Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2025
- Código
- fg115220
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPU
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista do - Clínica Médica
- Amama;
- Brim;
- Cendométrio;
- Dfígado;
- Eovário.
GabaritoC — endométrio;
Gabarito: letra C. O câncer de endométrio é a neoplasia mais prevalente em mulheres com SOP, sendo cerca de três vezes mais prevalente naquelas com anovulação crônica, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da SOP. O mecanismo central é a exposição prolongada do endométrio ao estrogênio sem oposição da progesterona, consequência da anovulação crônica — exatamente o que o enunciado destaca ao mencionar "alterações hiperandrogênicas e reprodutivas".
A SOP é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade fértil, afetando 6% a 19% dessa população. Seu diagnóstico exige pelo menos dois de três critérios: anovulação crônica, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. A anovulação crônica é o elo fisiopatológico com o câncer de endométrio: sem ovulação, não há formação do corpo lúteo e, portanto, não há produção cíclica de progesterona. O endométrio fica sob estímulo estrogênico contínuo, o que leva à proliferação endometrial, hiperplasia e, eventualmente, carcinoma. Esse é o mesmo mecanismo que explica o risco aumentado em outras condições de hiperestrogenismo, como obesidade (conversão de androgênios em estrogênio pela aromatase nos adipócitos), nuliparidade e menopausa tardia.
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da SOP é explícito ao diferenciar os riscos: enquanto os cânceres de mama e ovário não parecem ser mais prevalentes em mulheres com SOP, o câncer de endométrio é três vezes mais prevalente naquelas com anovulação crônica. Além disso, o uso de anticoncepcionais hormonais combinados por 4 a 12 anos reduz em 50% a 70% o risco de câncer de endométrio, justamente por restaurar a proteção progestogênica. Essa distinção é crucial e frequentemente cobrada em provas: a associação intuitiva entre SOP e câncer de ovário (pela própria síndrome envolver os ovários) ou de mama (pela exposição estrogênica) é um erro clássico.
Na prática clínica, a proteção endometrial é um dos pilares do tratamento da SOP. Para pacientes que não desejam engravidar, os anticoncepcionais hormonais combinados são a primeira escolha, pois regularizam os ciclos e protegem o endométrio. Para aquelas que desejam engravidar, a indução de ovulação com citrato de clomifeno ou letrozol também restaura ciclos ovulatórios e reduz o risco endometrial. A progesterona cíclica isolada é alternativa para quem não pode usar estrogênio. O rastreamento de câncer de endométrio em mulheres com SOP não é rotina, mas a biópsia endometrial está indicada diante de sangramento uterino anormal persistente ou espessamento endometrial significativo.
A pegadinha desta questão está na associação automática entre SOP e câncer de ovário ou mama. O candidato que raciocina "SOP é doença ovariana, logo o câncer mais prevalente é o de ovário" ou "há hiperestrogenismo, logo o câncer de mama" erra. A banca explora exatamente essa intuição. O conhecimento correto é que a anovulação crônica — marca da SOP — expõe o endométrio a estrogênio sem oposição, tornando o câncer de endométrio a neoplasia mais associada. Guarde essa relação: anovulação crônica → estrogênio sem oposição → hiperplasia endometrial → carcinoma de endométrio.
O câncer de mama não é mais prevalente em mulheres com SOP. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da SOP afirma que os cânceres de mama e ovário não parecem ser mais prevalentes em doentes de SOP, e que o rastreamento para neoplasia de mama não difere da população geral. A confusão surge porque a SOP envolve hiperestrogenismo relativo, mas o risco de câncer de mama não está aumentado de forma consistente nos estudos.
Não há associação estabelecida entre SOP e câncer de rim. O câncer de rim não é mencionado como complicação da SOP no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas. Os estudos sobre neoplasias em SOP concentram-se nos cânceres ginecológicos: endométrio, mama e ovário.
O câncer de endométrio é a neoplasia mais prevalente em mulheres com SOP. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da SOP afirma que o câncer de endométrio é três vezes mais prevalente nas mulheres com anovulação crônica. O mecanismo é a exposição prolongada do endométrio ao estrogênio sem oposição da progesterona, consequência da anovulação crônica característica da SOP.
Não há associação estabelecida entre SOP e câncer de fígado. Embora a SOP esteja associada à doença hepática gordurosa não alcoólica, isso não se traduz em aumento do risco de carcinoma hepatocelular. O câncer de fígado não é mencionado como complicação neoplásica da SOP no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas.
O câncer de ovário não é mais prevalente em mulheres com SOP. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da SOP afirma que os cânceres de mama e ovário não parecem ser mais prevalentes em doentes de SOP. A associação intuitiva entre SOP e câncer de ovário é uma pegadinha clássica, pois a síndrome envolve os ovários, mas os estudos não demonstram aumento de risco para neoplasia ovariana invasiva.
Gabarito: letra C — o câncer de endométrio é a neoplasia mais prevalente em mulheres com SOP, devido à exposição endometrial ao estrogênio sem oposição pela anovulação crônica.
Link permanente: /questoes/fg115220