Questão de Auditoria Governamental — Processo de Auditoria — FGV 2025
Auditoria Governamental›Processo de Auditoria
Código
fg106326
Banca
FGV
Órgão
CGE-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor Estadual de Controle - Auditoria - tarde
Leia o fragmento a seguir.A Faixa Azul, uma sinalização que cria um espaço preferencial para motocicletas em vias da cidade de São Paulo, demonstrou um impacto significativo na segurança viária. Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) revelam uma redução de 47,2% no número de mortes de motociclistas, caindo de 36, em 2023, para 19, em 2024.https://prefeitura.sp.gov.br/web/pinheiros/w/faixa-azul-em-s%C3%A3o-pauloredu%C3%A7%C3%A3o-de-47-nas-mortes-de-motociclistas. Acesso em: 18 out. 2025.A partir desse tipo de evidência (comparação antes–depois no mesmo conjunto de vias), assinale a opção que expressa a conclusão metodologicamente correta.
AA comparação antes–depois é suficiente para afirmar que a Faixa Azul causou a redução observada.
BAjustar sazonalidade no mesmo local já substitui a necessidade de grupo de comparação.
CA proximidade temporal entre a implantação e a queda garante causalidade.
DA evidência é correlacional; sem um contrafactual adequado não se pode inferir causalidade.
EA magnitude do percentual (47,2%) dispensa contrafactual e comprova causalidade.
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GabaritoD — A evidência é correlacional; sem um contrafactual adequado não se pode inferir causalidade.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Evidência e Causalidade em Auditoria de Programas
Gabarito: letra D. A simples comparação antes-depois (como a apresentada sobre a Faixa Azul) estabelece apenas correlação, não causalidade. Para inferir que a política causou a redução observada, é necessário um contrafactual adequado — isto é, o que teria ocorrido na ausência da intervenção (grupo de controle ou método quase-experimental). As alternativas A, B, C e E cometem o erro de superinterpretar a evidência correlacional.
A banca testa o entendimento de que, em metodologia de auditoria e avaliação de impacto, a evidência deve ser suficiente e apropriada para suportar conclusões causais, o que exige descartar fatores de confusão (como sazonalidade, tendências, outros eventos).
1Evidência antes-depois
2Correlação apenas
3[-] Sem contrafactual
4[-] Não prova causalidade
5[+] Contrafactual adequado
6[+] Grupo de controle
7[+] Inferência causal
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a comparação antes–depois é suficiente para afirmar causalidade. Ignora que, sem um grupo de comparação, não é possível isolar o efeito da intervenção de outros fatores que podem ter influenciado o resultado (ex.: mudanças econômicas, outras políticas de segurança).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que ajustar sazonalidade substitui a necessidade de grupo de comparação. A sazonalidade é apenas um fator de confusão possível; ainda assim, não cria um contrafactual para o que teria ocorrido sem a intervenção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A proximidade temporal não garante causalidade. Muitos eventos ocorrem próximos no tempo sem relação causal (correlação espúria). A causalidade exige métodos que controlem outras variáveis.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reconhece que a evidência é correlacional e que, sem um contrafactual adequado, não se pode inferir causalidade. Essa é a posição metodologicamente correta — a auditoria deve buscar evidências mais robustas (como desenho quase-experimental ou controle de variáveis de confusão).
Alternativa E — ❌ Incorreta
A magnitude do percentual (47,2%) não substitui a necessidade de contrafactual. Mesmo uma redução grande pode ser explicada por fatores externos ou regressão à média.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão intuitiva entre correlação e causalidade. O aluno pode ser tentado a acreditar que uma queda expressiva após a implementação prova a eficácia, mas em metodologia científica isso não é suficiente. Lembre-se: correlação não é causalidade. Para inferir causalidade, o padrão-ouro é um experimento controlado ou, na impossibilidade, um contrafactual claro.