Um tromboembolismo pulmonar (TEP) acontece quando um coágulo que se formou horas, dias ou às vezes semanas antes nas veias profundas é desalojado, viaja pelo sistema venoso e atravessa o ventrículo direito (VD), entrando na circulação pulmonar.O ventrículo direito normalmente bombeia sangue através de uma circulação pulmonar com uma baixa resistência ao fluxo sanguíneo. Pessoas jovens sem doença cardiopulmonar conseguem tolerar pelo menos 30% de obstrução advinda de um coágulo, com sintomas ou sinais mínimos.Um fator de risco para TEP relacionado ao mecanismo de hipercoagulabilidade é:
Adoença do tecido conjuntivo;
Bviagem recente;
Ctabagismo;
Dreposição de estrogênio;
Etraumatismo com internação no último mês.
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GabaritoD — reposição de estrogênio;
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Tromboembolismo pulmonar: fatores de risco e mecanismos
Gabarito: letra D. A reposição de estrogênio é um fator de risco clássico para TEP por promover hipercoagulabilidade — estado de maior tendência à formação de trombos —, enquanto as demais alternativas se enquadram em outros mecanismos da tríade de Virchow (lesão endotelial ou estase venosa). A questão exige correlacionar cada fator de risco ao mecanismo fisiopatológico predominante.
O TEP é a obstrução de um ou mais ramos da artéria pulmonar por um trombo, na grande maioria dos casos originado de uma trombose venosa profunda (TVP) dos membros inferiores. O entendimento dos fatores de risco passa pela tríade de Virchow, que descreve os três mecanismos básicos que predispõem à trombose: (1) lesão endotelial, (2) estase venosa e (3) hipercoagulabilidade. Cada fator de risco conhecido para TEP atua predominantemente por um desses três mecanismos, e é exatamente essa classificação que a questão cobra.
A hipercoagulabilidade é um estado de desequilíbrio entre os mecanismos pró-coagulantes e anticoagulantes do sangue, favorecendo a formação de trombos. Pode ser hereditária (como a mutação do fator V de Leiden, a mutação do gene da protrombina, a deficiência de proteína C, proteína S ou antitrombina) ou adquirida (como o uso de estrogênios, a síndrome antifosfolípide, o câncer, a gravidez e o puerpério, a obesidade e o tabagismo). A reposição de estrogênio — seja na forma de anticoncepcional oral combinado, terapia hormonal da menopausa ou terapia hormonal de afirmação de gênero — aumenta a produção hepática de fatores de coagulação (como os fatores II, VII, IX, X) e diminui a produção de inibidores naturais da coagulação (como a proteína S e a antitrombina), criando um estado de hipercoagulabilidade que eleva o risco de TVP e TEP em 2 a 4 vezes.
Para fixar o mecanismo de cada fator, veja a tabela:
Fator de risco
Mecanismo predominante
Reposição de estrogênio
Hipercoagulabilidade
Câncer
Hipercoagulabilidade
Síndrome antifosfolípide
Hipercoagulabilidade
Imobilização / viagem longa
Estase venosa
Traumatismo / cirurgia
Lesão endotelial + estase
Tabagismo
Lesão endotelial + hipercoagulabilidade
Doença do tecido conjuntivo
Lesão endotelial (vasculite)
A pegadinha da questão está em reconhecer que doença do tecido conjuntivo (como lúpus eritematoso sistêmico) e traumatismo são fatores de risco, mas por mecanismos diferentes — lesão endotelial e estase, respectivamente —, enquanto a reposição de estrogênio é o exemplo clássico de hipercoagulabilidade adquirida. A viagem recente e o tabagismo também são fatores de risco, mas atuam predominantemente por estase venosa e lesão endotelial, respectivamente.
Guarde a tríade de Virchow como o critério decisivo: a questão pede o fator ligado à hipercoagulabilidade, e é exatamente nessa classificação que as alternativas se dividem.
Tríade de Virchow: Lesão endotelial (Doença do tecido conjuntivo, Tabagismo, Traumatismo); Estase venosa (Viagem recente, Imobilização); Hipercoagulabilidade (Reposição de estrogênio, Câncer, Síndrome antifosfolípide)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A doença do tecido conjuntivo (como lúpus, artrite reumatoide, esclerodermia) é um fator de risco para TEP, mas o mecanismo predominante é a lesão endotelial decorrente da inflamação vascular (vasculite), e não a hipercoagulabilidade primária. Embora algumas doenças do colágeno possam cursar com estado pró-trombótico (como na síndrome antifosfolípide associada ao lúpus), o mecanismo clássico e predominante é a lesão endotelial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A viagem recente (especialmente viagens aéreas ou terrestres de longa duração, > 4 horas) é um fator de risco para TEP, mas o mecanismo é a estase venosa — a imobilidade prolongada reduz o retorno venoso dos membros inferiores, favorecendo a formação de trombos. Não se trata de hipercoagulabilidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O tabagismo é um fator de risco para TEP, mas o mecanismo predominante é a lesão endotelial — as substâncias tóxicas do cigarro danificam o endotélio vascular, expondo o colágeno subendotelial e ativando a cascata de coagulação. O tabagismo também contribui para um estado pró-trombótico, mas o mecanismo primário e mais cobrado é a lesão endotelial.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A reposição de estrogênio (anticoncepcional oral, terapia hormonal da menopausa ou terapia hormonal de afirmação de gênero) é o exemplo clássico de fator de risco para TEP por hipercoagulabilidade adquirida. O estrogênio aumenta a síntese hepática de fatores pró-coagulantes (II, VII, IX, X) e reduz os níveis de inibidores naturais da coagulação (proteína S, antitrombina), criando um estado de hipercoagulabilidade que eleva o risco de TVP e TEP. É exatamente o mecanismo que o enunciado pede.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O traumatismo com internação no último mês é um fator de risco para TEP, mas o mecanismo predominante é a lesão endotelial (dano direto ao vaso) associada à estase venosa (imobilização durante a internação). Não se trata de hipercoagulabilidade primária.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre "fator de risco para TEP" e "hipercoagulabilidade". Todas as alternativas são fatores de risco reais, mas apenas a reposição de estrogênio atua primariamente por hipercoagulabilidade. Doença do tecido conjuntivo e tabagismo causam lesão endotelial; viagem e traumatismo causam estase venosa. Na prova, leia o mecanismo pedido no enunciado e classifique cada fator pela tríade de Virchow — é o que separa a correta das demais.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de TEP/TVP, memorize a tríade de Virchow e associe cada fator de risco ao mecanismo predominante. Os mais cobrados: estrogênio e câncer → hipercoagulabilidade; imobilização e viagem → estase; cirurgia e trauma → lesão endotelial. Essa classificação resolve a maioria das questões sobre o tema.