Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
fg115244
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Clínica Médica
A violência sexual é um fenômeno multidimensional que afeta todas as classes sociais, raças, etnias e orientações sexuais, e que se constitui como uma das principais formas de violação dos direitos humanos, atingindo o direito à vida, à saúde e à integridade física. Um dos grandes desafios para enfrentar essa violência é a articulação e integração dos serviços e da atenção em saúde, de forma a evitar a revitimização e, acima de tudo, oferecer um atendimento humanizado e integral.A atenção às pessoas em situação de violência sexual é composta por ações intersetoriais que possibilitam o atendimento, proteção, prevenção de novas situações e medidas para possibilitar a responsabilização dos(as) autores(as) da agressão. A droga de escolha para a profilaxia de tricomoníase para a pessoa em condição de violência sexual é:
Ametronidazol;
Bsulfametoxazol + trimetoprima;
Cazitromicina;
Ddoxiciclina;
Ebenzilpenicilina benzatina.
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GabaritoA — metronidazol;
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Profilaxia de IST não virais em violência sexual: tricomoníase
Gabarito: letra A. A droga de escolha para a profilaxia de tricomoníase em pessoa em situação de violência sexual é o metronidazol, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). O esquema profilático para adultos e adolescentes com mais de 45 kg é metronidazol 500 mg, 4 comprimidos via oral, em dose única (dose total de 2 g).
A violência sexual é um grave problema de saúde pública, e o atendimento à vítima deve ser humanizado, integral e articulado em rede, evitando a revitimização. Dentro desse cuidado, a profilaxia das IST não virais é uma das medidas essenciais, e o Ministério da Saúde estabelece um esquema específico para cada infecção, com base no PCDT de IST. A tricomoníase, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, é uma das IST mais comuns no mundo e, no contexto da violência sexual, a profilaxia é feita com o antiprotozoário metronidazol, que é o fármaco de primeira linha para o tratamento dessa infecção.
O quadro abaixo, extraído do PCDT, resume as medicações indicadas para a profilaxia das IST não virais em situação de violência sexual, incluindo a tricomoníase:
IST
Medicação
Posologia (adultos e adolescentes > 45 kg)
Sífilis
Benzilpenicilina benzatina
2,4 milhões UI, IM, dose única
Gonorreia
Ceftriaxona + azitromicina
Ceftriaxona 500 mg, IM, dose única + Azitromicina 1 g, VO, dose única
Infecção por clamídia
Azitromicina
1 g, VO, dose única
Tricomoníase
Metronidazol
2 g, VO, dose única
É importante notar que o metronidazol não deve ser utilizado no primeiro trimestre de gestação, e sua administração pode ser postergada ou evitada em casos de intolerância gastrintestinal conhecida ou quando houver prescrição de contracepção de emergência e de profilaxia pós-exposição (PEP) ao HIV. Essas ressalvas são fundamentais na prática clínica e podem ser exploradas pela banca em questões mais aprofundadas.
A banca explora a associação automática entre as IST e seus tratamentos, mas é preciso conhecer o esquema profilático específico do PCDT. A pegadinha aqui é trocar o metronidazol por outros antibióticos que são usados para outras IST, como a azitromicina (clamídia e gonorreia) ou a benzilpenicilina (sífilis). Guarde a fronteira entre as medicações de cada IST: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Profilaxia IST não virais (violência sexual): Sífilis (Benzilpenicilina benzatina); Gonorreia (Ceftriaxona + azitromicina); Clamídia (Azitromicina); Tricomoníase (Metronidazol)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O metronidazol é a droga de escolha para a profilaxia da tricomoníase em situação de violência sexual, conforme o PCDT do Ministério da Saúde. Para adultos e adolescentes com mais de 45 kg, a posologia é de 500 mg, 4 comprimidos, via oral, em dose única (dose total de 2 g). A alternativa está correta ao indicar o antiprotozoário correto para essa profilaxia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A associação sulfametoxazol + trimetoprima (SMX-TMP) é um antibiótico utilizado para o tratamento de outras infecções, como infecções do trato urinário e algumas pneumonias, mas não é indicada para a profilaxia de tricomoníase no contexto de violência sexual. O PCDT não prevê essa medicação para essa finalidade, sendo um distrator que confunde o candidato com um antibiótico de amplo espectro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A azitromicina é o fármaco de escolha para a profilaxia da infecção por clamídia e também é usada em associação com a ceftriaxona para a profilaxia da gonorreia. No entanto, não é a droga indicada para a tricomoníase, que é causada por um protozoário e não por uma bactéria. A banca troca a medicação de uma IST por outra, explorando a confusão entre os esquemas profiláticos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A doxiciclina é uma tetraciclina utilizada no tratamento de diversas infecções bacterianas, como clamídia, sífilis e doença inflamatória pélvica. Contudo, não faz parte do esquema profilático para tricomoníase em situação de violência sexual. O PCDT não a menciona para essa finalidade, sendo um distrator que remete a outras IST bacterianas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A benzilpenicilina benzatina é a droga de escolha para a profilaxia da sífilis, conforme o PCDT. No entanto, não é indicada para a tricomoníase, que é uma infecção causada por protozoário e não por bactéria. A banca troca a medicação da sífilis pela da tricomoníase, explorando a confusão entre os esquemas profiláticos das diferentes IST.