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Questão de Estatística — Cálculo de Probabilidades — FGV 2023

EstatísticaCálculo de Probabilidades
Código
fg071329
Banca
FGV
Órgão
TCE-ES
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Auditor de Controle Externo - Estatística
Um certo tipo de componente eletrônico tem 0,2% de chance de chegar adulterado em uma fábrica.Um equipamento testa e detecta quando o componente é adulterado com probabilidade de 90% de acerto e indica a inexistência de adulteração com probabilidade de 98% de acerto.Supondo que o teste foi aplicado em um componente e que o resultado foi positivo para adulteração, a probabilidade de esse componente ser realmente adulterado é, aproximadamente, de:
  1. A0,2%;
  2. B2%;
  3. C8%;
  4. D18%;
  5. E48%.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — 8%;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Teorema de Bayes aplicado a testes diagnósticos

Gabarito: letra C. A probabilidade de o componente ser realmente adulterado dado que o teste deu positivo é de aproximadamente 8%. Isso é obtido pelo Teorema de Bayes, que combina a prevalência da adulteração (0,2%) com a sensibilidade (90%) e o complemento da especificidade (2%) do teste. A conta mostra que, apesar de o teste ser bastante preciso, a baixíssima prevalência faz com que a maioria dos resultados positivos sejam falsos positivos.

O problema é um clássico de probabilidade condicional e Teorema de Bayes. Vamos definir os eventos:

  • AA: componente adulterado.

  • T+T^+: teste indica adulteração (resultado positivo).

Do enunciado:

  • P(A)=0,2%=0,002P(A) = 0,2\% = 0,002 (prevalência).

  • P(T+A)=90%=0,9P(T^+ | A) = 90\% = 0,9 (sensibilidade: detecta adulteração quando ela existe).

  • P(TAc)=98%=0,98P(T^- | A^c) = 98\% = 0,98 (especificidade: indica inexistência quando não há adulteração).

Logo, a probabilidade de um falso positivo é:

P(T+Ac)=1P(TAc)=10,98=0,02.P(T^+ | A^c) = 1 - P(T^- | A^c) = 1 - 0,98 = 0,02.

Queremos P(AT+)P(A | T^+), a probabilidade de ser adulterado dado que o teste deu positivo. Pelo Teorema de Bayes:

P(AT+)=P(T+A)P(A)P(T+).P(A | T^+) = \frac{P(T^+ | A) \cdot P(A)}{P(T^+)}.

O denominador P(T+)P(T^+) é a probabilidade total de o teste dar positivo, calculada pela lei da probabilidade total:

P(T+)=P(T+A)P(A)+P(T+Ac)P(Ac).P(T^+) = P(T^+ | A) \cdot P(A) + P(T^+ | A^c) \cdot P(A^c).

Substituindo os valores:

P(T+)=0,9×0,002+0,02×0,998=0,0018+0,01996=0,02176.P(T^+) = 0,9 \times 0,002 + 0,02 \times 0,998 = 0,0018 + 0,01996 = 0,02176.

Agora aplicamos Bayes:

P(AT+)=0,9×0,0020,02176=0,00180,021760,08278,3%.P(A | T^+) = \frac{0,9 \times 0,002}{0,02176} = \frac{0,0018}{0,02176} \approx 0,0827 \approx 8,3\%.

Portanto, a probabilidade é de aproximadamente 8%.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a falácia da taxa base: o candidato tende a responder 90% (a sensibilidade) ou a combinar 0,2% com 90% de forma ingênua, ignorando os falsos positivos. Como a prevalência é baixíssima (0,2%), mesmo um teste com 98% de especificidade gera muitos falsos positivos — por isso o resultado é tão menor que 90%. A alternativa E (48%) é um distrator clássico para quem calcula a probabilidade sem considerar a prevalência corretamente.

Evento

Probabilidade

Valor

A (adulterado)

P(A)

0,002

A^c (não adulterado)

P(A^c)

0,998

T^+ dado A (sensibilidade)

P(T^+ | A)

0,9

T^+ dado A^c (falso positivo)

P(T^+ | A^c)

0,02

T^+ (total)

P(T^+) = 0,9×0,002 + 0,02×0,998

0,02176

A dado T^+ (Bayes)

P(A | T^+) = 0,0018 / 0,02176

≈ 0,0827 (8,3%)

Adulterado
Não adulterado
Teste negativo
Verdadeiro positivo (90%)
Falso positivo (2%)
Teste positivo
Falso negativo (10%)
Verdadeiro negativo (98%)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

0,2% é a prevalência da adulteração na população, ou seja, P(A)P(A). A questão pede a probabilidade dado que o teste deu positivo, que é uma probabilidade condicional — não pode ser simplesmente a prevalência. O teste positivo aumenta a chance, mas não para 90%.

Alternativa B — ❌ Incorreta

2% é a probabilidade de falso positivo (P(T+Ac)=10,98=0,02P(T^+ | A^c) = 1 - 0,98 = 0,02). É um valor que aparece no cálculo, mas não é a resposta. Confunde a probabilidade de o teste dar positivo em um componente não adulterado com a probabilidade de o componente ser adulterado dado o positivo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como calculado, P(AT+)8,3%P(A | T^+) \approx 8,3\%, aproximadamente 8%. O Teorema de Bayes combina a sensibilidade (90%), a especificidade (98%) e a prevalência (0,2%) para corrigir a probabilidade a posteriori.

Alternativa D — ❌ Incorreta

18% não corresponde a nenhuma combinação direta dos dados. Pode ser um distrator para quem tenta calcular algo como 0,9×0,2=0,180,9 \times 0,2 = 0,18 (multiplicando sensibilidade por prevalência em percentuais), mas isso não tem significado probabilístico aqui.

Alternativa E — ❌ Incorreta

48% é um valor que surge se o candidato ignora a prevalência e calcula algo como 0,90,9+0,98\frac{0,9}{0,9 + 0,98} ou similar, tratando sensibilidade e especificidade como se fossem diretamente comparáveis. É a armadilha clássica de quem não aplica Bayes corretamente.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de teste diagnóstico, sempre monte a tabela 2×2 com os valores absolutos para uma população hipotética (ex.: 100.000 componentes). Isso evita erros de interpretação e facilita o cálculo de P(AT+)P(A | T^+) diretamente. Por exemplo, em 100.000 componentes, 200 são adulterados (0,2%); desses, 180 dão positivo (90%). Dos 99.800 não adulterados, 1.996 dão positivo (2%). Total de positivos = 180 + 1.996 = 2.176; a probabilidade de ser adulterado dado positivo = 180 / 2.176 ≈ 8,3%.

Gabarito: letra C.

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