono atormentado por deveres, pensando no que tinha de escrever.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Correlação verbal: a harmonia entre tempos e modos

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que mantém a correlação verbal e o sentido original do trecho, transportando todos os verbos para o pretérito perfeito do indicativo, com a devida correspondência temporal: "foi isso o que pesou", "Perdi o sono", "pensando no que tinha de escrever". O trecho original, no presente, "A obrigação: é isso o que pesa. Perco o sono atormentado por deveres, pensando no que tenho de escrever", descreve um estado atual e contínuo; a reescrita em outro tempo verbal deve preservar a relação de simultaneidade entre as ações, o que só a letra E faz.

O comando pede uma reescritura que mantenha a correlação verbal e as relações de sentido originais, mas em outro tempo verbal. Isso significa que não basta trocar os verbos por qualquer tempo do passado: é preciso que a relação entre eles (o que acontece primeiro, o que acontece depois, o que é simultâneo) permaneça a mesma. No original, temos: "é isso o que pesa" (presente, fato atual) e "Perco o sono" (presente, ação atual) e "tenho de escrever" (presente, obrigação atual). A relação é de simultaneidade: o peso da obrigação e a perda de sono ocorrem no mesmo tempo presente.

Para passar ao passado mantendo essa simultaneidade, o candidato deve usar tempos que expressem ações concluídas e pontuais no passado, ou seja, o pretérito perfeito do indicativo para as ações principais ("foi", "Perdi") e o pretérito imperfeito para a ação que expressa uma circunstância contínua ou habitual ("tinha de escrever"). O pretérito imperfeito, nesse caso, indica uma obrigação que se estendia no passado, enquanto o perfeito marca o momento em que o peso e a perda de sono ocorreram. Essa combinação é a única que preserva a ideia de que a obrigação de escrever era uma condição contínua que causava o sofrimento pontual.

A banca explora a correlação verbal como uma "dobradinha" harmônica entre tempos e modos. Como ensina a gramática, não se pode misturar, por exemplo, um verbo no pretérito perfeito com outro no futuro do presente, pois isso quebra a lógica temporal. Cada alternativa errada apresenta uma combinação incoerente, como veremos a seguir.

  1. 1Identificar relação entre ações
  2. 2Escolher eixo temporal único
  3. 3Manter simultaneidade/causalidade
  4. 4Verificar pessoa do discurso
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A usa "havia de ser" (pretérito imperfeito composto) e "perderei" (futuro do presente), criando uma mistura de tempos que não se harmoniza: o futuro do presente não combina com um passado. Além disso, "tivera" (mais-que-perfeito) indica um passado anterior a outro passado, o que não corresponde ao sentido original de obrigação atual. Erro: contradiz a correlação verbal e o sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B usa "fora" (mais-que-perfeito) e "perdi" (perfeito), mas "terei" (futuro do presente) quebra a harmonia: o futuro não se relaciona com o passado. O sentido de obrigação futura não existe no original. Erro: contradiz a correlação verbal e o sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C usa "era" (imperfeito) e "pesou" (perfeito), mas "Perdera" (mais-que-perfeito) e "tive" (perfeito) criam uma sequência temporal confusa: o mais-que-perfeito indica um passado anterior ao perfeito, o que não corresponde à simultaneidade original. Erro: contradiz a correlação verbal e o sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D usa "tinha sido" (mais-que-perfeito composto) e "pesava" (imperfeito), mas "Perdeu" (perfeito) e "terei" (futuro) quebram a harmonia: o futuro não combina com o passado. Além disso, a mudança de pessoa (de "Perco" para "Perdeu") altera o sujeito, o que não é permitido. Erro: contradiz a correlação verbal, o sentido e a pessoa do discurso.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E usa "foi" (perfeito), "pesou" (perfeito), "Perdi" (perfeito) e "tinha de escrever" (imperfeito). Essa combinação é harmônica: o pretérito perfeito marca as ações pontuais e concluídas (o peso, a perda de sono), enquanto o pretérito imperfeito expressa a obrigação contínua e habitual (tinha de escrever). A relação de simultaneidade e causalidade é preservada, e o sentido original é mantido. Correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece combinações de tempos que parecem plausíveis, mas quebram a correlação. A chave é verificar se todos os verbos estão no mesmo eixo temporal e se a relação de simultaneidade é mantida.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever um trecho em outro tempo, identifique primeiro a relação entre as ações (simultânea, anterior, posterior) e escolha tempos que a preservem. Desconfie de misturas como perfeito + futuro ou imperfeito + mais-que-perfeito.

Conclusão: a única alternativa que mantém a correlação verbal e o sentido original é a letra E, pois usa o pretérito perfeito para as ações pontuais e o pretérito imperfeito para a obrigação contínua, preservando a harmonia temporal.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/fc146813