Questão de Direito Processual Penal — Da Prisão Temporária — FGV 2024
- Código
- fg087130
- Banca
- FGV
- Órgão
- PC-SC
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Delegado
- AI e II, apenas.
- BII e III, apenas.
- CII, apenas.
- DIII, apenas.
- EI, apenas.
GabaritoE — I, apenas.
Gabarito: E (apenas a afirmativa I está correta). A prisão temporária foi decretada para crime de furto qualificado pelo emprego de explosivo (art. 155, §4º-A, CP), que não está incluído no rol do art. 1º, III, da Lei 7.960/89, nem na lista de crimes hediondos da Lei 8.072/90. Logo, a prisão temporária desde a origem é ilegal por falta de previsão legal. A afirmativa I é correta ao determinar que, expirado o prazo do mandado, a autoridade deve libertar o preso (art. 2º, §7º, Lei 7.960/89). A afirmativa II é falsa porque o erro não está no prazo (5+5 dias), mas na impossibilidade da prisão temporária para esse crime. A afirmativa III é falsa, pois a prorrogação depende de autorização judicial.
Afirmativa | Conteúdo | Análise | Fundamento Legal |
|---|---|---|---|
I | Decorrido o prazo do mandado, a autoridade responsável pela custódia deve libertar o preso independentemente de nova ordem judicial, salvo se comunicada de prorrogação ou decretação de preventiva. | ✅ Correta | Art. 2º, §7º, Lei 7.960/89 |
II | A prisão é ilegal porque o prazo máximo seria de 5+5 dias. | ❌ Incorreta | A ilegalidade é anterior: o crime (art. 155, §4º-A, CP) não está no rol do art. 1º, III, Lei 7.960/89, nem é hediondo (Lei 8.072/90), tornando a prisão temporária incabível desde a origem. |
III | O delegado pode manter o preso por iniciativa própria, sem autorização judicial, com base na gravidade do crime. | ❌ Incorreta | A prorrogação depende de representação/requerimento e decisão judicial fundamentada (art. 2º, caput, Lei 7.960/89). |
De acordo com o art. 2º, §7º, da Lei 7.960/89 (redação da Lei 13.869/2019):
Lei 7.960/89: Art. 2º – … §7º – Decorrido o prazo contido no mandado de prisão, a autoridade responsável pela custódia deverá, independentemente de nova ordem da autoridade judicial, pôr imediatamente o preso em liberdade, salvo se já tiver sido comunicada da prorrogação da prisão temporária ou da decretação da prisão preventiva.
No caso narrado, não houve comunicação de prorrogação ou decretação de preventiva, portanto a libertação era obrigatória. Afirmativa correta.
A afirmativa sustenta que a prisão é ilegal porque o prazo máximo seria de 5+5 dias. Contudo, a ilegalidade é mais grave: o crime de furto qualificado com explosivo (art. 155, §4º-A, CP) não está no rol do art. 1º, III, da Lei 7.960/89, que lista os crimes para os quais a prisão temporária é cabível. Tampouco é crime hediondo pela Lei 8.072/90 (o rol do art. 1º não o inclui). Logo, a prisão temporária sequer poderia ter sido decretada, independentemente do prazo. A justificativa apresentada (prazo máximo) é, portanto, inadequada, tornando a afirmativa falsa.
A prorrogação da prisão temporária depende de representação da autoridade policial ou requerimento do Ministério Público e de decisão judicial fundamentada (art. 2º, caput, Lei 7.960/89). O delegado não pode, por iniciativa própria e com base em "perigo abstrato", manter o preso após o prazo. A conduta descrita configura abuso de autoridade (art. 9º, IV, Lei 13.869/2019). Afirmativa falsa.
Conclusão: Apenas a afirmativa I está correta. Gabarito: letra E (I, apenas).
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