Questão de Medicina — Intoxicações Exógenas — FGV 2025
Medicina›Intoxicações Exógenas
Código
fg106651
Banca
FGV
Órgão
CNU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Bloco Temático 1: Seguridade Social – Saúde, Assistência Social e Previdência Social
A atividade de garimpo ilegal, principalmente na Região Norte do Brasil, implica atividades que promovem danos sérios para a saúde humana e para o meio ambiente tanto para os próprios garimpeiros como para a população da região contaminada, com destaque para a população ribeirinha.Essa atividade econômica irregular pode implicar:
Adesmatamento e intoxicação por chumbo metálico nos trabalhadores;
Bintoxicação por mercúrio metálico nos trabalhadores e por metil-mercúrio nas populações próximas;
Cdesmatamento e intoxicação por mercúrio metálico nas populações próximas;
Dintoxicação por mercúrio metálico nas populações próximas e por metil-mercúrio nos trabalhadores;
Edesmatamento e intoxicação por metil-mercúrio nos trabalhadores.
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GabaritoB — intoxicação por mercúrio metálico nos trabalhadores e por metil-mercúrio nas populações próximas;
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Intoxicação por mercúrio no garimpo ilegal: exposição ocupacional e ambiental
Gabarito: letra B. No garimpo ilegal, o trabalhador (garimpeiro) é exposto diretamente ao mercúrio metálico (Hg⁰), utilizado no processo de amalgamação do ouro, enquanto as populações próximas, como a ribeirinha, são expostas ao metil-mercúrio (MeHg), forma orgânica e neurotóxica formada pela metilação do mercúrio no ambiente aquático e biomagnificada na cadeia alimentar. A alternativa B é a única que correlaciona corretamente o agente tóxico ao grupo exposto.
A intoxicação por mercúrio é um clássico exemplo de doença ambiental e ocupacional com mecanismos de exposição distintos. O mercúrio metálico é um líquido prateado à temperatura ambiente, pouco absorvido por via oral, mas que libera vapores altamente tóxicos quando aquecido — exatamente o que ocorre na queima do amálgama ouro-mercúrio, etapa final do garimpo. O garimpeiro inala esses vapores e desenvolve o quadro de hidrargirismo (intoxicação crônica por mercúrio inorgânico), com sintomas neurológicos, gengivite, tremores e alterações psíquicas.
Já o mercúrio lançado nos rios sofre metilação por bactérias anaeróbicas do sedimento, transformando-se em metil-mercúrio (MeHg), composto lipossolúvel que se acumula nos organismos aquáticos e se biomagnifica ao longo da cadeia alimentar. A população ribeirinha, que consome peixes contaminados, é a principal vítima dessa exposição crônica, que causa danos neurológicos graves, especialmente no desenvolvimento fetal (como visto no desastre de Minamata, no Japão).
A distinção fundamental que a questão explora é: quem inala o vapor de mercúrio metálico? O trabalhador, no momento da queima do amálgama. Quem ingere o metil-mercúrio? A população que consome peixes contaminados. Essa separação entre via de exposição (inalatória × oral) e forma química (inorgânica × orgânica) é o critério que separa as alternativas corretas das incorretas.
A banca monta os distratores justamente invertendo essa relação: colocando o metil-mercúrio nos trabalhadores e o mercúrio metálico nas populações próximas, ou atribuindo o desmatamento como consequência direta da intoxicação. O desmatamento é um dano ambiental do garimpo, mas não é uma consequência toxicológica — é um efeito paralelo da atividade, não um agravo à saúde.
Exposição ao mercúrio no garimpo
1Mercúrio metálico (Hg⁰)
Quem: garimpeiro (ocupacional)
Via: inalação de vapores na queima do amálgama
Quadro: hidrargirismo
2Metil-mercúrio (MeHg)
Quem: população ribeirinha (ambiental)
Via: ingestão de peixes contaminados
Formação: metilação no sedimento + biomagnificação
3Distratores comuns
Inversão dos grupos expostos
Chumbo metálico (outra atividade)
Desmatamento (dano ambiental, não toxicológico)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está em afirmar que os trabalhadores sofrem intoxicação por chumbo metálico. O garimpo de ouro utiliza mercúrio metálico no processo de amalgamação, não chumbo. O chumbo é um contaminante de outras atividades, como mineração de chumbo, baterias e tintas. Além disso, o desmatamento é um dano ambiental, mas não é uma consequência toxicológica direta da exposição ao mercúrio.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a correlação perfeita: o garimpeiro é exposto ao mercúrio metálico (Hg⁰) por inalação dos vapores durante a queima do amálgama; a população ribeirinha é exposta ao metil-mercúrio (MeHg) por ingestão de peixes contaminados, resultado da metilação do mercúrio no ambiente aquático e sua biomagnificação na cadeia alimentar.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao atribuir a intoxicação por mercúrio metálico às populações próximas. A população ribeirinha não inala vapores de mercúrio metálico diretamente; ela consome peixes contaminados com metil-mercúrio. O mercúrio metálico é o agente de exposição ocupacional do garimpeiro. O desmatamento, embora ocorra, não é uma consequência toxicológica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Inverte completamente a relação de exposição: coloca o mercúrio metálico nas populações próximas e o metil-mercúrio nos trabalhadores. Na realidade, o trabalhador inala o vapor de mercúrio metálico, e a população ribeirinha ingere o metil-mercúrio via peixes contaminados.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que os trabalhadores são intoxicados por metil-mercúrio. O garimpeiro é exposto ao mercúrio metálico (forma inorgânica) por inalação. O metil-mercúrio é a forma orgânica que atinge a população ribeirinha via cadeia alimentar. O desmatamento, novamente, não é uma consequência toxicológica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os sujeitos da exposição: coloca o metil-mercúrio nos trabalhadores e o mercúrio metálico na população ribeirinha (alternativas D e E). A chave é lembrar que o trabalhador inala o vapor de mercúrio metálico (exposição ocupacional) e a população ingere metil-mercúrio via peixes (exposição ambiental). Com esse raciocínio, você elimina as alternativas que invertem a relação e as que citam chumbo ou desmatamento como consequência toxicológica.