Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
fg115231
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Clínica Médica
Uma paciente de 60 anos, sem comorbidades, iniciou há dois dias quadro de tosse com expectoração purulenta, febre e dispneia. O diagnóstico foi confirmado com a realização de radiografia de tórax representada na imagem abaixo.O agente causador mais provável para a doença apresentada é:
AStaphylococcus aureus;
BMycobacterium tuberculosis;
CKlebsiella pneumoniae;
DHaemophilus influenzae;
EMycoplasma pneumoniae.
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GabaritoD — Haemophilus influenzae;
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Pneumonia adquirida na comunidade: correlação clínico-radiológica e etiologia
Gabarito: letra D. O quadro — paciente idosa, sem comorbidades, com tosse produtiva purulenta, febre e dispneia há dois dias, com radiografia de tórax mostrando consolidação — é compatível com pneumonia adquirida na comunidade (PAC). O agente mais provável nesse cenário é o Haemophilus influenzae, especialmente em pacientes idosos, sendo essa a alternativa correta. A radiografia de tórax é o exame que confirma o diagnóstico, e a imagem típica de consolidação, associada ao perfil clínico, direciona a suspeita etiológica.
A pneumonia é uma infecção aguda do parênquima pulmonar, caracterizada por consolidação alveolar, que se manifesta radiologicamente como opacidade. O diagnóstico é clínico-radiológico: sintomas como tosse, expectoração, febre e dispneia, somados a um infiltrado novo na radiografia de tórax. A etiologia varia conforme o local de aquisição (comunitária ou hospitalar), a idade, a presença de comorbidades e a gravidade do quadro. Na PAC, os agentes mais comuns são o Streptococcus pneumoniae, o Mycoplasma pneumoniae, o Haemophilus influenzae, vírus respiratórios e, em casos específicos, Legionella e Chlamydophila.
A paciente em questão tem 60 anos, sem comorbidades, e apresenta um quadro agudo (dois dias) com tosse purulenta, febre e dispneia. A radiografia de tórax, descrita na imagem, é fundamental para a suspeita etiológica. Embora o Streptococcus pneumoniae seja o agente mais prevalente em todas as idades, a banca optou por Haemophilus influenzae como a resposta correta, provavelmente por ser um patógeno relevante em idosos e por estar associado a quadros de exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e pneumonia em pacientes com mais de 60 anos. A ausência de comorbidades não exclui essa possibilidade, e a apresentação clínica com expectoração purulenta e febre é compatível com uma etiologia bacteriana típica.
É importante destacar que a radiografia de tórax, embora não identifique o agente etiológico, ajuda a diferenciar padrões: consolidação lobar sugere pneumonia bacteriana típica (pneumococo, Haemophilus), enquanto padrão intersticial difuso é mais comum em pneumonias atípicas (micoplasma, vírus). A imagem da questão, com consolidação, reforça a hipótese de uma bactéria típica. A escolha entre as alternativas exige conhecimento das apresentações clássicas e dos agentes mais prováveis em cada faixa etária e perfil clínico.
A pegadinha da questão está em associar o quadro a um agente específico sem considerar a idade e o padrão radiológico. O candidato pode ser tentado a escolher Staphylococcus aureus (comum em pós-gripe e em pacientes institucionalizados) ou Klebsiella pneumoniae (associada a alcoolistas e a consolidação com abaulamento de fissura), mas o perfil da paciente — idosa, sem comorbidades, com pneumonia comunitária — aponta para Haemophilus influenzae como a resposta mais adequada. A banca explora a confusão entre os agentes típicos e atípicos, e a necessidade de correlacionar o caso clínico com a epidemiologia.
Pneumonia adquirida na comunidade (PAC)
1Agentes típicos
Streptococcus pneumoniae (mais prevalente)
Haemophilus influenzae (idosos)
Staphylococcus aureus (pós-gripe)
Klebsiella pneumoniae (alcoolistas)
2Agentes atípicos
Mycoplasma pneumoniae (jovens)
Legionella
Chlamydophila
3Padrão radiológico
Consolidação lobar → bactéria típica
Intersticial difuso → atípica
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O Staphylococcus aureus é um agente importante de pneumonia, mas geralmente está associado a quadros pós-influenza, em pacientes hospitalizados, institucionalizados ou com fibrose cística. A paciente não apresenta esses fatores de risco, e o quadro comunitário agudo em idosa sem comorbidades torna essa etiologia menos provável. A pneumonia estafilocócica costuma ser grave, com cavitações e pneumatoceles na radiografia, o que não é descrito no caso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A tuberculose (Mycobacterium tuberculosis) tem apresentação subaguda ou crônica, com tosse produtiva, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso. O quadro da paciente é agudo (dois dias), sem os sintomas constitucionais clássicos, e a radiografia de tórax na tuberculose geralmente mostra cavitações em lobos superiores, infiltrados ou adenopatia — não uma consolidação lobar típica de pneumonia bacteriana aguda. A ausência de fatores de risco (HIV, diabetes, desnutrição) e o início súbito tornam essa hipótese improvável.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A Klebsiella pneumoniae é um agente de pneumonia grave, frequentemente associado a alcoolismo, diabetes e doenças debilitantes. A radiografia clássica mostra consolidação com abaulamento da fissura (sinal da “cortina”), devido à produção de exsudato espesso. A paciente não tem os fatores de risco típicos, e o quadro não é descrito como grave a ponto de sugerir essa etiologia. Embora seja uma bactéria gram-negativa importante, não é a causa mais provável neste cenário.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O Haemophilus influenzae é um agente comum de pneumonia adquirida na comunidade, especialmente em idosos (>60 anos) e em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). A paciente, com 60 anos e sem comorbidades, apresenta um quadro agudo de tosse purulenta, febre e dispneia, com consolidação na radiografia — perfil compatível com essa etiologia. Embora o Streptococcus pneumoniae seja o agente mais prevalente, a banca considerou o Haemophilus influenzae como a resposta correta, provavelmente por ser um patógeno relevante nessa faixa etária e por estar associado a quadros de pneumonia bacteriana típica. A apresentação clínica e o padrão radiológico de consolidação reforçam essa escolha.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O Mycoplasma pneumoniae é um agente de pneumonia atípica, que se apresenta de forma mais insidiosa, com tosse seca, febre baixa e sintomas extrapulmonares (cefaleia, mialgia). A radiografia de tórax geralmente mostra padrão intersticial ou opacidades em vidro fosco, não uma consolidação lobar. O quadro da paciente é agudo, com expectoração purulenta e febre, o que é mais compatível com uma pneumonia bacteriana típica, não com micoplasma. Além disso, o micoplasma é mais comum em crianças e adultos jovens.