Artrite reativa: manifestações clínicas e diagnóstico
Gabarito: letra D. A artrite reativa (ARe) pode cursar com cervicite ou salpingite crônicas, com consequente esterilidade feminina, pois a infecção geniturinária por Chlamydia trachomatis — um dos principais gatilhos da doença — pode ascender ao trato genital superior e causar doença inflamatória pélvica, levando a sequelas tubárias e infertilidade. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a manifestação clássica é mono/oligoartrite assimétrica de membros inferiores (não poliartrite simétrica), o acometimento poliarticular ocorre em 20%-30% (não o monoarticular), as úlceras orais da ARe são indolores (não dolorosas) e o diagnóstico é essencialmente clínico, com exames de imagem e HLA-B27 como auxiliares, não definidores.
A artrite reativa é uma espondiloartrite (EpA) caracterizada por sinovite estéril imunomediada que surge em até 4 semanas após infecção gastrointestinal ou geniturinária. Os patógenos clássicos incluem Chlamydia trachomatis, Yersinia, Salmonella, Shigella, Campylobacter jejuni, Escherichia coli e Clostridioides difficile. O quadro articular típico é de mono ou oligoartrite (até 4 articulações) assimétrica, preferencialmente de membros inferiores, e geralmente transitória. O acometimento poliarticular ocorre em 20%-30% dos casos, e as manifestações mucocutâneas — como ceratodermia blenorrágica, balanite circinada e úlceras orais — associam-se à presença do HLA-B27.
A infecção geniturinária por Chlamydia trachomatis é um dos principais gatilhos da ARe, especialmente em homens jovens. Nas mulheres, a infecção clamidiana pode ser assintomática ou oligossintomática, mas pode ascender ao trato genital superior, causando cervicite e salpingite crônicas. A salpingite crônica, por sua vez, pode levar à obstrução tubária e à esterilidade feminina — exatamente o que afirma a alternativa D. Essa é uma complicação importante e pouco lembrada, mas bem documentada na literatura reumatológica e ginecológica.
O diagnóstico da ARe é essencialmente clínico, baseado na história de infecção precedente (até 4 semanas) e no quadro articular típico. Exames de imagem (radiografia, ultrassonografia com power Doppler, ressonância magnética) e o HLA-B27 são ferramentas auxiliares, mas não definem o diagnóstico isoladamente. A análise do líquido sinovial é recomendada para excluir artrite séptica, especialmente em mono/oligoartrite sem história clara de infecção. O HLA-B27 é positivo em cerca de 80% dos pacientes brancos com ARe, mas sua ausência não exclui o diagnóstico, e sua presença isolada não confirma.
A banca explora a confusão entre a ARe e outras artrites, especialmente a artrite reumatoide (poliartrite simétrica) e a febre reumática. A ARe é uma espondiloartrite, com padrão assimétrico e preferência por membros inferiores, enquanto a artrite reumatoide é uma poliartrite simétrica de pequenas articulações das mãos. A febre reumática, por sua vez, é uma artrite migratória de grandes articulações, desencadeada por estreptococo, e não faz parte do grupo das EpA. Guarde essas diferenças: elas são o critério decisivo para separar as alternativas.
Característica | Artrite Reativa (ARe) | Alternativa Incorreta (exemplo) |
|---|
Padrão articular típico | Mono/oligoartrite assimétrica de membros inferiores | Poliartrite aguda e simétrica (A) |
Frequência do acometimento monoarticular | Frequente (apresentação clássica) | Não frequente (B) |
Úlceras orais | Indolores | Dolorosas (C) |
Diagnóstico | Essencialmente clínico; imagem e HLA-B27 são auxiliares | Definido por TC/RNM e HLA-B27 (E) |
Complicação genital feminina | Cervicite/salpingite crônicas → esterilidade (correto) | — |
Alternativa A — ❌ Incorreta
A manifestação clínica mais comum da ARe é a mono ou oligoartrite assimétrica de membros inferiores, não poliartrite aguda e simétrica. A poliartrite simétrica é característica da artrite reumatoide, não da ARe. O erro está em trocar o padrão articular típico da ARe pelo da artrite reumatoide.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O acometimento monoarticular é frequente na ARe — é uma das apresentações clássicas (mono ou oligoartrite). O que ocorre em 20%-30% dos casos é o acometimento poliarticular, não o monoarticular. A alternativa inverte a frequência: o monoarticular é comum, o poliarticular é menos frequente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As manifestações mucocutâneas da ARe incluem ceratodermia blenorrágica, balanite circinada e pústulas palmoplantares, mas as úlceras orais são indolores, não dolorosas. Essa é uma pegadinha clássica: a banca troca a característica da úlcera oral da ARe (indolor) pela de outras condições (como estomatite aftosa, que é dolorosa).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A infecção por Chlamydia trachomatis pode causar cervicite e salpingite crônicas, que podem levar à obstrução tubária e à esterilidade feminina. Essa é uma complicação reconhecida da infecção clamidiana, que é um dos principais gatilhos da ARe. A alternativa está correta ao afirmar que a ARe pode cursar com essas manifestações genitais crônicas e suas consequências.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O diagnóstico da ARe é essencialmente clínico, baseado na história de infecção precedente e no quadro articular típico. Exames de imagem (TC/RNM) e o HLA-B27 são auxiliares, não definidores. O HLA-B27 é positivo em cerca de 80% dos pacientes brancos com ARe, mas sua ausência não exclui o diagnóstico, e sua presença isolada não confirma. A alternativa superestima o papel desses exames no diagnóstico.
Gabarito: letra D — a única alternativa correta, pois a ARe pode cursar com cervicite ou salpingite crônicas, com consequente esterilidade feminina.