Questão de Direito Constitucional — Direitos Individuais - Remédios Constitucionais e Garantias Processuais — FGV 2023
Direito Constitucional›Direitos Individuais - Remédios Constitucionais e Garantias Processuais
Código
fg071274
Banca
FGV
Órgão
TCE-ES
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Auditor de Controle Externo - Direito
O prefeito do Município Beta determinou que parte da arrecadação desse ente federativo com tributos de sua competência deveria ser depositada em uma conta específica, de modo a facilitar o controle dos recursos a serem utilizados no custeio de obras públicas. A conta indicada era de titularidade do prefeito municipal.A sociedade empresária Alfa, que há muitos anos celebrava contratos com o Município Beta, entendeu ser promíscua essa mistura entre o público e o privado, e teve receio de que os recursos públicos fossem desviados e os seus pagamentos futuros fossem frustrados.Embora não houvesse nenhuma prova de desvio de recursos públicos, procurou o seu advogado e o questionou sobre o cabimento da ação popular para que fosse reconhecida a injuridicidade da conduta do prefeito.O advogado respondeu, corretamente, que, na hipótese em tela, a ação popular:
Anão é cabível, considerando a inexistência de prejuízo aos cofres públicos, o que é requisito indispensável;
Bé cabível, em razão da afronta à moralidade administrativa, mas Alfa não tem legitimidade para ajuizá-la por não possuir direitos políticos;
Cé cabível, em razão da afronta à moralidade administrativa, e Alfa tem legitimidade para ajuizá-la em razão do seu manifesto interesse;
Dnão é cabível, considerando a inexistência de afronta à moralidade administrativa e de prejuízo aos cofres públicos ou aos interesses diretos de Alfa;
Eé cabível, considerando o risco evidente de prejuízo aos cofres públicos, que é sempre presumido nos atos dissonantes da juridicidade, mas Alfa não tem legitimidade para ajuizá-la por não possuir direitos políticos.
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GabaritoB — é cabível, em razão da afronta à moralidade administrativa, mas Alfa não tem legitimidade para ajuizá-la por não possuir direitos políticos;
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Ação popular: cabimento e legitimidade
Gabarito: letra B. A ação popular é cabível quando o ato administrativo ofende a moralidade administrativa, independentemente de efetivo prejuízo material aos cofres públicos (CF, art. 5º, LXXIII). Contudo, a legitimidade para propô-la é exclusiva do cidadão, ou seja, da pessoa natural no gozo de seus direitos políticos; a pessoa jurídica, como a empresa Alfa, não detém essa condição.
Na hipótese, o prefeito depositou arrecadação municipal em conta pessoal, conduta que viola a moralidade administrativa, sendo desnecessária a comprovação de desvio ou prejuízo concreto. O STF, no RE 170.768, já firmou que é dispensável a demonstração de prejuízo material para o cabimento da ação popular.
Ação popular (CF, art. 5º, LXXIII): Requisitos (Ato lesivo ao patrimônio público, Moralidade administrativa, Meio ambiente, Patrimônio histórico-cultural); Legitimidade ativa (Cidadão (pessoa natural), Gozo de direitos políticos, Pessoa jurídica (não é cidadã)); Cabimento (Lesão à moralidade basta, Prejuízo material não é indispensável)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a ação popular não é cabível por inexistência de prejuízo material. Erro: o prejuízo material não é requisito indispensável; a lesão à moralidade administrativa já autoriza o manejo da ação.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta ao apontar o cabimento pela ofensa à moralidade administrativa e ao negar a legitimidade de Alfa, que é pessoa jurídica e não possui direitos políticos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que Alfa tem legitimidade em razão de "manifesto interesse". A ação popular é privativa de cidadão (pessoa natural); o interesse econômico de uma empresa não substitui a titularidade de direitos políticos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao negar o cabimento por suposta inexistência de afronta à moralidade. A conduta do prefeito — depositar arrecadação em conta pessoal — é claramente contrária à moralidade administrativa, independentemente de prova de desvio.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Acerta ao dizer que Alfa não tem legitimidade, mas erra ao fundamentar o cabimento em "risco evidente de prejuízo sempre presumido". O cabimento da ação popular se dá pela lesão à moralidade, e não por presunção automática de prejuízo material.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato quanto à legitimidade de pessoa jurídica (que não é cidadã) e quanto à necessidade de prejuízo material. Lembre-se: o que importa é a lesão à moralidade, e o autor deve ser cidadão.
Conclusão: A única alternativa que corretamente conjuga o cabimento (moralidade) e a ilegitimidade de pessoa jurídica é a letra B.