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Questão de Estatística — Inferência estatística — FGV 2025

EstatísticaInferência estatística
Código
fg115165
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Atuarial
Um especialista em testes de aderência avalia se uma tábua biométrica representa corretamente a mortalidade real dos segurados. A hipótese nula sempre é definida como “a tábua biométrica é aderente à população”. A experiência acumulada no mercado segurador revela que 10% das tábuas testadas não são aderentes. Além disso, os parâmetros do teste estatístico adotado são o nível de significância de 5% e o poder do teste de 80%.Suponha que o profissional tenha rejeitado a hipótese nula em um determinado teste. Nessa situação, a probabilidade real de que a tábua biométrica NÃO seja aderente é igual a:
  1. A5%;
  2. B8%;
  3. C9%;
  4. D10%;
  5. E64%.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — 64%.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Teorema de Bayes aplicado a testes de hipóteses

Gabarito: letra E. A probabilidade real de a tábua não ser aderente, dado que o teste foi rejeitado, é de 64%. Isso se calcula pelo Teorema de Bayes, combinando a prevalência de tábuas não aderentes (10%), o nível de significância (5%, que é a probabilidade de falso positivo) e o poder do teste (80%, que é a probabilidade de verdadeiro positivo). A questão não pede a probabilidade de erro, mas sim o valor preditivo positivo do teste, que é a chance de a hipótese nula ter sido rejeitada corretamente.

O ponto central é distinguir as probabilidades que o teste fornece das probabilidades que queremos saber. O nível de significância (α = 5%) é a probabilidade de rejeitar a hipótese nula quando ela é verdadeira — ou seja, a probabilidade de um falso positivo. O poder do teste (1 − β = 80%) é a probabilidade de rejeitar a hipótese nula quando ela é falsa — ou seja, a probabilidade de um verdadeiro positivo. Mas a pergunta é: dado que o teste foi rejeitado, qual a chance de a tábua realmente não ser aderente? Isso é o valor preditivo positivo, que depende também da prevalência do problema na população (10% das tábuas não são aderentes).

Vamos organizar os dados:

  • P(Não aderente) = 10% = 0,10 (prevalência)

  • P(Aderente) = 90% = 0,90

  • P(Rejeitar | Aderente) = α = 5% = 0,05 (falso positivo)

  • P(Rejeitar | Não aderente) = Poder = 80% = 0,80 (verdadeiro positivo)

Queremos P(Não aderente | Rejeitar). Pelo Teorema de Bayes:

P(Na~o aderenteRejeitar)=P(RejeitarNa~o aderente)×P(Na~o aderente)P(Rejeitar)P(Não\ aderente | Rejeitar) = \frac{P(Rejeitar | Não\ aderente) \times P(Não\ aderente)}{P(Rejeitar)}

O denominador P(Rejeitar) é a probabilidade total de rejeição, que ocorre em dois cenários: ou a tábua não é aderente e o teste acerta (verdadeiro positivo), ou a tábua é aderente e o teste erra (falso positivo).

P(Rejeitar)=0,80×0,10+0,05×0,90=0,08+0,045=0,125P(Rejeitar) = 0,80 \times 0,10 + 0,05 \times 0,90 = 0,08 + 0,045 = 0,125

Agora calculamos:

P(Na~o aderenteRejeitar)=0,80×0,100,125=0,080,125=0,64=64%P(Não\ aderente | Rejeitar) = \frac{0,80 \times 0,10}{0,125} = \frac{0,08}{0,125} = 0,64 = 64\%

Portanto, mesmo com um teste de alto poder (80%) e baixo nível de significância (5%), a probabilidade de a tábua ser realmente não aderente quando o teste é rejeitado é de apenas 64%. Isso ocorre porque a prevalência de tábuas não aderentes é baixa (10%), o que faz com que a maioria das rejeições venha de falsos positivos.

Não aderente (10%)
Aderente (90%)
Não rejeitar H0
Verdadeiro positivo (8%)
Falso positivo (4,5%)
Rejeitar H0
Falso negativo (2%)
Verdadeiro negativo (85,5%)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O valor de 5% é o nível de significância (α), que é a probabilidade de rejeitar a hipótese nula quando ela é verdadeira (erro tipo I). Não é a probabilidade de a tábua ser não aderente dado que o teste foi rejeitado. A banca explora a confusão entre a probabilidade de erro do teste e a probabilidade de o evento real ter ocorrido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O valor de 8% é o resultado da multiplicação 0,80 × 0,10 = 0,08, que é a probabilidade conjunta de a tábua ser não aderente E o teste ser rejeitado (verdadeiro positivo). Mas a pergunta pede uma probabilidade condicional, que exige a divisão pela probabilidade total de rejeição (0,125). O candidato que para na multiplicação erra por não completar o Teorema de Bayes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O valor de 9% é o resultado da multiplicação 0,90 × 0,10 = 0,09, que não corresponde a nenhuma probabilidade relevante no problema. Pode ser uma tentativa de combinar a prevalência com o complemento do poder, mas não há fundamento lógico. A banca insere esse número como distrator puro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O valor de 10% é a prevalência de tábuas não aderentes na população (P(Não aderente)). É a probabilidade a priori, antes de qualquer teste. A questão pede a probabilidade a posteriori, após a rejeição do teste, que é maior (64%) porque o teste fornece evidência a favor da não aderência.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O valor de 64% é exatamente o resultado do Teorema de Bayes, como calculado acima. É o valor preditivo positivo do teste: a probabilidade de a tábua ser realmente não aderente, dado que o teste foi rejeitado. A alternativa está correta porque aplica corretamente a fórmula, considerando a prevalência, o nível de significância e o poder do teste.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca as probabilidades do teste pelas probabilidades do evento real. O nível de significância (5%) e o poder (80%) são propriedades do teste, não a resposta para a pergunta. O candidato que responde 5% ou 80% está confundindo a probabilidade de erro do teste com a probabilidade de o evento ter ocorrido. A chave é perceber que a pergunta pede uma probabilidade condicional invertida, que só o Teorema de Bayes resolve. Com treino, você identifica essa inversão rapidamente 💪.

PEGA ESSA DICA!

Quando a questão der a prevalência, o nível de significância e o poder, e perguntar "dado que o teste foi rejeitado, qual a probabilidade de...", monte a tabela de contingência mentalmente:

Não aderente (10%)

Aderente (90%)

Rejeitar

80% × 10% = 8%

5% × 90% = 4,5%

Não rejeitar

20% × 10% = 2%

95% × 90% = 85,5%

A probabilidade pedida é 8% / (8% + 4,5%) = 64%. Esse método visual evita erros de fórmula.

Gabarito: letra E.

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