Questão de Direito Administrativo — Poderes da Administração — FGV 2024
Direito Administrativo›Poderes da Administração
Código
fg091323
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Niterói - RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Auditor Municipal de Controle Interno - Direito
O Estado Ômega, atendendo à prioridade absoluta das crianças e adolescentes, editou lei instituindo a Política Estadual de Prevenção, Enfrentamento das Violências, Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.Em tal lei constou norma dispondo que “O Chefe do Poder Executivo regulamentará a matéria no âmbito da Administração Pública Estadual no prazo de 90 dias.”Sobre a norma destacada, em tema de poder administrativo normativo e de acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a afirmativa correta.
AÉ objeto de interpretação conforme a Constituição e pode ser compelido a desempenhar atividades normativas que lhe são inerentes, mas é necessária prévia declaração de mora pelo Tribunal de Contas.
BÉ constitucional, pois replica em nível estadual o mesmo tratamento conferido pela legislação federal, que faculta ao Legislador estabelecer prazo de noventa dias para exercício do poder-dever regulamentar.
CÉ inconstitucional, pois o chefe do Poder Executivo somente pode ser compelido a desempenhar atividades normativas que lhe são inerentes, após ser declarada sua mora pelos Poderes Legislativo ou Judiciário.
DÉ inconstitucional, pois compete ao chefe do Poder Executivo examinar a conveniência e a oportunidade para desempenho das atividades normativas que lhe são inerentes, devendo ser observada a separação dos poderes.
EÉ objeto de interpretação conforme a Constituição, pois o chefe do Poder Executivo pode ser compelido a desempenhar atividades normativas que lhe são inerentes, mas deve ser observado o prazo de um ano para edição do ato.
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GabaritoD — É inconstitucional, pois compete ao chefe do Poder Executivo examinar a conveniência e a oportunidade para desempenho das atividades normativas que lhe são inerentes, devendo ser observada a separação dos poderes.
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Poder Regulamentar e Separação dos Poderes (STF)
Gabarito: letra D — a norma que impõe prazo de 90 dias ao Chefe do Executivo para regulamentar lei é inconstitucional, por violar a separação dos poderes (art. 2º da CF/88). O poder regulamentar é exercido com discricionariedade quanto à conveniência e oportunidade; o Legislativo não pode fixar prazo, sob pena de interferir indevidamente em atribuição do Executivo. Esse entendimento é pacífico no STF (ADIs 2088, 2446, 2447).
A questão exige conhecimento da jurisprudência do STF sobre os limites do poder regulamentar do Chefe do Executivo. O ato de regulamentar é privativo e discricionário; a lei pode determinar que a matéria seja regulamentada, mas não estabelecer prazo para tanto.
Poder regulamentar (Chefe do Executivo): Natureza (Privativo, Discricionário); Limites (Conveniência e oportunidade, Legislativo não pode fixar prazo); Controle (Judicial (mandado de injunção), Não cabe interpretação conforme, Não depende de mora do TC); Fundamento (Separação dos Poderes (art. 2º CF))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que cabe interpretação conforme para compelir o Executivo, com prévia declaração de mora pelo Tribunal de Contas. Erro: o STF não admite interpretação conforme para salvar o prazo fixado; a inconstitucionalidade é insanável. Além disso, a mora não é declarada pelo TCU, mas o controle judicial pode ser exercido via mandado de injunção se houver omissão total, mas não com prazo fixado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sustenta que a norma é constitucional por replicar tratamento federal que "faculta" ao Legislador estabelecer prazo. Erro: não há tal faculdade na legislação federal; o poder regulamentar é discricionário e não admite imposição de prazo. A alegação de replicação é infundada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a inconstitucionalidade decorre da necessidade de declaração de mora pelos Poderes Legislativo ou Judiciário. Erro: a inconstitucionalidade é direta, por violação da separação dos poderes, independentemente de prévia declaração de mora. Além disso, o Legislativo não declara mora do Executivo nesse contexto.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A norma é inconstitucional porque o Chefe do Executivo tem competência para avaliar a conveniência e oportunidade de editar atos normativos que lhe são inerentes. Impor prazo fere a separação dos poderes, consagrada no art. 2º da CF. Essa é a posição do STF.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Propõe interpretação conforme com prazo de um ano. Erro: a fixação de qualquer prazo é inconstitucional, seja de 90 dias, um ano ou outro. O Executivo não pode ser compelido a editar o ato em prazo determinado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca testa se o candidato confunde o "poder-dever" de regulamentar (discricionário) com a possibilidade de o Legislativo impor prazos. A alternativa B tenta enganar ao sugerir que a legislação federal facultaria isso. Lembre-se: o regulamento é ato secundário e depende de juízo de oportunidade do Executivo.
MNEMÔNICO
DHRPD
DDisciplinarHHierárquicoRRegulamentarPPoder de PolíciaDDiscricionário