Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2025
- Código
- fg115223
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPU
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista do - Clínica Médica
- AIII, apenas;
- BI e II, apenas;
- CI e III, apenas;
- DII e III, apenas;
- EI, II e III.
GabaritoD — II e III, apenas;
Gabarito: letra D. Estão corretas as afirmativas II e III: o sexo feminino apresenta maior probabilidade de diagnóstico tardio e pior prognóstico, e a dissecção aórtica é incomum antes dos 40 anos, exceto em associação com cardiopatia congênita, doença do tecido conjuntivo ou vasculites inflamatórias. A afirmativa I está incorreta, pois a dissecção aórtica é três vezes mais comum em homens do que em mulheres — essa é a base epidemiológica que a banca explora.
A dissecção aórtica (DA) é uma síndrome aórtica aguda caracterizada pela clivagem longitudinal da camada média da aorta por uma coluna de sangue dissecante, geralmente iniciada por uma lesão (rasgo) na íntima. Embora historicamente considerada não inflamatória, evidências recentes apontam infiltração de células inflamatórias na degeneração medial. O conhecimento da epidemiologia é essencial para o raciocínio clínico: a DA é uma condição de alta mortalidade intra-hospitalar (entre 25% e 30%), e o reconhecimento precoce é decisivo para o prognóstico.
A epidemiologia da DA apresenta diferenças marcantes entre os sexos. A condição é três vezes mais comum em homens, mas as mulheres tendem a apresentar o diagnóstico mais tardiamente e com pior prognóstico. Essa diferença pode estar relacionada a apresentações atípicas, menor suspeição clínica e maior idade média no momento do evento. A incidência aumenta com a idade, sendo estimada em 2,6 a 3,5 casos por 100.000 pessoas-ano.
A hipertensão arterial é o fator de risco mais comum, presente em mais de 70% dos pacientes. Outros fatores incluem tabagismo, trauma torácico, doenças aórticas (coartação, síndrome de Marfan, Ehlers-Danlos, vasculites), história familiar, aneurisma torácico conhecido, cirurgia aórtica prévia e uso de cocaína, crack ou anfetaminas. A DA é incomum antes dos 40 anos, exceto quando associada a cardiopatia congênita, doença do tecido conjuntivo ou vasculites inflamatórias — como a arterite de Takayasu, arterite de células gigantes, doença de Behçet e sífilis.
A distinção entre os sexos é o ponto central da questão. Enquanto a afirmativa I generaliza a frequência como igual entre homens e mulheres, a literatura é clara: a DA predomina no sexo masculino. A afirmativa II captura a particularidade do sexo feminino — diagnóstico mais tardio e prognóstico menos favorável. A afirmativa III reflete a faixa etária típica e as exceções associadas a condições específicas. A banca explora exatamente a confusão entre a predominância masculina e a apresentação mais grave nas mulheres.
Guarde o tripé epidemiológico da DA: predominância masculina (3:1), pior prognóstico no sexo feminino e raridade antes dos 40 anos (exceto em condições predisponentes específicas). É esse tripé que separa as afirmativas corretas das incorretas.
A afirmativa afirma que a DA apresenta-se com mesma frequência em homens e mulheres. Isso é falso: a DA é três vezes mais comum em homens do que em mulheres. A banca explora a generalização indevida, pois a distribuição por sexo não é uniforme. O erro está em ignorar a predominância masculina documentada na literatura.
A afirmativa está correta: o sexo feminino tem maior probabilidade de apresentar a condição mais tardiamente e com prognóstico menos favorável. Isso reflete a epidemiologia da DA, em que as mulheres tendem a ser diagnosticadas em fase mais avançada da doença, com piores desfechos. A banca cobra o conhecimento dessa particularidade clínica.
A afirmativa está correta: a DA é incomum antes dos 40 anos, exceto quando associada a cardiopatia congênita, doença do tecido conjuntivo (como síndrome de Marfan e Ehlers-Danlos) ou vasculites inflamatórias (como arterite de Takayasu e arterite de células gigantes). Essas condições predisponentes justificam a ocorrência em faixas etárias mais jovens.
Conclusão: corretos os itens II e III → portanto, a alternativa é a letra D.
A banca troca a predominância masculina pela falsa igualdade entre os sexos na afirmativa I. O candidato que associa "doença cardiovascular" a "homens" pode até acertar, mas quem decora a epidemiologia sem entender a diferença de prognóstico entre os sexos cai na armadilha. Lembre-se: a DA é 3x mais comum em homens, mas as mulheres têm pior prognóstico — essa assimetria é o coração da questão.
Para questões de epidemiologia, monte uma tabela mental com os dados-chave: predominância (homens 3:1), faixa etária (incomum antes dos 40 anos, exceto condições específicas), fator de risco mais comum (hipertensão em >70%) e mortalidade intra-hospitalar (25-30%). Esses números aparecem com frequência em provas de clínica médica e cirurgia vascular.
Gabarito: letra D
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