Pular para o conteúdo principal

Questão de Direito Administrativo — Reparação do dano, ação de indenização, ação regressiva e prescrição. — FGV 2023

Direito AdministrativoReparação do dano, ação de indenização, ação regressiva e prescrição.
Código
fg068974
Banca
FGV
Órgão
SEE-MG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Educacional (ANE) - Técnico-administrativo
A responsabilidade civil das ações ou omissões praticadas pelo Estado teve diferentes interpretações ao longo da história, sendo, hoje, no contexto brasileiro, balizada pela teoria do risco administrativo.Com base na responsabilidade civil do Estado brasileiro, considere as situações a seguir:1. Uma Concessionária que, ao realizar serviço público de transporte escolar, atropela um pedestre, deve responder objetivamente.2. Caso um agente público municipal execute ato que cause dano patrimonial a determinado grupo de pessoas, ele será o polo ativo na ação de indenização interposta pelos afetados.3. Em caso de culpa exclusiva de particular, caso fortuito ou força maior, a responsabilidade objetiva será excluída.Estão em conformidade com o arcabouço jurídico brasileiro as situações
  1. A1 e 2, apenas.
  2. B2 e 3, apenas.
  3. C1 e 3, apenas.
  4. D1, 2 e 3.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — 1 e 3, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Responsabilidade civil do Estado: teoria do risco administrativo

Gabarito: letra C (situações 1 e 3 apenas). A responsabilidade civil do Estado brasileiro é objetiva, baseada no risco administrativo (CF, art. 37, §6º). As concessionárias de serviço público respondem objetivamente pelos danos que seus agentes causam a terceiros (situação 1 correta). As excludentes de responsabilidade, como culpa exclusiva do particular, caso fortuito e força maior, afastam o nexo causal e, portanto, excluem a responsabilidade objetiva (situação 3 correta). Já na situação 2, o agente público não é parte na ação indenizatória movida pelos lesados; o polo passivo é a pessoa jurídica de direito público, e o agente responde apenas em ação regressiva, se agiu com dolo ou culpa.

Análise das situações

Situação 1 — ✅ Correta

Uma concessionária de serviço público, ao executar o serviço, equipara-se ao Estado para fins de responsabilidade civil extracontratual. A Constituição, em seu art. 37, §6º, estabelece que as pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos respondem objetivamente pelos danos que seus agentes causarem a terceiros. Assim, o pedestre atropelado não precisa provar dolo ou culpa do condutor; basta demonstrar o dano e o nexo causal com a atividade do serviço público.

Situação 2 — ❌ Incorreta

A situação afirma que o agente público municipal será o polo ativo na ação de indenização. Polo ativo é o autor da ação, ou seja, quem pede a indenização. No caso, os afetados (grupo de pessoas) são os autores; o polo passivo (réu) é o ente público (Município), pois a responsabilidade primária é da pessoa jurídica. O agente público somente será demandado em eventual ação regressiva movida pelo Estado, após este ser condenado a indenizar. Logo, o agente não figura como parte na ação principal; o polo ativo são as vítimas.

Situação 3 — ✅ Correta

A responsabilidade objetiva do Estado (risco administrativo) exige a presença do nexo causal entre a conduta estatal e o dano. Excludentes como culpa exclusiva da vítima, caso fortuito ou força maior rompem o nexo causal, afastando a obrigação de indenizar. Essas hipóteses são reconhecidas pela doutrina e jurisprudência como causas de exclusão da responsabilidade civil objetiva do Estado. Portanto, a afirmativa está correta.

Situação

Descrição

Conformidade com o arcabouço jurídico brasileiro

Fundamento

1

Concessionária de serviço público (transporte escolar) atropela pedestre: responde objetivamente.

✅ Correta

CF, art. 37, §6º: pessoas jurídicas prestadoras de serviços públicos respondem objetivamente por danos a terceiros.

2

Agente público municipal causa dano patrimonial a grupo de pessoas: ele é o polo ativo na ação de indenização.

❌ Incorreta

Polo ativo são as vítimas; polo passivo é o ente público (Município). O agente responde apenas em ação regressiva.

3

Culpa exclusiva do particular, caso fortuito ou força maior: responsabilidade objetiva excluída.

✅ Correta

Excludentes de nexo causal afastam a responsabilidade objetiva (risco administrativo).

Responsabilidade civil do Estado
  • 1Teoria do risco administrativo
    • Objetiva (CF, art. 37, §6º)
    • Excludentes rompem nexo causal
  • 2Excludentes
    • Culpa exclusiva do particular
    • Caso fortuito
    • Força maior
  • 3Concessionárias
    • Equiparam-se ao Estado
    • Respondem objetivamente
  • 4Ação de indenização
    • Polo passivo: pessoa jurídica
    • Agente público: ação regressiva
      • Só se dolo ou culpa
LEVEL · soulevel.com.br
NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os polos da relação processual. Na situação 2, o candidato pode pensar que o agente público é responsável direto e deve ser acionado, mas a regra é clara: a ação indenizatória é contra a pessoa jurídica; o agente responde apenas internamente (ação regressiva). Memorize: o Estado responde objetivamente perante a vítima; o agente responde subjetivamente perante o Estado.

Gabarito: letra C (situações 1 e 3).

Link permanente: /questoes/fg068974