Questão de Direito Administrativo — Serviços Públicos — FGV 2022
Direito Administrativo›Serviços Públicos
Código
fg054465
Banca
FGV
Órgão
Senado Federal
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Consultor Legislativo - Transportes
Existem diversas modalidades de concessão para os transportes públicos coletivos.Assinale a opção que indica uma vantagem da modalidade de concessão simples.
AO contratado fica isento de prejuízos decorrentes de má gestão.
BO contratado possui maior autonomia na forma de execução do objeto do contrato..
CO poder público possui maior controle sobre o processo.
DO usuário possui maior participação na relação estabelecida entre o poder público e o contratado.
EO poder público não arca com riscos quanto à elaboração e ao dimensionamento do projeto.
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GabaritoC — O poder público possui maior controle sobre o processo.
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Concessão simples de serviço público: vantagens para o poder concedente
Gabarito: letra C. A vantagem da concessão simples para o poder público é justamente a manutenção do controle sobre o processo, pois, embora a execução do serviço seja delegada ao particular, a titularidade permanece com o Estado, que conserva a plena disponibilidade sobre o serviço, podendo fiscalizar, punir e até retomar a execução (CF, art. 175). É essa prerrogativa de controle que a alternativa correta espelha.
A concessão de serviço público é o contrato administrativo pelo qual a Administração delega a outrem a execução de um serviço público, para que o execute em seu próprio nome, por sua conta e risco, assegurando-lhe a remuneração mediante tarifa paga pelo usuário. A delegação transfere apenas a execução do serviço, nunca a sua titularidade, que permanece com o poder concedente. É exatamente por isso que o poder público mantém a plena disponibilidade sobre o serviço: pode alterar as cláusulas regulamentares, retomar a execução por meio de encampação, fiscalizar e punir administrativamente o concessionário em caso de inadimplemento.
A distinção que importa aqui é entre a concessão simples (ou comum), regida pela Lei nº 8.987/1995, e as parcerias público-privadas (concessão patrocinada e administrativa), regidas pela Lei nº 11.079/2004. Na concessão simples, a remuneração do concessionário vem essencialmente da tarifa paga pelos usuários, e o risco do empreendimento é transferido ao particular — é ele quem arca com os prejuízos decorrentes de má gestão. Já nas PPPs, há contraprestação pecuniária do parceiro público, o que reduz o risco do privado, mas também reduz o controle estatal sobre o processo.
A pegadinha da banca está em inverter o polo da vantagem: o candidato tende a pensar que a concessão é vantajosa para o particular (maior autonomia, isenção de riscos), quando a questão pergunta a vantagem para o poder público. A essência da concessão é o Estado manter o controle sobre um serviço que é de sua titularidade, transferindo apenas a execução e o risco empresarial.
Concessão simples (Lei 8.987/95): Transferência (Execução do serviço, Risco empresarial); Permanência com o Estado (Titularidade, Controle/fiscalização, Poder de intervenção); Remuneração (Tarifa paga pelo usuário)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o contratado fica isento de prejuízos decorrentes de má gestão. É exatamente o oposto: a concessão é feita por conta e risco do concessionário, que assume integralmente os prejuízos de sua má administração. Essa é uma característica central do instituto — o risco empresarial é do particular, não do poder público.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o contratado possui maior autonomia na forma de execução do objeto. A autonomia do concessionário é limitada: ele executa o serviço na forma regulamentar, sujeito ao poder de regulamentação, fiscalização e intervenção do poder concedente. A concessão é um contrato administrativo com cláusulas exorbitantes, que conferem ao poder público prerrogativas de alteração unilateral, fiscalização e aplicação de penalidades.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A vantagem da concessão simples para o poder público é o maior controle sobre o processo. Como a titularidade do serviço permanece com o Estado, ele conserva a plena disponibilidade sobre o mesmo, podendo fiscalizar permanentemente a prestação, aplicar penalidades, intervir e até extinguir a concessão. O poder concedente mantém, assim, o controle regulatório e fiscalizatório sobre um serviço que é de sua responsabilidade constitucional.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o usuário possui maior participação na relação entre poder público e contratado. A participação do usuário não é uma característica distintiva da concessão simples — ela decorre de outros instrumentos, como ouvidorias e conselhos de usuários, previstos na Lei nº 13.460/2017, e não é uma vantagem específica dessa modalidade de delegação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o poder público não arca com riscos quanto à elaboração e ao dimensionamento do projeto. Na concessão simples, o poder público é quem define o objeto e as condições da licitação, arcando com os riscos de elaboração do projeto básico. O risco transferido ao particular é o risco empresarial da exploração do serviço, não o risco de planejamento do empreendimento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o polo da vantagem: as alternativas A, B e E descrevem vantagens (ou supostas vantagens) para o particular, enquanto a questão pergunta a vantagem para o poder público. O candidato que não tem claro que a concessão transfere apenas a execução, mantendo a titularidade e o controle com o Estado, tende a marcar a letra B (maior autonomia do contratado), que é justamente o oposto da resposta correta. Lembre-se: na concessão, quem manda é o poder concedente — o particular apenas executa, por sua conta e risco.