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Questão de Estatística — Inferência estatística — FGV 2025

EstatísticaInferência estatística
Código
fg106499
Banca
FGV
Órgão
CGE-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor Estadual de Controle - Obras e Concessões - tarde
Programa/política avaliada: Faixa Azul – sinalização preferencial para motociclistas em vias da cidade de São Paulo, com o objetivo de reduzir sinistros e mortes.Os pesquisadores avaliaram o impacto da ação sobre os sinistros de trânsito na cidade utilizando métodos de inferência causal… A análise aplica modelos de Diferença-em-Diferenças específicos de adoção escalonada para estimar os efeitos da intervenção. Em todas as especificações, os impactos estimados foram pequenos e estatisticamente indistintos de zero. Se houve efeito, ele foi pequeno a ponto de não ser detectado.LOUREIRO, Michele. Estudo não encontra relação direta entre Faixa Azul e redução de sinistros em São Paulo. Centro de Estudos das Cidades – Insper, São Paulo, 29 set. 2025.À luz do método empregado para a avaliação do programa e dos resultados reportados para sinistros/óbitos de motociclistas, assinale a opção que apresenta a conclusão metodologicamente correta.
  1. AO estudo comprova que a Faixa Azul é ineficaz em qualquer contexto e deve ser descontinuada.
  2. BNão há evidência estatisticamente significativa do efeito causal da Faixa Azul na redução de sinistros de motociclistas no período/local analisados.
  3. CA queda anual nos mesmos trechos já comprova causalidade.
  4. DUma pesquisa de satisfação com motociclistas seria suficiente para comprovar a efetividade da Faixa Azul.
  5. EAjustar sazonalidade no mesmo local é suficiente para inferir causalidade, tornando desnecessário qualquer contrafactual.
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GabaritoB — Não há evidência estatisticamente significativa do efeito causal da Faixa Azul na redução de sinistros de motociclistas no período/local analisados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência causal e Diferença-em-Diferenças: interpretação de resultados não significativos

Gabarito: letra B. Quando um estudo de avaliação de impacto, como o da Faixa Azul, reporta efeitos estimados "pequenos e estatisticamente indistintos de zero", a conclusão metodologicamente correta é que não há evidência estatisticamente significativa de efeito causal no período e local analisados — e não que o programa seja comprovadamente ineficaz. Essa é a distinção central entre "ausência de evidência" e "evidência de ausência", que a alternativa B captura com precisão.

O método de Diferença-em-Diferenças (DiD) é uma técnica de inferência causal usada para estimar o efeito de uma intervenção comparando a mudança ao longo do tempo em um grupo tratado com a mudança em um grupo de controle (contrafactual). A lógica é que, na ausência do tratamento, ambos os grupos teriam seguido a mesma trajetória (suposição de tendências paralelas). Quando os resultados são estatisticamente indistintos de zero, isso significa que o intervalo de confiança do efeito estimado inclui o zero — ou seja, não se pode rejeitar a hipótese de que o efeito seja nulo. Isso não prova que o efeito é zero; apenas indica que os dados não fornecem evidência forte de um efeito diferente de zero. Pode haver um efeito pequeno que o estudo não teve poder estatístico para detectar, como o próprio texto reconhece: "Se houve efeito, ele foi pequeno a ponto de não ser detectado."

A alternativa B é a única que reflete corretamente essa interpretação, limitando a conclusão ao período e local analisados e usando a linguagem adequada de "não há evidência estatisticamente significativa". As demais alternativas cometem erros metodológicos graves: afirmam comprovação de ineficácia, confundem correlação com causalidade, ou propõem métodos inadequados para inferência causal.

Evidência de efeitoEfeito real0pequeno0LEVELsoulevel.com.br
Resultados de avaliação de impacto — só Evidência de efeito: 0; só Efeito real: pequeno; Evidência de efeito∩Efeito real: 0

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o estudo comprova que a Faixa Azul é ineficaz "em qualquer contexto" e deve ser descontinuada. Isso é um erro duplo: (1) resultados não significativos não comprovam ausência de efeito — apenas indicam que não foi detectado efeito estatisticamente significativo; (2) a conclusão é limitada ao período e local analisados, não podendo ser generalizada para "qualquer contexto". A alternativa confunde "não rejeitar a hipótese nula" com "aceitar a hipótese nula", o que é uma falácia lógica em testes de hipóteses.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conclusão metodologicamente correta. O estudo usou DiD com adoção escalonada e encontrou efeitos pequenos e estatisticamente indistintos de zero. Isso significa que não há evidência estatisticamente significativa de que a Faixa Azul tenha causado redução nos sinistros de motociclistas no período e local analisados. A alternativa usa a linguagem precisa da inferência estatística: "não há evidência" (em vez de "comprova que não há efeito") e delimita o escopo ("no período/local analisados").

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que "a queda anual nos mesmos trechos já comprova causalidade". Isso é um erro clássico de confundir correlação com causalidade. Observar uma queda anual nos sinistros nos trechos tratados não é suficiente para atribuir essa queda à Faixa Azul, pois pode haver outros fatores (tendências gerais, mudanças na fiscalização, clima, etc.) que expliquem a redução. O método DiD existe justamente para controlar essas tendências comuns por meio de um grupo de controle; sem esse contrafactual, não se pode inferir causalidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que uma pesquisa de satisfação com motociclistas seria suficiente para comprovar a efetividade da Faixa Azul. Isso é metodologicamente incorreto: pesquisa de satisfação mede percepção subjetiva, não o desfecho objetivo (sinistros/óbitos). Além disso, não estabelece relação causal — motociclistas podem se sentir mais seguros sem que isso reduza os sinistros. Para avaliar efetividade, é necessário comparar indicadores objetivos entre grupo tratado e controle, como fez o estudo com DiD.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que "ajustar sazonalidade no mesmo local é suficiente para inferir causalidade, tornando desnecessário qualquer contrafactual". Isso é um erro grave: ajustar sazonalidade (ou qualquer outra variável) no mesmo local não cria um contrafactual. Sem um grupo de controle (ou outro método que forneça o contrafactual, como regressão descontínua), não é possível isolar o efeito da intervenção de outras mudanças ao longo do tempo. O DiD, por exemplo, exige um grupo de comparação para capturar a tendência comum; sem ele, qualquer associação temporal pode ser espúria.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "não há evidência de efeito" e "há evidência de ausência de efeito". O candidato que lê o resultado "estatisticamente indistinto de zero" e conclui que o programa é ineficaz cai na alternativa A. Lembre-se: em testes de hipóteses, não rejeitar H0H_0 não significa aceitar H0H_0 — significa apenas que os dados não são suficientes para rejeitá-la. A alternativa B é a única que respeita essa distinção e ainda delimita o escopo temporal/espacial.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de avaliação de impacto, identifique o método (DiD, RCT, etc.) e o que ele exige: contrafactual, grupo de controle, suposição de tendências paralelas. Quando o resultado for não significativo, a conclusão correta é sempre "não há evidência estatisticamente significativa de efeito" — nunca "comprovadamente sem efeito". Desconfie de alternativas com palavras como "comprova", "qualquer contexto", "suficiente" ou "desnecessário", que indicam generalização ou simplificação excessiva.

Gabarito: letra B

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