Questão de Estatística — Inferência estatística — FGV 2024
Estatística›Inferência estatística
Código
fg085223
Banca
FGV
Órgão
EPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista de Pesquisa Energética (Recursos Energéticos)
Uma concessionária, que presta serviço na área de energia renovável, afirma que 90% dos seus clientes estão satisfeitos com seu serviço.Um analista curioso resolve fazer um teste de hipótese para verificar se a afirmação da concessionária é verdadeira. Para tanto, selecionou uma amostra de 25 clientes, dos quais verificou que 20 estão satisfeitos com os serviços prestados pela concessionária.Considerando que o analista aplicou um teste bilateral com um nível de significância de 5%, onde Zα/2 = 1,96, assinale a opção que indica a conclusão do teste de hipótese aplicado pelo analista.
ANão se pode rejeitar a hipótese nula, ou seja, não se pode contradizer a afirmação concessionária.
BRejeita-se a hipótese nula, ou seja, não se pode contradizer a afirmação concessionária.
CNão se pode rejeitar a hipótese nula, ou seja, pode-se contradizer a afirmação concessionária.
DRejeita-se a hipótese nula, ou seja, pode-se contradizer a afirmação concessionária.
EO teste é inconclusivo.
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GabaritoA — Não se pode rejeitar a hipótese nula, ou seja, não se pode contradizer a afirmação concessionária.
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Teste de hipóteses para proporção: decisão pelo Z-teste
Gabarito: letra A. O Z-teste calculado é , cujo módulo (1,67) é menor que o valor crítico bilateral ; logo, não se rejeita e não se pode contradizer a afirmação da concessionária. A alternativa A é a única que combina corretamente a decisão estatística com a interpretação prática.
O teste de hipóteses é o procedimento formal para decidir se uma afirmação sobre um parâmetro populacional (aqui, a proporção de clientes satisfeitos) é sustentada pela evidência amostral. A hipótese nula () é a afirmação que se assume verdadeira até prova em contrário — no caso, . A hipótese alternativa () é o que se quer verificar; como o teste é bilateral, . O nível de significância de 5% define a região de rejeição: valores da estatística de teste além de (na normal padrão) indicam que a amostra é improvável sob , levando à rejeição.
A estatística de teste para proporção, quando é razoavelmente grande e não é extremo, segue aproximadamente a distribuição normal padrão sob :
Substituindo os valores do enunciado: , , :
Atenção: o cálculo correto resulta em , não (que seria o valor se usássemos no denominador, erro comum). Como , a estatística cai na região de aceitação — não há evidência suficiente para rejeitar .
A pegadinha central desta questão está na interpretação da conclusão: rejeitar significa que há evidência estatística para contradizer a afirmação; não rejeitar significa que não há evidência para contradizê-la. As alternativas B e D trocam exatamente essa relação, e as alternativas C e E apresentam conclusões logicamente inconsistentes.
Caso
Estatística de teste (Z)
Comparação com Z crítico (1,96)
Decisão sobre H₀
Interpretação prática
Cálculo correto (p₀ no denominador)
Z ≈ -1,05
|Z| = 1,05 < 1,96
Não se rejeita H₀
Não se pode contradizer a afirmação
Cálculo com erro comum (p̂ no denominador)
Z ≈ -1,67
|Z| = 1,67 < 1,96
Não se rejeita H₀
Não se pode contradizer a afirmação
Critério de rejeição (hipotético)
|Z| > 1,96
|Z| > 1,96
Rejeita-se H₀
Pode-se contradizer a afirmação
|Z| < 1,96
|Z| > 1,96
Não rejeita H0
Inconsistente
Contradiz a afirmação
Rejeita H0
Não contradiz a afirmação
Inconsistente
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A estatística de teste calculada () é menor que o valor crítico . Portanto, a hipótese nula não é rejeitada. A consequência prática é que não se pode contradizer a afirmação da concessionária — a amostra não traz evidência suficiente para duvidar dos 90%. A alternativa espelha exatamente essa dupla conclusão: decisão estatística (não rejeitar) e interpretação (não contradizer).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que se rejeita a hipótese nula, o que contraria o cálculo (). Além disso, a consequência "não se pode contradizer" é incompatível com a rejeição: se houvesse rejeição, haveria evidência para contradizer. A alternativa mistura a decisão errada com a interpretação da alternativa correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A primeira parte está correta (não se rejeita ), mas a consequência "pode-se contradizer" é o oposto do que a não rejeição significa. Não rejeitar implica ausência de evidência contrária — logo, não se pode contradizer a afirmação. A banca inverte a relação entre decisão e interpretação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra tanto na decisão (rejeitar , quando o correto é não rejeitar) quanto na consequência (contradizer, quando não há evidência para isso). É a combinação duplamente incorreta, que confunde o candidato que calcula errado a estatística ou inverte o critério de decisão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O teste não é inconclusivo: a estatística calculada () é claramente menor que o valor crítico, permitindo uma decisão objetiva (não rejeitar ). A alternativa seria plausível se houvesse empate ou falta de informação, o que não ocorre aqui.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre decisão estatística e interpretação prática. Muitos candidatos, ao verem distante de , intuem que a hipótese deve ser rejeitada — mas o teste considera a variabilidade amostral: com , a diferença de 10 pontos percentuais não é estatisticamente significativa. Outra armadilha é usar no denominador da estatística, o que daria e ainda assim não rejeitaria (pois ), mas o cálculo correto usa . Fique atento: a fórmula do teste de proporção usa o valor da hipótese nula no erro padrão.
PEGA ESSA DICA!
Para resolver testes de hipóteses de proporção, siga o roteiro: (1) identifique e (bilateral se o enunciado falar em "verificar se a afirmação é verdadeira"); (2) calcule ; (3) aplique a fórmula com no denominador; (4) compare com o valor crítico fornecido. Se , não rejeite ; se , rejeite. E lembre: não rejeitar ≠ provar que é verdadeira — apenas indica que não há evidência suficiente contra ela.