Questão de Medicina — Urologia — FGV 2025
- Código
- fg115234
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPU
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista do - Clínica Médica
- Alúpus eritematoso sistêmico;
- Bcolelitíase;
- CSIDA;
- Ddoença de Crohn;
- Epancreatite crônica.
GabaritoD — doença de Crohn;
Gabarito: letra D. A doença de Crohn é um fator de risco clássico para nefrolitíase, pois a má absorção intestinal de gorduras leva à hiperoxalúria entérica, aumentando a supersaturação urinária de oxalato de cálcio e a formação de cálculos. As demais alternativas (lúpus, colelitíase, SIDA e pancreatite crônica) não são reconhecidas como fatores de risco diretos para urolitíase.
A urolitíase (ou nefrolitíase) é a formação de cálculos no trato urinário, resultado da supersaturação de solutos na urina, como cálcio, oxalato, ácido úrico e cistina. Quando a concentração desses solutos excede a capacidade de solubilidade, ocorre cristalização e agregação, formando os cálculos. Diversos fatores contribuem para esse processo, incluindo baixo volume urinário, pH urinário alterado, dieta, genética e condições clínicas subjacentes.
Entre as condições clínicas que aumentam o risco de urolitíase, destacam-se: hiperparatireoidismo primário, gota, obesidade, diabetes mellitus, acidose tubular renal e doença inflamatória intestinal (como a doença de Crohn). A doença de Crohn, especificamente, causa má absorção de gorduras, o que leva à ligação do cálcio dietético aos ácidos graxos no intestino, aumentando a absorção de oxalato livre no cólon. Esse oxalato é então excretado na urina, resultando em hiperoxalúria e formação de cálculos de oxalato de cálcio.
A hiperoxalúria entérica é um mecanismo bem estabelecido: em pacientes com diarreia crônica, doenças inflamatórias intestinais, doença celíaca ou após cirurgia bariátrica, a má absorção de gordura aumenta a disponibilidade de oxalato para absorção, elevando a excreção urinária de oxalato. Isso explica por que a doença de Crohn é um fator de risco relevante para urolitíase.
As outras alternativas não são fatores de risco reconhecidos para urolitíase. O lúpus eritematoso sistêmico pode causar nefrite, mas não é um fator de risco direto para cálculos renais. A colelitíase (cálculos biliares) é uma condição distinta, sem associação direta com cálculos renais. A SIDA (AIDS) não é um fator de risco para urolitíase. A pancreatite crônica pode levar a má absorção, mas não é classicamente listada como fator de risco para nefrolitíase, ao contrário da doença de Crohn.
A banca explora o conhecimento dos fatores de risco específicos para urolitíase, exigindo que o candidato identifique a doença que tem associação fisiopatológica direta com a formação de cálculos renais. A doença de Crohn é a única que se encaixa nesse critério, devido à hiperoxalúria entérica.
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune que pode causar nefrite lúpica, mas não é um fator de risco direto para urolitíase. A nefrite lúpica afeta a função renal, mas não aumenta a supersaturação urinária de solutos formadores de cálculos. Portanto, não é considerada um fator de risco para cálculos renais.
A colelitíase (cálculos biliares) é uma condição que afeta a vesícula biliar e as vias biliares, não os rins. Embora ambas sejam condições de formação de cálculos, os mecanismos fisiopatológicos são distintos e não há associação direta entre colelitíase e urolitíase. Portanto, não é um fator de risco para cálculos renais.
A SIDA (síndrome da imunodeficiência adquirida) é uma doença infecciosa que compromete o sistema imunológico, mas não é um fator de risco direto para urolitíase. Embora pacientes com SIDA possam ter outras complicações renais, a formação de cálculos não é uma consequência típica da doença. Portanto, não é considerada um fator de risco para urolitíase.
A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal que causa má absorção de gorduras, levando à hiperoxalúria entérica. Esse mecanismo aumenta a absorção de oxalato no cólon, elevando a excreção urinária de oxalato e promovendo a formação de cálculos de oxalato de cálcio. Portanto, é um fator de risco reconhecido para urolitíase.
A pancreatite crônica pode causar má absorção de gorduras e nutrientes, mas não é classicamente listada como um fator de risco direto para urolitíase. Embora possa haver alguma associação indireta, a doença de Crohn é o exemplo mais claro e bem estabelecido de doença inflamatória intestinal que aumenta o risco de cálculos renais. Portanto, a pancreatite crônica não é a resposta correta.
Gabarito: letra D
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