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Questão de Direito Administrativo — Serviços Públicos — FGV 2023

Direito AdministrativoServiços Públicos
Código
fg062614
Banca
FGV
Órgão
Câmara dos Deputados
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Consultor Legislativo - Área VIII - Tarde
A entidade ABC, sem fins lucrativos, distribui alimentos não perecíveis a pessoas hipossuficientes econômicas que residem no Município Alfa. Nesse contexto, considerando o aniversário de dez anos da pessoa jurídica, que se aproxima, é realizado pedido, junto à municipalidade, de fechamento da rua XYZ, para fins de uso privativo pela entidade, visando às festividades decorrentes da data marcante. O Poder Público, então, edita um ato administrativo discricionário e precário, para consentir que a entidade utilize privativamente o bem público supracitado.Nesse cenário, considerando o entendimento doutrinário e jurisprudencial dominantes quanto ao uso privativo de bem público, é correto afirmar que o ato administrativo editado pelo Poder Público caracteriza uma
  1. Apermissão de uso condicionada.
  2. Bconcessão de uso urbanística.
  3. Cpermissão de uso urbanística.
  4. Dautorização de uso.
  5. Ecessão de uso.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — autorização de uso.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso privativo de bem público: ato administrativo

Gabarito: letra D. O ato administrativo discricionário e precário editado pelo Poder Público para consentir que a entidade utilize privativamente a rua XYZ, em evento comemorativo de curta duração e sem interesse coletivo direto, caracteriza-se como autorização de uso. A doutrina majoritária (Hely Lopes Meirelles, Maria Sylvia Di Pietro) aponta que, quando o uso privativo atende exclusivamente a interesse particular, sem relevância comunitária, o instrumento adequado é a autorização de uso, em caráter precaríssimo, e não a permissão ou a concessão.

A banca testa a distinção entre os institutos de outorga de uso de bens públicos. O caso concreto é típico de autorização: ato unilateral, discricionário, precário, sem necessidade de licitação (embora a Lei 14.133/2021 exija licitação para permissão e concessão de uso, a autorização para eventos eventuais segue rito simplificado). Já a permissão de uso, embora também precária, pressupõe algum grau de interesse da coletividade (ex.: bancas de jornal, quiosques) e exige licitação. A concessão de uso é contratual, estável e onerosa (ou gratuita), com prazo determinado e exclusividade. A cessão de uso ocorre entre entes públicos ou para entidades sem fins lucrativos em regime de comodato administrativo, mas sempre com finalidade de interesse público.

1Autorização de uso
Interesse particular
Ato discricionário e precário
Sem licitação (eventos eventuais)
2Permissão de uso
Interesse coletivo (bancas, quiosques)
Ato precário
Exige licitação
3Concessão de uso
Contratual e estável
Prazo determinado
Onerosa ou gratuita
4Cessão de uso
Entre entes públicos
Comodato administrativo
Finalidade de interesse público
Uso privativo de bem público
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Uso privativo de bem público: Autorização de uso (Interesse particular, Ato discricionário e precário, Sem licitação (eventos eventuais)); Permissão de uso (Interesse coletivo (bancas, quiosques), Ato precário, Exige licitação); Concessão de uso (Contratual e estável, Prazo determinado, Onerosa ou gratuita); Cessão de uso (Entre entes públicos, Comodato administrativo, Finalidade de interesse público)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A permissão de uso condicionada não é figura autônoma comum; a permissão de uso, em geral, é ato unilateral e precário, mas pressupõe interesse público relevante e licitação. No caso, o uso é puramente privado (festa da entidade), sem contrapartida coletiva. Logo, não se enquadra como permissão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A concessão de uso urbanística é instrumento típico do direito urbanístico (Lei 10.257/2001), destinado a regularizar ocupações ou viabilizar projetos de urbanização, com caráter contratual e estável. O ato descrito é discricionário e precário, o que a afasta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A permissão de uso urbanística também é modalidade contratual ou ato administrativo voltado a interesses urbanísticos, com prazo determinado e exigência de licitação. Não se amolda ao ato precário e discricionário do enunciado.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A autorização de uso é o ato unilateral, discricionário e precário pelo qual a Administração consente que o particular utilize privativamente bem público, por tempo certo e para fim específico, sem necessidade de licitação. É o instrumento cabível para eventos de curta duração, como a festa de aniversário da entidade, pois atende exclusivamente a interesse particular e não gera direitos subjetivos ao uso. A doutrina ressalta: "Se não houver interesse para a comunidade, mas tão somente para o particular, o uso especial não deve ser permitido nem concedido, mas simplesmente autorizado, em caráter precaríssimo" (trecho do conteúdo de apoio).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A cessão de uso é a transferência gratuita da posse de bem público entre entes públicos ou, excepcionalmente, a entidades sem fins lucrativos, para fins de interesse público (educação, assistência social). No caso, o uso não é gratuito (o ato é discricionário e precário, não há termo de cessão) e a destinação é privada (festa), não de interesse público direto. Portanto, não se aplica.

NÃO CAIA NESSA!

O candidato pode confundir "permissão" com "autorização" por ambos serem precários. A chave está no interesse público: permissão exige interesse coletivo; autorização, não. Como o uso é exclusivamente privado, é autorização.

Gabarito: letra D.

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