Questão de Auditoria Governamental — Processo de Auditoria — FGV 2025
Auditoria Governamental›Processo de Auditoria
Código
fg106378
Banca
FGV
Órgão
CGE-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor Estadual de Controle - Contabilidade Pública e Finanças - tarde
O município lançou o programa Fila Zero Digital, que introduziu agendamento por aplicativo para consultas de atenção básica de saúde.Perguntas da avaliação:P1. O aplicativo reduziu o tempo médio de espera para a primeira consulta?P2. Por que parte dos usuários não utiliza o aplicativo, mesmo tendo acesso ao celular?Assinale a alternativa que apresenta, nesta ordem (P1; P2), a abordagem principal mais adequada para responder a cada pergunta.
AAplicar questionário para avaliar a satisfação dos usuários com o aplicativo; formulário aberto nas redes sociais do município.
BUso de diferenças-em-diferenças (DiD) entre unidades com e sem o aplicativo (verificando tendências prévias); grupos focais/entrevistas para explorar barreiras de uso.
CPesquisa de satisfação online; regressão com efeitos fixos sem grupo de comparação.
DComparar, no mesmo período, o tempo médio de espera em unidades com aplicativo e unidades sem aplicativo; auditoria de prontuários.
EAvaliação comparando o antes e o depois nas unidades com o aplicativo; entrevistas semiestruturadas com usuários e profissionais.
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GabaritoB — Uso de diferenças-em-diferenças (DiD) entre unidades com e sem o aplicativo (verificando tendências prévias); grupos focais/entrevistas para explorar barreiras de uso.
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Avaliação de impacto do programa Fila Zero Digital
Gabarito: letra B. Para responder se o aplicativo reduziu o tempo médio de espera (P1), o método mais adequado é o de diferenças-em-diferenças (DiD) com grupo de controle e verificação de tendências prévias, pois permite isolar o efeito causal da intervenção. Para investigar por que parte dos usuários não utiliza o aplicativo (P2), métodos qualitativos como grupos focais e entrevistas são os mais indicados para explorar barreiras de uso em profundidade. A alternativa B combina exatamente essas abordagens.
A banca testa o conhecimento sobre métodos de avaliação de políticas públicas, especialmente a diferença entre desenhos quase-experimentais e comparativos simples, além da adequação de métodos quantitativos e qualitativos para diferentes tipos de perguntas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Aplicação de questionário de satisfação (P1) não mede diretamente redução do tempo de espera, apenas a percepção do usuário, que pode ser influenciada por outros fatores. Formulário aberto em redes sociais (P2) é pouco estruturado e pode gerar respostas superficiais, não permitindo explorar adequadamente as barreiras de uso.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
P1: Diferenças-em-diferenças (DiD) compara a evolução do tempo de espera entre unidades que adotaram o aplicativo (tratadas) e unidades que não adotaram (controle), controlando por tendências pré-existentes. Esse método é robusto para inferir causalidade quando a alocação não é aleatória. P2: Grupos focais e entrevistas são técnicas qualitativas que permitem explorar em profundidade as razões da não utilização, captando nuances e contextos que questionários fechados não alcançariam.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Pesquisa de satisfação online (P1) não fornece evidência causal sobre redução de espera. Regressão com efeitos fixos sem grupo de comparação (apenas unidades com aplicativo) não permite isolar o efeito do programa, pois não há contrafactual; mudanças no tempo podem ser devidas a outros fatores.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Comparar no mesmo período unidades com e sem aplicativo (P1) é uma comparação transversal simples que não controla por diferenças pré-existentes entre as unidades (ex.: unidades maiores podem ter maior adesão e já ter menor espera). Auditoria de prontuários (P2) não responde ao “por que” da não utilização; apenas fornece dados sobre uso, não sobre motivações.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Comparação antes e depois apenas nas unidades com aplicativo (P1) é um desenho frágil, pois qualquer outra mudança ocorrida no período (ex.: contratação de mais médicos) pode confundir o efeito. Embora entrevistas semiestruturadas (P2) sejam adequadas, a combinação como um todo é inferior à alternativa B, que usa método mais rigoroso para P1.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de considerar suficiente uma simples comparação antes/depois ou com/sem grupo, sem atentar para a necessidade de controlar fatores de confusão. O método de diferenças-em-diferenças é o padrão-ouro em avaliações de impacto quando a randomização não é possível.