Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2025
- Código
- fg115225
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPU
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista do - Clínica Médica
- Ahemodiálise;
- Bfenitoína;
- Clevetiracetam;
- Dvalproato;
- Emidazolam.
GabaritoA — hemodiálise;
Gabarito: letra A. A paciente apresenta convulsão por intoxicação aguda por lítio, e a conduta adequada é a hemodiálise, indicada na intoxicação grave com sintomas neurológicos (convulsões), independentemente da litemia. As demais opções são anticonvulsivantes ou sedativos que tratam a crise convulsiva sintomática, mas não removem o lítio do organismo — a causa do quadro.
A intoxicação por lítio é uma emergência psiquiátrica e clínica que exige reconhecimento rápido e manejo específico. O lítio é um cátion monovalente, distribuído no volume total de água corporal, com baixa ligação proteica e excreção renal. Na intoxicação aguda, o paciente pode apresentar sintomas gastrointestinais (náuseas, vômitos, diarreia), neurológicos (tremor, confusão, convulsões, coma) e cardiovasculares (arritmias). A convulsão, como no caso da paciente, é um marcador de gravidade e indica a necessidade de remoção extracorpórea da droga.
O tratamento da intoxicação por lítio envolve medidas de suporte, hidratação com solução salina para manter diurese adequada (2 a 3 mL/kg/hora) e, nos casos graves, a hemodiálise. As indicações de hemodiálise mais aceitas incluem: litemia > 5 mEq/L independentemente dos sintomas; litemia > 4 mEq/L com insuficiência renal; litemia > 2 mEq/L com insuficiência renal e sintomas neurológicos; e intoxicação grave com sintomas neurológicos (como convulsões), arritmias ou instabilidade hemodinâmica, independentemente da litemia. A diálise deve ser interrompida quando a litemia atinge níveis < 1 mEq/L, com melhora clínica, ou após mínimo de 6 horas.
A convulsão na intoxicação por lítio é uma manifestação de neurotoxicidade grave. O tratamento da crise convulsiva em si pode ser feito com benzodiazepínicos (como o midazolam), mas isso não resolve a causa — a remoção do lítio. Por isso, a hemodiálise é o tratamento definitivo e a alternativa correta. As outras opções (fenitoína, levetiracetam, valproato) são anticonvulsivantes de segunda linha para estado de mal epiléptico, mas não têm papel na remoção do lítio. O midazolam é um benzodiazepínico usado para controle agudo da crise, mas não é o tratamento da intoxicação.
A pegadinha da questão está em confundir o tratamento da convulsão (sintoma) com o tratamento da intoxicação (causa). O aluno que sabe que a convulsão é um sintoma de intoxicação grave por lítio reconhece que a prioridade é a remoção do fármaco, e não apenas o controle da crise. A banca explora exatamente essa distinção: oferece anticonvulsivantes como distratores, mas a conduta correta é a hemodiálise.
A banca troca o tratamento da causa (hemodiálise) pelo tratamento do sintoma (anticonvulsivantes). A convulsão é um sintoma de intoxicação grave por lítio, e a prioridade é remover o lítio do organismo, não apenas controlar a crise. Lembre-se: na intoxicação por lítio com convulsão, a hemodiálise é o tratamento de escolha.
A hemodiálise é o tratamento indicado para intoxicação grave por lítio com sintomas neurológicos, como convulsões. A remoção extracorpórea é necessária para eliminar o lítio do organismo, que é a causa do quadro. As indicações de hemodiálise incluem intoxicação grave com convulsões, independentemente da litemia.
A fenitoína é um anticonvulsivante de segunda linha para estado de mal epiléptico, mas não remove o lítio do organismo. Seu uso não trata a causa da intoxicação e não é a conduta adequada para intoxicação por lítio com convulsão.
O levetiracetam é um anticonvulsivante de segunda linha, eficaz no controle de crises, mas não tem papel na remoção do lítio. A convulsão é um sintoma de intoxicação grave, e o tratamento deve ser direcionado à causa — a hemodiálise.
O valproato é um anticonvulsivante e estabilizador de humor, usado no tratamento do transtorno bipolar, mas não é indicado para intoxicação por lítio. Não remove o lítio e não trata a causa da convulsão.
O midazolam é um benzodiazepínico usado para controle agudo de crises convulsivas, mas não trata a intoxicação por lítio. A convulsão é um sintoma de intoxicação grave, e a conduta adequada é a hemodiálise para remover o lítio.
Gabarito: letra A — hemodiálise, pois trata a causa da convulsão (intoxicação por lítio) removendo o fármaco do organismo.
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