Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fg068430
Banca
FGV
Órgão
SEDUC-TO
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor da Educação Básica - Professor Regente - Educação Indígena Matemática, Ciências da Natureza e suas Tecnologias
Existiam dois sóis. Eram dois astros muito poderosos, que prejudicavam o mundo, ou seja, o planeta, pois os dois juntos faziam muito calor. Certa vez os dois se desentenderam e brigaram.Na briga, o sol deu um soco nos olhos da lua. A lua disse ao sol: — Como é que vou trabalhar agora? O sol disse: — Você ilumina o mundo de noite e eu ilumino o dia. Por este motivo, o sol, com sua luz muito quente, seca os rios e as plantas. E a lua derrama lágrimas por estar com o olho machucado, molhando assim as plantas. As gotas de sua lágrima quando caem vão recuperando os rios onde estes secaram. À noite, desde então, temos a lua (Kysã), que nos dá a escuridão necessária para o repouso, e, durante o dia, o sol (Rã), que ilumina nossos dias e florestas. Até hoje, assim que o sol se põe, a lua nasce. Desse modo, os dois nunca se encontram para não brigarem novamente. Um vai complementando o outro. Assim todas as coisas no mundo têm seu complemento, seu lado par ou ímpar.CARDOSO, Dorvalino Refej. Kanhgág Jykre Kar — filosofia e educação kanhgág e a oralidade: uma abertura de caminhos. 2017. Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2017.No texto Kanhgág Jykre Kar
  1. Aé mostrada uma discussão interminável sobre quem governa ou não o mundo que se apresenta caótico e sem condições de habitação.
  2. Bé apresentado o mito de criação que conta a história dos primeiros homens e sua relação com os rios e a seca, em que a ação de um dos homens deve ser rechaçada pelo outro.
  3. Cé descrito o aparecimento das pinturas e traços usados nos grafismos Kaingang; tudo o que pertence a Kanhru é manchado ou bolinha e o que pertence a Kamé, é riscado.
  4. Dé utilizada uma lenda para explicar, por meio do sobrenatural e do misterioso, porque as estações do ano se modificam de acordo com a vontade Kysã ou Rã.
  5. Eé explicada a educação Kaingang mediante a transcrição de um trecho de uma passagem mitológica centrada no que é necessário buscar no futuro.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — é explicada a educação Kaingang mediante a transcrição de um trecho de uma passagem mitológica centrada no que é necessário buscar no futuro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mito Kaingang sobre o Sol e a Lua

Gabarito: letra E. O texto transcreve uma passagem mitológica que explica a origem do dia e da noite a partir da briga entre o sol e a lua. A narrativa termina com uma lição sobre complementaridade ('Assim todas as coisas no mundo têm seu complemento'), que se encaixa no contexto maior da obra 'Kanhgág Jykre Kar — filosofia e educação kanhgág'. A alternativa E é a única que não extrapola o conteúdo apresentado.

Comando da questão: identificar o que é mostrado no texto. Exige compreensão literal (recorrência) do enredo e do propósito da transcrição.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O texto não trata de 'discussão interminável sobre quem governa o mundo'. A briga é um episódio único, e o desfecho é a separação ordenada (sol de dia, lua de noite). Também não há menção a 'mundo caótico e sem condições de habitação' — o problema inicial (calor excessivo) é resolvido pelo complemento noturno. Erro: extrapolação (acrescenta elementos alheios) e contradiz o texto (o mundo não é apresentado como inabitável).

Alternativa B — ❌ Incorreta

O mito não conta a história dos 'primeiros homens' nem de ações que 'devem ser rechaçadas'. Os protagonistas são astros (sol e lua). A relação com rios e seca aparece apenas como consequência (sol seca, lua rega), mas não há figura humana. Erro: tangencia (fuga ao tema) — insere personagens humanos inexistentes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Não há qualquer referência a 'pinturas, traços, grafismos Kaingang', nem aos nomes Kanhru ou Kamé no trecho. O texto limita-se a narrar a briga entre sol e lua. Erro: tangencia (conteúdo completamente deslocado).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A lenda explica a alternância dia/noite, não as estações do ano. Também não atribui a mudança à 'vontade' de Kysã ou Rã; a alternância é consequência da briga: 'para não brigarem novamente, um vai complementando o outro'. Erro: extrapolação (introduz estações e vontade, ausentes no texto).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto é a transcrição de uma passagem mitológica (briga entre sol e lua, origem do dia e da noite). A obra de onde foi extraído trata de 'filosofia e educação kanhgág', e a lição final ('tudo tem seu complemento') aponta para um aprendizado sobre harmonia, o que se alinha com a ideia de 'educação Kaingang'. A expressão 'centrada no que é necessário buscar no futuro' é uma paráfrase razoável da mensagem de complementaridade, pois ensina que cada coisa tem seu oposto necessário. Nenhum elemento estranho é acrescentado.

PEGA ESSA DICA!

Questões de compreensão exigem que a resposta esteja explícita ou diretamente inferida do texto. Toda alternativa que traz assunto novo (pinturas, primeiros homens, estações) deve ser eliminada de imediato.

Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/fg068430