Questão de Direito Processual Penal — Investigação Criminal Promovida pelo Ministério Público — FGV 2025
Direito Processual Penal›Investigação Criminal Promovida pelo Ministério Público
Código
fg114752
Banca
FGV
Órgão
MPE-ES
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto
Ana procura o Promotor de Justiça da pequena comarca em que vive e relata que, na Delegacia de Polícia local, o policial civil Sérgio exigiu a quantia de R$ 3.000,00 para registrar o furto de seu veículo. Intimidada, Ana atendeu à exigência e apresentou o comprovante bancário da transferência do valor. Diante dos fatos, o Promotor de Justiça decide instaurar procedimento investigatório criminal (PIC) para apurar o suposto crime de concussão e decreta o sigilo da investigação.Considerando a situação apresentada, assinale a opção correta quanto à observância das normas aplicáveis ao procedimento investigatório criminal (PIC).
AÉ desnecessário informar o juízo competente sobre a instauração do PIC, porque a obrigatoriedade da informação restringe-se a inquéritos policiais.
BO sigilo decretado no PIC autoriza o indeferimento de eventual pedido de vista formulado pela defesa de Sérgio.
CÉ incabível adotar providências voltadas à reparação do prejuízo de Ana em razão da conduta de Sérgio, tendo em vista tratar-se de direito disponível.
DCaso decida pelo arquivamento do PIC, o Promotor de Justiça deverá encaminhar os autos ao juízo competente para homologação.
ECaso decida pelo oferecimento de denúncia, o Promotor de Justiça deverá diligenciar que Ana seja comunicada.
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GabaritoE — Caso decida pelo oferecimento de denúncia, o Promotor de Justiça deverá diligenciar que Ana seja comunicada.
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Procedimento Investigatório Criminal (PIC) do Ministério Público
Gabarito: letra E. Ao oferecer denúncia, o Promotor de Justiça deve comunicar a vítima Ana, em cumprimento ao dever de informação que decorre dos direitos da vítima no processo penal (arts. 201 e 28 do CPP). As demais alternativas apresentam erros quanto às regras que regem o PIC, conforme entendimento consolidado do STF (ADI 2.943, Tema 184).
O STF reconheceu a possibilidade de investigação criminal direta pelo Ministério Público, desde que observados determinados requisitos: comunicação imediata ao juiz competente sobre a instauração e o encerramento; aplicação do art. 18 do CPP (que trata do arquivamento); respeito às garantias do investigado, inclusive o acesso do defensor aos elementos já documentados (Súmula Vinculante 14); e possibilidade de controle judicial dos atos.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que é desnecessário informar o juízo sobre a instauração do PIC, restringindo essa obrigação aos inquéritos policiais. Isso é incorreto. O STF, no julgamento da ADI 2.943, estabeleceu como exigência a comunicação imediata ao juiz competente tanto da instauração quanto do encerramento do PIC. Trata-se de requisito essencial para permitir o controle jurisdicional e a distribuição do procedimento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sustenta que o sigilo decretado no PIC autoriza o indeferimento de pedido de vista da defesa. A Súmula Vinculante 14 do STF assegura ao defensor o direito de acesso amplo aos elementos de prova que já constem dos autos do inquérito policial (e, por analogia, do PIC), ainda que estejam sob sigilo, ressalvadas apenas as diligências em andamento. Portanto, o sigilo não justifica o indeferimento total do pedido de vista; a defesa deve ter acesso ao material já documentado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Alega que é incabível adotar providências voltadas à reparação do prejuízo de Ana por tratar-se de direito disponível. No âmbito do PIC, o Ministério Público pode requerer medidas cautelares patrimoniais (como sequestro ou hipoteca legal) para assegurar a reparação dos danos decorrentes do crime de concussão – que é de ação penal pública incondicionada. A disponibilidade do direito de reparação não impede a atuação do MP, que pode e deve tomar as providências cabíveis.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diz que, em caso de arquivamento do PIC, o Promotor deve encaminhar os autos ao juízo para homologação. Após a Lei 13.964/2019 (Pacote Anticrime), o arquivamento do inquérito policial – e, por extensão, do PIC – passou a ser feito diretamente pelo Ministério Público, sem necessidade de homologação judicial. O MP comunica o arquivamento à vítima, ao investigado e à autoridade policial, e, se houver recurso da vítima, os autos são remetidos à instância de revisão ministerial (art. 28 do CPP). Não há envio ao juiz para homologação.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Ao decidir pelo oferecimento de denúncia, o Promotor de Justiça deve diligenciar que Ana seja comunicada. Esse dever decorre do direito da vítima de ser informada sobre o andamento da investigação e da ação penal, previsto nos arts. 201 (comunicação de atos processuais) e 28 (comunicação do arquivamento ou denúncia) do Código de Processo Penal. A vítima que relatou o crime tem legítimo interesse em saber que a denúncia foi oferecida, podendo, inclusive, adotar medidas para a reparação do dano.
NÃO CAIA NESSA!
A alternativa D explora a confusão entre o regime anterior (arquivamento dependia de homologação judicial) e o atual (após Lei 13.964/2019). O candidato ainda associa o arquivamento do PIC à chancela do juiz, mas o MP pode arquivar diretamente, com posterior controle pela via recursal da vítima.
PEGA ESSA DICA!
Memorize as principais regras do PIC fixadas pelo STF: (1) comunicação imediata ao juiz; (2) aplicação do art. 18 do CPP ao arquivamento; (3) respeito ao sigilo e à Súmula Vinculante 14; (4) possibilidade de medidas de reparação; (5) dever de informar a vítima sobre a denúncia.
Conclusão: A única alternativa que se alinha às normas aplicáveis ao PIC é a letra E.