Questão de Direito Administrativo — Poderes da Administração — FGV 2024
Direito Administrativo›Poderes da Administração
Código
fg084123
Banca
FGV
Órgão
ENAM
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
1º Exame Nacional da Magistratura
Um determinado Município instituiu empresa pública, em regime não concorrencial, mediante autorização legislativa, para exercer poder de polícia de trânsito, inclusive quanto à aplicação de multas.De acordo com a jurisprudência do STF a respeito do poder de polícia administrativa, assinale a afirmativa correta.
AA lei autorizadora é compatível com a ordem constitucional vigente, embora não seja possível a extensão dos privilégios da Fazenda Pública à empresa pública criada, tal como a concessão de imunidade tributária recíproca.
BA lei autorizadora não é compatível com a ordem constitucional vigente, pois há absoluta incompatibilidade entre o regime celetista existente nas estatais prestadoras de serviço público em regime de monopólio e o exercício de atividade de polícia administrativa pelos seus empregados.
CA lei autorizadora é compatível com a ordem constitucional vigente, com exceção da possibilidade de aplicação de sanção, que não pode ser delegada à empresa pública que atua em regime de Direito Privado.
DA lei autorizadora é compatível com a ordem constitucional vigente, que admite a delegação do poder de polícia administrativa a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta e prestadoras de serviço público, em regime não concorrencial.
EA lei autorizadora não é compatível com a ordem constitucional vigente, uma vez que as estatais prestadoras de serviço público de atuação própria do Estado não podem fazer uso do atributo da coercibilidade inerente ao exercício do poder de polícia, mesmo que atuem em regime não concorrencial.
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GabaritoD — A lei autorizadora é compatível com a ordem constitucional vigente, que admite a delegação do poder de polícia administrativa a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta e prestadoras de serviço público, em regime não concorrencial.
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Delegação do poder de polícia a empresas estatais
Gabarito: letra D. A lei municipal que cria empresa pública para exercer poder de polícia de trânsito, inclusive aplicação de multas, é constitucional, conforme a tese fixada pelo STF no Tema 532 de Repercussão Geral. O STF decidiu que é constitucional a delegação do poder de polícia, por meio de lei, a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta de capital social majoritariamente público que prestem exclusivamente serviço público de atuação própria do Estado e em regime não concorrencial. Essa delegação abrange as fases de consentimento, fiscalização e aplicação de sanções.
JURISPRUDÊNCIA
STF Tema 532
STF Tema 532 (Repercussão Geral): É constitucional a delegação do poder de polícia, por meio de lei, a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta de capital social majoritariamente público que prestem exclusivamente serviço público de atuação própria do Estado e em regime não concorrencial.
Análise das alternativas
Aspecto
Alternativa A
Alternativa B
Alternativa C
Alternativa D (Gabarito)
Alternativa E
Compatibilidade da lei com a Constituição
Compatível
Incompatível
Compatível (com exceção)
Compatível
Incompatível
Fundamento principal
Lei é compatível, mas nega privilégios fiscais (imunidade)
Incompatibilidade absoluta entre regime celetista e poder de polícia
Aplicação de sanção não pode ser delegada a empresa de direito privado
Delegação é plenamente constitucional, abrangendo todas as fases do poder de polícia
Estatais não podem usar a coercibilidade do poder de polícia
Posição do STF (Tema 532)
Contraria (insere restrição não prevista)
Contraria (autoriza a delegação)
Contraria (autoriza a delegação, inclusive sanções)
Correta (reproduz a tese do STF)
Contraria (autoriza a delegação com coercibilidade)
Conclusão
❌ Incorreta
❌ Incorreta
❌ Incorreta
✅ Correta
❌ Incorreta
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a lei é compatível, mas nega a extensão de privilégios como imunidade tributária recíproca. Embora a compatibilidade seja verdadeira, a parte sobre a impossibilidade de imunidade não está em debate e não invalida a delegação. Além disso, o STF, no Tema 532, não condicionou a constitucionalidade a essa limitação. A alternativa é incorreta porque, ao inserir essa ressalva, desvia do núcleo da questão, que é a possibilidade de delegação. O correto é que a delegação é plenamente compatível, sem as restrições adicionais mencionadas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sustenta que a lei não é compatível por haver incompatibilidade absoluta entre o regime celetista das estatais e o exercício do poder de polícia. Isso contraria diretamente o Tema 532, que autoriza a delegação a pessoas jurídicas de direito privado (como as empresas públicas), desde que preenchidos os requisitos (capital majoritariamente público, serviço público exclusivo e regime não concorrencial). O regime de pessoal (celetista) não impede o exercício de poder de polícia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que a lei é compatível, exceto quanto à aplicação de sanções, que não poderia ser delegada. Esse era o entendimento anterior, mas o STF, no Tema 532, expressamente incluiu a aplicação de sanções como fase delegável. Portanto, ao excluir a sanção, a alternativa está incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
Antes do Tema 532, entendia-se que apenas as fases de consentimento e fiscalização podiam ser delegadas a entidades privadas. O STF, porém, avançou e admitiu também a aplicação de sanções, desde que preenchidos os requisitos (capital majoritariamente público, serviço público exclusivo e regime não concorrencial). Não caia na tentação de achar que a sanção é indelegável!
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reproduz fielmente a tese do STF: é compatível a delegação do poder de polícia a pessoas jurídicas de direito privado da administração indireta, prestadoras de serviço público em regime não concorrencial. A alternativa não impõe restrições indevidas e abrange todas as fases do poder de polícia (consentimento, fiscalização e sanção).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que as estatais não podem usar a coercibilidade inerente ao poder de polícia. Tal afirmação contraria o Tema 532, que justamente autoriza a delegação inclusive da aplicação de sanções, que envolve coercibilidade. O STF entende que, se a lei autoriza a criação da estatal para prestar serviço público típico de Estado, autoriza também os meios necessários, incluindo o poder de polícia.
MNEMÔNICO
DHRPD
DDisciplinarHHierárquicoRRegulamentarPPoder de PolíciaDDiscricionário
Direito Administrativo — Poderes Administrativos
Gabarito: letra D — única que está em conformidade com a jurisprudência atual do STF sobre o tema.