Questão de Medicina — Médico da Família — FGV 2025
Medicina›Médico da Família
Código
fg106671
Banca
FGV
Órgão
CNU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Bloco Temático 1: Seguridade Social – Saúde, Assistência Social e Previdência Social
Um professor universitário de 52 anos é atendido em um check-up. O profissional de saúde consegue perceber que o professor não quer fazer exames de colesterol, pois não pretende mudar o seu estilo de vida e não quer ter provas documentais do risco que corre.Diante dessa situação, o profissional de saúde deve:
Asolicitar o exame de colesterol, pois há risco de culpabilização caso ele não o faça;
Bencaminhar o paciente para atenção especializada para solicitação do exame de colesterol;
Csolicitar o exame de colesterol, pois ele faz parte do protocolo de prevenção e promoção da saúde;
Dencaminhar o paciente para outro profissional da equipe, que deverá tentar convencê-lo a fazer o exame;
Efortalecer o vínculo com o paciente, para que a questão possa ser abordada novamente em consultas futuras.
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GabaritoE — fortalecer o vínculo com o paciente, para que a questão possa ser abordada novamente em consultas futuras.
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Medicina de Família e Comunidade: vínculo e abordagem centrada na pessoa
Gabarito: letra E. Diante de um paciente que recusa exames por não querer mudar o estilo de vida, a conduta adequada do médico de família é fortalecer o vínculo para retomar o tema em consultas futuras, respeitando a autonomia do paciente e evitando imposições ou encaminhamentos desnecessários — princípio central da Medicina de Família e Comunidade (MFC).
A Medicina de Família e Comunidade é a especialidade que atua na Atenção Primária à Saúde, com foco na relação longitudinal entre médico e paciente. O vínculo é a ferramenta terapêutica mais importante: é ele que permite conhecer a pessoa em suas dimensões biológica, psicológica e social, e é por meio dele que se constrói a confiança necessária para abordar temas sensíveis, como a recusa a exames ou a resistência a mudanças de hábitos.
Nesse contexto, o paciente tem autonomia para decidir sobre seu próprio corpo e tratamento. O médico não deve coagir, ameaçar ou usar de subterfúgios para obter a adesão. A recusa do professor não é um obstáculo a ser vencido com imposição, mas um sinal de alerta sobre suas motivações, medos e valores. O papel do médico é compreender essa resistência, acolhê-la e manter o canal de diálogo aberto.
A conduta correta, portanto, é fortalecer o vínculo — ou seja, investir na relação de confiança, demonstrar interesse genuíno pelo paciente e criar um ambiente seguro para que ele se sinta à vontade para discutir sua saúde. Isso não significa abandonar a prevenção, mas sim postergar a abordagem do colesterol para um momento em que o paciente esteja mais receptivo. O médico pode, inclusive, explorar os motivos da recusa, oferecer informações claras sobre riscos e benefícios, e combinar um retorno para retomar o assunto.
As demais alternativas falham por desrespeitar a autonomia do paciente, por transferir indevidamente a responsabilidade ou por romper o vínculo — exatamente o oposto do que a MFC preconiza. A questão testa o conhecimento do papel do médico de família diante de um conflito entre recomendação médica e preferência do paciente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a escolher uma conduta "intervencionista" (solicitar o exame, encaminhar, convencer), como se a prevenção justificasse ignorar a vontade do paciente. Mas a MFC valoriza a autonomia e o vínculo — a resposta certa é a que respeita o tempo do paciente e mantém a porta aberta para o diálogo futuro.
Conduta do médico de família: Fortalecer o vínculo (gabarito) (Respeita a autonomia, Mantém longitudinalidade, Retoma o tema em momento oportuno); Solicitar exame por medo de culpabilização (Postura defensiva, Viola o consentimento informado); Encaminhar à atenção especializada (Desnecessário para exame de rotina, Fragmenta o cuidado); Impor exame pelo protocolo (Protocolo não se sobrepõe à autonomia); Encaminhar para outro profissional convencer (Coerção indireta, Quebra a continuidade do cuidado)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Solicitar o exame por medo de culpabilização é uma postura defensiva, centrada no profissional e não no paciente. A medicina de família não deve agir por receio de responsabilização, mas sim pelo melhor interesse do paciente, respeitando sua autonomia. Além disso, solicitar o exame contra a vontade explícita do paciente viola o princípio do consentimento informado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Encaminhar para atenção especializada para solicitar um exame de rotina é desnecessário e fragmenta o cuidado. O médico de família é capacitado para avaliar risco cardiovascular e solicitar exames de colesterol; o encaminhamento só se justifica quando há necessidade de avaliação especializada, o que não é o caso. Além disso, transferir o problema não resolve a resistência do paciente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Embora o exame de colesterol faça parte da prevenção, solicitá-lo contra a vontade do paciente desrespeita sua autonomia. O protocolo não pode se sobrepor à decisão informada do paciente. A abordagem correta é dialogar, entender a recusa e buscar adesão voluntária, não impor o exame.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Encaminhar para outro profissional com o objetivo de convencê-lo é uma forma de coerção indireta e quebra a continuidade do cuidado. O vínculo é construído com o médico de referência; transferir o paciente para "tentar convencê-lo" demonstra incapacidade de lidar com a resistência e desvaloriza a relação terapêutica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Fortalecer o vínculo é a conduta alinhada aos princípios da MFC: respeitar a autonomia, manter a longitudinalidade e abordar o tema em momento oportuno. O médico demonstra acolhimento, não julgamento, e cria condições para que o paciente, futuramente, aceite discutir o colesterol e a mudança de estilo de vida. Essa postura aumenta a adesão a longo prazo e preserva a relação de confiança.