Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — FGV 2025
- Código
- fg115242
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPU
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista do - Clínica Médica
- Apralidoxima;
- Bhidroxocobalamina;
- Cdeferoxamina;
- Datropina;
- Ebicarbonato de sódio.
GabaritoB — hidroxocobalamina;
Gabarito: letra B. O quadro — vítima de incêndio em ambiente fechado com materiais nitrogenados (seda, lã, poliuretano, acrílicos), cefaleia, náuseas, vertigem, confusão mental, taquipneia, hipotensão e bradicardia — é a apresentação clássica de intoxicação por cianeto (HCN), cujo antídoto de primeira linha é a hidroxocobalamina. A fonte é o consenso de toxicologia clínica e as diretrizes de emergência, que indicam a hidroxocobalamina como antídoto específico para a síndrome tóxica por cianeto em vítimas de inalação de fumaça.
A inalação de fumaça é uma das principais causas de morbimortalidade em incêndios, e o cianeto é um dos tóxicos mais relevantes nesse cenário. Quando materiais contendo nitrogênio — como seda, lã, poliuretano, acrílicos e outros polímeros sintéticos — queimam, liberam ácido cianídrico (HCN). O cianeto inibe a citocromo c oxidase na cadeia respiratória mitocondrial, bloqueando a fosforilação oxidativa e causando hipóxia celular mesmo com oxigenação adequada do sangue. Isso explica a evolução rápida do quadro: inicialmente cefaleia, náuseas e vertigem (sinais inespecíficos), seguidos de confusão mental, sonolência, taquipneia (resposta compensatória à hipóxia), hipotensão e bradicardia (depressão cardiovascular).
O diagnóstico é essencialmente clínico, pois a confirmação laboratorial (dosagem de cianeto ou lactato) demora e não deve atrasar o tratamento. A hidroxocobalamina é o antídoto de primeira linha: ela se liga ao cianeto formando cianocobalamina (vitamina B12), que é excretada pelos rins. A dose inicial é de 5 g IV em adultos (70 mg/kg em crianças), podendo ser repetida. É um antídoto seguro, com poucos efeitos adversos (urina avermelhada, hipertensão transitória), e por isso é preferido em vítimas de incêndio, onde a suspeita de cianeto é alta e o tratamento não pode esperar confirmação.
A alternativa B é a única que corresponde ao antídoto específico para cianeto. As demais opções são antídotos para outras intoxicações: pralidoxima (organofosforados), deferoxamina (ferro), atropina (colinérgicos) e bicarbonato de sódio (acidose metabólica, não é antídoto específico). A banca explora a confusão entre os antídotos e seus respectivos tóxicos, além de tentar desviar a atenção para o tratamento sintomático da hipotensão ou da acidose.
A banca troca o antídoto do cianeto pelo de outras intoxicações. O candidato que associa "incêndio" apenas a queimaduras e monóxido de carbono pode escolher atropina (pensando em bradicardia) ou bicarbonato (pensando em acidose). Mas o quadro é de síndrome tóxica por cianeto, e o antídoto específico é a hidroxocobalamina. Memorize: incêndio + materiais nitrogenados + evolução neurológica/cardiovascular rápida = cianeto → hidroxocobalamina.
A pralidoxima é o antídoto para intoxicação por organofosforados (inseticidas), que causam síndrome colinérgica (salivação, lacrimejamento, broncoespasmo, bradicardia, fasciculações). O quadro da paciente não apresenta sinais colinérgicos, e o contexto de incêndio aponta para cianeto, não para organofosforados.
A hidroxocobalamina é o antídoto de primeira linha para intoxicação por cianeto, que é exatamente o cenário descrito: inalação de fumaça de materiais nitrogenados (seda, lã, acrílicos, polímeros) com quadro neurológico e cardiovascular compatível. Ela se liga ao cianeto formando cianocobalamina, que é excretada. É o tratamento específico e deve ser iniciado imediatamente diante da suspeita clínica.
A deferoxamina é o antídoto para intoxicação por ferro, que causa vômitos, diarreia, acidose metabólica e choque. Não há história de ingestão de ferro, e o quadro é de inalação de fumaça, não de intoxicação por metais.
A atropina é o antídoto para intoxicação por colinérgicos (organofosforados, carbamatos), antagonizando os efeitos muscarínicos. Embora a paciente tenha bradicardia, isso não indica intoxicação colinérgica — é consequência da depressão cardiovascular pelo cianeto. A atropina não trata a causa e não é o antídoto de primeira linha.
O bicarbonato de sódio é usado para acidose metabólica grave, mas não é um antídoto específico para nenhuma intoxicação. Na intoxicação por cianeto, a acidose é consequência da hipóxia celular e do lactato, e o tratamento é o antídoto (hidroxocobalamina), não o bicarbonato. O bicarbonato pode ser usado como adjuvante em casos refratários, mas nunca como primeira linha.
Gabarito: letra B — hidroxocobalamina, o antídoto específico para intoxicação por cianeto em vítimas de inalação de fumaça.
Link permanente: /questoes/fg115242