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Questão de Direito Administrativo — Regime jurídico administrativo — FGV 2022

Direito AdministrativoRegime jurídico administrativo
Código
fg047271
Banca
FGV
Órgão
CGU
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Técnico Federal de Finanças e Controle
O Estado Alfa foi inscrito em cadastros desabonadores da União (Siafi/Cauc/Cadin) exclusivamente em razão de descumprimento de limites de gastos pelo Ministério Público do Estado Alfa. Inconformado, o Estado Alfa ajuizou ação judicial pleiteando sua exclusão dos citados cadastros negativos, sustentando exclusivamente a ilegalidade de imposição de sanções ao Poder Executivo estadual em virtude de pendências de órgãos dotados de autonomia institucional e orgânico-administrativa, tais como o Ministério Público Estadual, na medida em que o governo do Estado não tem competência para intervir na esfera orgânica dessas instituições autônomas.De acordo com a doutrina de Direito Administrativo e a jurisprudência dos Tribunais Superiores, a tese do Estado Alfa:
  1. Amerece prosperar, com base no princípio da administração pública da intranscendência subjetiva das sanções;
  2. Bmerece prosperar, com base no princípio da administração pública da autotutela;
  3. Cnão merece prosperar, com base no princípio da administração pública da eficiência;
  4. Dnão merece prosperar, com base no princípio republicano da separação dos poderes;
  5. Enão merece prosperar, com base no princípio da administração pública da impessoalidade.
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GabaritoA — merece prosperar, com base no princípio da administração pública da intranscendência subjetiva das sanções;

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Regime Jurídico Administrativo – Princípio da Intranscendência Subjetiva das Sanções

Gabarito: letra A. A tese do Estado Alfa merece prosperar porque o princípio da intranscendência subjetiva das sanções, reconhecido pela doutrina e jurisprudência administrativista, veda que sanções impostas a um ente ou órgão autônomo sejam transferidas a outro. No caso, o descumprimento dos limites de gastos foi praticado pelo Ministério Público estadual – órgão dotado de autonomia institucional e orçamentária –, não podendo o Poder Executivo estadual ser penalizado por ato que não lhe é imputável.

Princípio Invocado

Conceito

Aplicação ao Caso

Procedência da Tese

Intranscendência subjetiva das sanções

Veda que sanções atinjam terceiros não responsáveis pelo ato ilícito

O MP é autônomo; o Estado não pode ser penalizado por ato do MP

✅ Sim (Alternativa A)

Autotutela

Permite à Administração anular/revogar seus próprios atos

Não há revisão de ato próprio, mas responsabilidade por ato alheio

❌ Não (Alternativa B)

Eficiência

Busca da melhor relação custo-benefício e qualidade na gestão

A controvérsia não é sobre gestão, mas sobre imputação de sanção

❌ Não (Alternativa C)

Separação dos Poderes

Estruturação do Estado em funções independentes

O MP não é Poder, mas órgão autônomo; a questão não é interferência entre poderes

❌ Não (Alternativa D)

Impessoalidade

Exige tratamento isonômico e finalidade pública

Não é o fundamento direto para vedar transferência de sanção

❌ Não (Alternativa E)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa corretamente invoca o princípio da intranscendência subjetiva das sanções, também conhecido como princípio da personalidade da sanção administrativa. Segundo esse princípio, as sanções administrativas devem recair exclusivamente sobre o sujeito que praticou a infração, não podendo atingir terceiros que não concorreram para o ato ilícito. No caso, o Ministério Público possui autonomia funcional, administrativa e orçamentária (CF, art. 127, §2º). O Estado não pode ser responsabilizado por atos do MP, sob pena de violação à intranscendência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A autotutela é o princípio que permite à Administração anular seus próprios atos ilegais ou revogá-los por conveniência e oportunidade, sem necessidade de provocação judicial. Não se aplica à situação, pois não se discute a revisão de atos próprios, mas a responsabilidade por atos de ente autônomo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O princípio da eficiência impõe à Administração a busca da melhor relação custo-benefício e da qualidade na prestação dos serviços públicos. Não é o fundamento adequado para a exclusão dos cadastros, pois a controvérsia envolve a impossibilidade de transferência de sanções, e não a qualidade da gestão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A separação dos Poderes (art. 2º da CF) é princípio estruturante do Estado, mas não é o fundamento direto para a tese. Embora o MP não integre o Poder Executivo, a questão não trata de interferência entre poderes, mas de responsabilidade por atos de órgãos autônomos. O princípio da intranscendência é mais específico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O princípio da impessoalidade (art. 37, caput, CF) exige que a Administração atue sem favorecimentos ou perseguições pessoais. Não se confunde com a vedação de transferência de sanções, que é objeto da intranscendência subjetiva.

PEGA ESSA DICA!

Em questões que envolvam sanções a um ente por atos de outro ente autônomo (MP, TC, Defensoria), lembre-se do princípio da intranscendência subjetiva. A doutrina o considera decorrência do devido processo legal e da responsabilidade pessoal.

Gabarito: letra A.

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