Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg115247
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Clínica Médica
A avaliação inicial do paciente com HAS na Unidade de Atenção Primária é composta por: confirmação do diagnóstico, identificação de fatores de risco cardiovascular, suspeita e identificação de causa secundária, avaliação do risco cardiovascular, lesões de órgão-alvo e doenças associadas. Lesão em órgão-alvo (LOA) caracteriza-se pela presença de alterações estruturais e/ou funcionais em artérias ou órgãos, causadas pela elevação da PA.Um exame para rastreio de LOA e estratificação do risco cardiovascular na atenção primária é:
Aradiografia do tórax;
Bsódio plasmático;
Cpotássio plasmático;
Dcurva glicêmica;
Eecocardiograma.
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GabaritoC — potássio plasmático;
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Hipertensão Arterial Sistêmica: rastreio de lesão de órgão-alvo na atenção primária
Gabarito: letra C. O potássio plasmático faz parte da rotina complementar mínima para avaliação inicial do paciente hipertenso, sendo utilizado tanto para rastrear causas secundárias (como hiperaldosteronismo primário, quando há hipocalemia) quanto para detectar lesão de órgão-alvo (LOA) e estratificar o risco cardiovascular. As diretrizes brasileiras de hipertensão arterial incluem o potássio sérico entre os exames complementares de rotina, ao lado de creatinina, glicemia, colesterol e eletrocardiograma.
A avaliação inicial do paciente com hipertensão arterial sistêmica (HAS) na atenção primária tem objetivos bem definidos: confirmar o diagnóstico, identificar fatores de risco cardiovascular, suspeitar de causas secundárias, avaliar o risco cardiovascular global e pesquisar lesões em órgãos-alvo (LOA). A LOA representa alterações estruturais e/ou funcionais em artérias ou órgãos causadas pela elevação crônica da pressão arterial — como hipertrofia ventricular esquerda, retinopatia hipertensiva, doença renal crônica e doença arterial obstrutiva periférica. A detecção precoce dessas lesões é fundamental, pois sua presença reclassifica o paciente para uma categoria de risco mais elevado e orienta metas terapêuticas mais agressivas.
A rotina complementar mínima recomendada para todos os pacientes hipertensos na primeira avaliação inclui: exame de urina (bioquímica e sedimento), creatinina sérica, potássio sérico, colesterol total, glicemia em jejum e eletrocardiograma de repouso. O potássio sérico tem dupla função nesse contexto: valores anormalmente baixos (hipocalemia) podem indicar hiperaldosteronismo primário — uma causa secundária de hipertensão — e também refletem lesão renal decorrente da HAS. A dosagem de potássio é, portanto, um exame simples, barato e amplamente disponível na atenção primária, que cumpre simultaneamente os papéis de rastreio de causa secundária e de LOA.
É importante distinguir os exames que compõem a rotina mínima daqueles que são solicitados apenas em situações específicas. A radiografia de tórax, por exemplo, não tem mais indicação rotineira na avaliação do paciente hipertenso, sendo reservada para suspeita clínica de acometimento cardíaco ou pulmonar de outra natureza. O ecocardiograma, embora seja o método mais útil para avaliar o comprometimento cardíaco pela cardiopatia hipertensiva (aferindo espessuras do septo e parede posterior do ventrículo esquerdo), não faz parte da rotina inicial — é solicitado quando há suspeita de hipertrofia ventricular esquerda ou disfunção ventricular, ou para refinar a estratificação de risco em casos selecionados. A curva glicêmica e o sódio plasmático também não integram a avaliação inicial de rotina do hipertenso.
A pegadinha desta questão está em distinguir o que é "rotina mínima" do que é "exame complementar para situações específicas". O potássio plasmático é um dos poucos exames que estão na rotina mínima e que, ao mesmo tempo, servem para rastrear LOA e causa secundária. As demais alternativas ou não fazem parte da rotina (radiografia de tórax, ecocardiograma, curva glicêmica) ou não têm papel no rastreio de LOA (sódio plasmático). Guarde a lista da rotina mínima: urina, creatinina, potássio, colesterol, glicemia e ECG — é exatamente nela que a questão se ancora.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A radiografia de tórax não tem mais indicação rotineira na avaliação do paciente hipertenso. As diretrizes atuais reservam esse exame para situações de suspeita clínica de acometimento cardíaco (como insuficiência cardíaca) ou pulmonar de outra natureza. Não é um exame de rastreio de LOA na atenção primária.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O sódio plasmático não faz parte da rotina complementar mínima do paciente hipertenso. Embora alterações do sódio possam ocorrer em algumas causas secundárias de hipertensão (como hiperaldosteronismo), não é um exame recomendado de rotina para rastreio de LOA ou estratificação de risco cardiovascular.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O potássio plasmático integra a rotina complementar mínima para avaliação inicial do hipertenso. Sua dosagem serve para: (1) rastrear causa secundária — hipocalemia sugere hiperaldosteronismo primário; (2) avaliar lesão renal, uma das LOA mais comuns da HAS. É um exame simples, barato e disponível na atenção primária, cumprindo exatamente o papel de rastreio de LOA e estratificação de risco.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A curva glicêmica (teste de tolerância oral à glicose) não faz parte da rotina mínima do hipertenso. O exame de rotina para avaliação glicêmica é a glicemia de jejum (e, em alguns casos, a hemoglobina glicada). A curva glicêmica é reservada para situações específicas, como diagnóstico de diabetes em casos duvidosos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O ecocardiograma é o método mais útil para avaliar o comprometimento cardíaco pela cardiopatia hipertensiva, mas não é exame de rotina na atenção primária. É solicitado quando há suspeita clínica de hipertrofia ventricular esquerda, disfunção ventricular ou para refinar a estratificação de risco em casos selecionados. Na rotina mínima, o exame cardíaco é o eletrocardiograma de repouso.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre avaliação inicial da HAS, memorize a rotina complementar mínima: urina (bioquímica e sedimento), creatinina sérica, potássio sérico, colesterol total, glicemia em jejum e eletrocardiograma de repouso. O potássio é o "coringa" — serve tanto para rastrear causa secundária (hiperaldosteronismo) quanto para avaliar LOA renal. Radiografia de tórax e ecocardiograma são exames complementares para situações específicas, não rotina.