Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg115422
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Ginecologia
Gestante de 21 semanas, com diabetes gestacional, realiza ultrassonografia morfológica de 2º trimestre que encontra uma massa cística na fossa posterior do cérebro fetal. O ultrassonografista informa que se trata de um remanescente embrionário constituído por uma membrana localizada abaixo do vermis cerebelar e que comumente tem um desenvolvimento neurológico normal.Diante dessa descrição, o diagnóstico mais provável é de:
Acisto da bolsa de Blake;
Bteratoma intracraniano;
Cmegacisterna magna;
Dmalformação de Dandy-Walker;
Eependimoma.
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GabaritoA — cisto da bolsa de Blake;
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Cisto da bolsa de Blake: diagnóstico diferencial na fossa posterior fetal
Gabarito: letra A. A descrição — massa cística na fossa posterior, formada por remanescente embrionário (membrana abaixo do vermis cerebelar) e com desenvolvimento neurológico normalmente preservado — é a definição clássica do cisto da bolsa de Blake, uma das entidades do espectro das anormalidades da fossa posterior, ao lado da megacisterna magna e da malformação de Dandy-Walker. O que decide a questão é a associação entre a localização anatômica (abaixo do vermis), a natureza embrionária (remanescente da bolsa de Blake) e o bom prognóstico neurológico, que afasta as demais alternativas.
O cisto da bolsa de Blake é uma estrutura cística da fossa posterior que resulta da falha na fenestração da membrana que recobre a bolsa de Blake, um remanescente embrionário do teto do quarto ventrículo. Na ultrassonografia morfológica de segundo trimestre, ele se apresenta como uma coleção líquida retrocerebelar, com o vermis cerebelar íntegro e normalmente posicionado, porém elevado e rotacionado para cima. A membrana que o delimita é fina e pode ser visualizada abaixo do vermis, exatamente como descrito no enunciado. O ponto-chave é que, na maioria dos casos, o desenvolvimento neurológico é normal, pois o parênquima cerebelar não é afetado — diferentemente do que ocorre na malformação de Dandy-Walker, em que há agenesia ou hipoplasia do vermis, com consequente pior prognóstico.
Para entender a questão, é essencial dominar o espectro das anormalidades da fossa posterior, que inclui: (1) megacisterna magna — aumento da cisterna magna com vermis íntegro e sem deslocamento; (2) cisto da bolsa de Blake — cisto retrocerebelar com vermis elevado, porém íntegro; (3) malformação de Dandy-Walker — agenesia/hipoplasia do vermis com cisto da fossa posterior comunicante; e (4) agenesia do vermis — ausência completa do vermis. A distinção entre essas entidades é feita pela integridade do vermis e pela posição do tentório, e o prognóstico varia conforme o comprometimento cerebelar.
Na prática, o ultrassonografista deve avaliar cuidadosamente a morfologia do vermis, a presença da membrana cística e a comunicação com o quarto ventrículo. No cisto da bolsa de Blake, o vermis está presente e íntegro, mas pode estar levemente rotacionado; a membrana é visível abaixo dele. Já na Dandy-Walker, o vermis é hipoplásico ou ausente, e o cisto se comunica amplamente com o quarto ventrículo. A megacisterna magna, por sua vez, não apresenta membrana e o vermis está em posição normal. Esses detalhes anatômicos são decisivos para o diagnóstico diferencial.
A banca explora exatamente a confusão entre o cisto da bolsa de Blake e a malformação de Dandy-Walker, pois ambos cursam com cisto na fossa posterior. No entanto, a descrição de "remanescente embrionário" e "desenvolvimento neurológico normal" aponta diretamente para o cisto da bolsa de Blake, que tem prognóstico favorável, enquanto a Dandy-Walker frequentemente associa-se a atraso do desenvolvimento e outras malformações. A megacisterna magna também tem bom prognóstico, mas não apresenta a membrana característica descrita. As demais alternativas — teratoma intracraniano e ependimoma — são lesões tumorais, não remanescentes embrionários císticos, e não se encaixam na descrição.
Guarde a fronteira entre as entidades da fossa posterior: a presença da membrana abaixo do vermis íntegro é a assinatura do cisto da bolsa de Blake, enquanto a agenesia do vermis define a Dandy-Walker. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.
Critério
Cisto da bolsa de Blake
Megacisterna magna
Malformação de Dandy-Walker
Vermis cerebelar
Íntegro, porém elevado/rotacionado
Íntegro, em posição normal
Ausente ou hipoplásico
Membrana cística
Presente, abaixo do vermis
Ausente
Ausente (cisto comunicante)
Prognóstico neurológico
Normal na maioria dos casos
Normal
Frequentemente anormal (atraso, hidrocefalia)
Anormalidades da fossa posterior: Cisto da bolsa de Blake (vermis íntegro, membrana abaixo do vermis, desenvolvimento neurológico normal); Megacisterna magna (vermis íntegro, sem membrana, bom prognóstico); Dandy-Walker (agenesia/hipoplasia do vermis, cisto comunicante, atraso do desenvolvimento)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O cisto da bolsa de Blake é um remanescente embrionário da membrana que recobre a bolsa de Blake, localizado abaixo do vermis cerebelar, que se apresenta como massa cística na fossa posterior. A integridade do vermis e o desenvolvimento neurológico normalmente normal são características que confirmam o diagnóstico, conforme descrito no enunciado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O teratoma intracraniano é uma neoplasia germinativa, não um remanescente embrionário cístico. Apresenta-se como massa sólida ou mista, frequentemente com calcificações, e não se limita à fossa posterior. O prognóstico é reservado, ao contrário do bom prognóstico descrito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A megacisterna magna é um aumento da cisterna magna, sem membrana visível e com vermis em posição normal, sem elevação. Embora tenha bom prognóstico, não apresenta a membrana abaixo do vermis descrita no enunciado, sendo essa a diferença crucial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A malformação de Dandy-Walker caracteriza-se por agenesia ou hipoplasia do vermis cerebelar, com cisto da fossa posterior comunicante. O desenvolvimento neurológico frequentemente é anormal, com atraso do desenvolvimento e hidrocefalia, o que contraria a descrição de "desenvolvimento neurológico normal".
Alternativa E — ❌ Incorreta
O ependimoma é um tumor glial que pode ocorrer no sistema nervoso central, mas não é um remanescente embrionário cístico da fossa posterior. Apresenta-se como massa sólida ou cística, mas com características neoplásicas, não se encaixando na descrição de membrana abaixo do vermis com bom prognóstico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o cisto da bolsa de Blake pela malformação de Dandy-Walker, explorando a associação automática entre cisto na fossa posterior e Dandy-Walker. A chave é a integridade do vermis e o bom prognóstico: se o vermis está íntegro e o desenvolvimento é normal, o diagnóstico é cisto da bolsa de Blake, não Dandy-Walker.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as entidades da fossa posterior, avalie três critérios: (1) integridade do vermis, (2) presença de membrana cística, (3) posição do tentório. Monte uma tabela mental: megacisterna magna (vermis íntegro, sem membrana), cisto da bolsa de Blake (vermis íntegro, com membrana), Dandy-Walker (vermis ausente/hipoplásico, com cisto).