Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — FGV 2025
Medicina›Distúrbios Nutricionais
Código
fg115249
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Clínica Médica
A obesidade é uma condição crônica multifatorial que engloba diferentes dimensões: biológica, social, cultural, comportamental, de saúde pública e política. O desenvolvimento da obesidade decorre de interações entre o perfil genético de maior risco e fatores sociais e ambientais (por exemplo, inatividade física, ingesta calórica excessiva, ambiente intrauterino, uso de medicamentos obesogênicos e status socioeconômico). Sono insuficiente, disruptores endócrinos e microbiota intestinal também podem estar associados à gênese da obesidade.Conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Sobrepeso e Obesidade em Adultos, uma indicação para tratamento da obesidade com cirurgia bariátrica é:
AIMC > 30, com comorbidade grave;
BIMC > 40, com ou sem comorbidades, independente de terapias anteriores;
CIMC > 35, com comorbidade;
DIMC > 50, com doença cardiopulmonar grave e descompensada, independente da relação risco-benefício;
Ejovens entre 16 e 18 anos que apresentarem o escore-Z maior que +3 na análise do IMC por idade.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — IMC > 35, com comorbidade;
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Cirurgia bariátrica: critérios de indicação no adulto
Gabarito: letra C. Conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Sobrepeso e Obesidade em Adultos, a cirurgia bariátrica é indicada para pacientes com IMC ≥ 40 kg/m², com ou sem comorbidades, ou IMC entre 35 e 39,9 kg/m² na presença de comorbidades — exatamente o que a alternativa C descreve. A alternativa B erra ao afirmar que IMC > 40 independe de terapias anteriores, quando o PCDT exige falha no tratamento clínico prévio.
A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, e o tratamento cirúrgico é reservado para os casos mais graves, quando as medidas clínicas — reeducação alimentar, atividade física e, quando indicado, farmacoterapia — não foram suficientes. O IMC é a principal ferramenta de triagem, mas a decisão de operar não se baseia apenas no número: ela leva em conta a presença de comorbidades, o histórico de tentativas de emagrecimento e a avaliação da relação risco-benefício para aquele paciente específico.
O PCDT estabelece critérios objetivos para a indicação cirúrgica, que podem ser resumidos em dois grandes grupos: pacientes com obesidade grau III (IMC ≥ 40), que são candidatos independentemente da presença de comorbidades; e pacientes com obesidade grau II (IMC entre 35 e 39,9), que são candidatos apenas se apresentarem comorbidades relacionadas à obesidade. Em ambos os casos, exige-se que o paciente tenha tentado tratamento clínico supervisionado por um período mínimo, geralmente de dois anos, sem sucesso.
A alternativa E menciona adolescentes com escore-Z > +3, mas essa faixa etária tem critérios próprios e mais rigorosos, não se aplicando a regra simples do adulto. Já a alternativa D, ao citar IMC > 50 com doença cardiopulmonar grave e descompensada, contraria o princípio de que a cirurgia só deve ser feita quando o risco cirúrgico é aceitável — a presença de doença descompensada é, na verdade, uma contraindicação relativa.
A pegadinha central desta questão está na alternativa B: ela parece correta à primeira vista, pois IMC > 40 realmente indica cirurgia, mas omite a exigência de falha no tratamento clínico prévio. A banca explora a tendência do candidato de memorizar apenas os números de IMC, sem se atentar às condições adicionais que o protocolo impõe. Guarde a regra: IMC ≥ 40 → cirurgia indicada (após falha do tratamento clínico); IMC 35–39,9 → cirurgia indicada apenas com comorbidades.
Indicação de cirurgia bariátrica (PCDT): IMC ≥ 40 (Com ou sem comorbidades, Exige falha do tratamento clínico prévio); IMC 35–39,9 (Com comorbidades); Contraindicação relativa (Doença grave descompensada); Adolescentes (16–18 anos) (Critérios próprios e mais rigorosos)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que IMC > 30, com comorbidade grave, é indicação de cirurgia. Esse é o ponto de corte para o diagnóstico de obesidade grau I, mas não para tratamento cirúrgico. Nesse estágio, o tratamento é clínico, com mudança de estilo de vida e, se necessário, medicamentos. A cirurgia só entra em cena a partir do IMC ≥ 35 com comorbidades.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que IMC > 40, com ou sem comorbidades, é indicação independente de terapias anteriores. O erro está na expressão "independente de terapias anteriores": o PCDT exige que o paciente tenha falhado no tratamento clínico supervisionado antes de ser considerado para cirurgia. A indicação para IMC ≥ 40 existe, mas não é automática — depende da tentativa prévia de emagrecimento clínico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a alternativa correta. Reproduz fielmente o critério do PCDT: IMC > 35 (obesidade grau II) associado a comorbidades. É a regra clássica de indicação cirúrgica, presente também nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e da OMS.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Menciona IMC > 50 com doença cardiopulmonar grave e descompensada, independente da relação risco-benefício. Há dois erros: primeiro, o ponto de corte de IMC > 50 não é um critério isolado no protocolo; segundo, e mais grave, a presença de doença grave e descompensada é uma contraindicação relativa à cirurgia, pois o risco cirúrgico se eleva. A decisão sempre considera a relação risco-benefício, nunca a ignora.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que adolescentes entre 16 e 18 anos com escore-Z > +3 são candidatos à cirurgia. Essa faixa etária tem critérios específicos e mais rigorosos, que incluem avaliação multidisciplinar, maturidade do paciente e falha no tratamento clínico por período prolongado. O escore-Z > +3 indica obesidade grave, mas não é, por si só, indicação cirúrgica em adolescentes — a regra do adulto não se aplica diretamente.