Suponha uma economia aberta com plena mobilidade de capitais e válida a relação de paridade das taxas de juros. Considere também que os preços são rígidos no curto prazo e que o PIB real permaneça constante ao longo de todo o processo de análise.A partir de uma condição inicial de equilíbrio de longo prazo, o aumento permanente na oferta de moeda no país doméstico provoca:
Ao aumento na taxa de juros interna e uma apreciação da taxa de câmbio nominal no curto prazo;
Bo fenômeno da ultrapassagem (overshooting) da taxa de câmbio nominal no curto prazo;
Co aumento na taxa de juros interna e uma apreciação da taxa de câmbio nominal no curto e longo prazo;
Da alteração da taxa de câmbio nominal, mas o nível de preços permanece constante;
Eo retorno da taxa de câmbio nominal ao ponto de equilíbrio inicial no longo prazo, após a depreciação inicial no curto prazo.
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GabaritoB — o fenômeno da ultrapassagem (overshooting) da taxa de câmbio nominal no curto prazo;
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Overshooting da taxa de câmbio
Gabarito: Alternativa B. O aumento permanente da oferta de moeda, em uma economia aberta com perfeita mobilidade de capitais, preços rígidos no curto prazo e PIB real constante, gera o fenômeno do overshooting (ultrapassagem) da taxa de câmbio nominal: no curto prazo, ela se deprecia mais do que o novo equilíbrio de longo prazo, para depois se apreciar gradualmente até o nível consistente com a nova oferta monetária (modelo de Dornbusch, 1976).
A questão parte do modelo Mundell-Fleming com preços rígidos e paridade descoberta de juros. Um choque monetário expansionista reduz a taxa de juros doméstica no curto prazo, provocando saída de capitais e depreciação cambial. Como os preços não se ajustam instantaneamente, a depreciação de curto prazo é maior que a de longo prazo (quando os preços sobem proporcionalmente). Esse excesso de depreciação é o overshooting.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a taxa de juros interna aumenta e a taxa de câmbio sofre apreciação no curto prazo. Na verdade, a expansão monetária reduz a taxa de juros (queda da taxa básica) e provoca depreciação cambial, não apreciação. A alternativa inverte ambos os efeitos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve exatamente o overshooting: a taxa de câmbio nominal ultrapassa o valor de longo prazo no curto prazo, depreciando-se exageradamente. É a resposta clássica do modelo de Dornbusch para preços rígidos e perfeita mobilidade de capital.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Repete o erro da alternativa A (juros aumentam e câmbio aprecia), estendendo-o também ao longo prazo. No longo prazo, com preços flexíveis, a moeda se deprecia na mesma proporção do aumento da oferta monetária, e os juros retornam ao nível internacional (paridade). Não há apreciação em nenhum horizonte.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diz que o nível de preços permanece constante. Embora isso seja verdade no curtíssimo prazo (preços rígidos), a questão afirma que o aumento da oferta de moeda é permanente. No longo prazo, os preços sobem proporcionalmente, restaurando o equilíbrio real. A alternativa ignora o ajuste de preços de longo prazo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a taxa de câmbio retorna ao ponto de equilíbrio inicial no longo prazo. Isso só ocorreria se o aumento da oferta monetária fosse temporário. Como é permanente, o novo equilíbrio de longo prazo apresenta um nível de preços mais alto e, por conseguinte, uma taxa de câmbio nominal mais depreciada (E* > E0). O retorno ao valor inicial não acontece.
PEGA ESSA DICA!
Decore o efeito de um aumento permanente da moeda no modelo Mundell-Fleming com preços rígidos: curto prazo → depreciação exagerada (overshooting); longo prazo → depreciação proporcional ao aumento da moeda. Jamais confunda com apreciação ou retorno ao valor inicial.