Questão de Medicina — Medicina Preventiva — FGV 2025
Medicina›Medicina Preventiva
Código
fg115253
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Clínica Médica
O rastreamento, uma das estratégias para o controle do câncer, figura como a fase inicial de identificação de um grupo populacional que deverá ser submetido a outros procedimentos para receber o diagnóstico final e o respectivo tratamento, quando indicado, envolvendo possíveis benefícios e riscos. Considerando os métodos e as características dos exames para o rastreamento do câncer colorretal, o primeiro teste de suspeição a ser realizado é(são):
Atomografia computadorizada da pelve;
Bretossigmoidoscopia;
Ctestes imunohistoquímicos fecais;
Dcolonoscopia;
Epesquisa de sangue oculto nas fezes.
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GabaritoE — pesquisa de sangue oculto nas fezes.
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Rastreamento do câncer colorretal: o primeiro teste de suspeição
Gabarito: letra E. No rastreamento do câncer colorretal, o primeiro teste de suspeição a ser realizado é a pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF), um exame não invasivo, de baixo custo e amplamente utilizado em programas populacionais; os exames endoscópicos (retossigmoidoscopia e colonoscopia) são métodos diagnósticos confirmatórios, indicados após um teste de rastreamento positivo ou em grupos de risco elevado. Essa hierarquia — teste inicial não invasivo → confirmação por exame invasivo — é o princípio que organiza o rastreamento do câncer colorretal.
O rastreamento do câncer colorretal é uma das estratégias mais eficazes de prevenção e detecção precoce, pois a maioria dos casos se desenvolve a partir de pólipos adenomatosos, que podem ser identificados e removidos antes da malignização. O objetivo do rastreamento é detectar a doença em estágio inicial ou lesões precursoras em indivíduos assintomáticos, reduzindo a mortalidade. Para isso, utilizam-se testes que se dividem em duas categorias principais: os testes de suspeição (não invasivos, que identificam sangue oculto ou DNA fecal) e os exames de confirmação (endoscópicos ou de imagem, que visualizam diretamente a mucosa e permitem biópsia).
A pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) é o teste de suspeição mais clássico e o primeiro a ser realizado em programas de rastreamento populacional. Existem duas modalidades: a pesquisa de sangue oculto nas fezes por método guaiaco (PSOF-g), que detecta a atividade peroxidase do grupo heme, e o teste imunoquímico fecal (FIT), que utiliza anticorpos contra a hemoglobina humana, sendo mais específico e não exigindo restrições dietéticas. O FIT é atualmente o método preferido por sua maior acurácia e adesão. Quando o resultado é positivo, o paciente é encaminhado para colonoscopia, que é o exame padrão-ouro para confirmação diagnóstica e permite a remoção de pólipos.
A colonoscopia e a retossigmoidoscopia são exames endoscópicos que visualizam diretamente o cólon. A colonoscopia avalia todo o cólon e é o exame de confirmação após um teste de rastreamento positivo; também pode ser usada como método de rastreamento primário em alguns contextos, mas não é o primeiro teste de suspeição em programas populacionais, devido ao custo, à necessidade de preparo intestinal e aos riscos de complicações. A retossigmoidoscopia avalia apenas o reto e o sigmoide, sendo menos abrangente. A tomografia computadorizada da pelve não é um exame de rastreamento do câncer colorretal; a colonografia por TC (colonoscopia virtual) é uma alternativa, mas não é o primeiro teste de suspeição. Os testes imunohistoquímicos fecais não existem como método de rastreamento; o termo correto é teste imunoquímico fecal (FIT), que é uma modalidade da PSOF.
A banca explora a confusão entre o teste de suspeição e o exame confirmatório. O candidato pode ser tentado a marcar colonoscopia por ser o exame mais completo, mas a pergunta pede explicitamente o primeiro teste de suspeição, que é a PSOF. Essa distinção é fundamental na prática clínica e em programas de saúde pública, pois o rastreamento populacional prioriza testes simples, baratos e não invasivos, reservando os exames invasivos para confirmação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o teste de suspeição (PSOF) pelo exame confirmatório (colonoscopia). A colonoscopia é o padrão-ouro para diagnóstico, mas não é o primeiro teste em programas de rastreamento — ela é indicada após um teste de suspeição positivo ou em grupos de risco elevado. Fique atento ao termo "primeiro teste de suspeição".
1Teste de suspeição (PSOF/FIT)
2[+] Positivo → colonoscopia
3Confirmação diagnóstica
4Tratamento
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada da pelve não é um exame de rastreamento do câncer colorretal. A colonografia por TC (colonoscopia virtual) pode ser usada como método de rastreamento em alguns protocolos, mas não é o primeiro teste de suspeição e não é realizada na pelve isoladamente. O exame de imagem para rastreamento seria a colonografia por TC, que exige preparo intestinal e é mais cara e menos acessível que a PSOF.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A retossigmoidoscopia é um exame endoscópico que visualiza apenas o reto e o sigmoide. Embora possa ser usada como método de rastreamento em alguns protocolos, não é o primeiro teste de suspeição em programas populacionais, pois é invasiva, exige preparo intestinal e tem menor abrangência que a colonoscopia. O primeiro teste é a PSOF.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Não existe "teste imunohistoquímico fecal" como método de rastreamento. O termo correto é teste imunoquímico fecal (FIT), que é uma modalidade da pesquisa de sangue oculto nas fezes. A alternativa tenta confundir com a imunohistoquímica, que é uma técnica de patologia para análise de tecidos, não de fezes. O FIT é um teste de suspeição, mas a nomenclatura apresentada está incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A colonoscopia é o exame padrão-ouro para confirmação diagnóstica do câncer colorretal, permitindo visualizar todo o cólon e realizar biópsias e polipectomia. No entanto, não é o primeiro teste de suspeição em programas de rastreamento populacional, pois é invasiva, cara, exige preparo intestinal e tem riscos de complicações. Ela é indicada após um teste de suspeição positivo ou em indivíduos de alto risco.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) é o primeiro teste de suspeição no rastreamento do câncer colorretal. É um exame não invasivo, de baixo custo e fácil execução, adequado para programas populacionais. O teste imunoquímico fecal (FIT) é a modalidade preferida atualmente. Quando positivo, o paciente é encaminhado para colonoscopia para confirmação diagnóstica.