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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg115424
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Ginecologia
Paciente inicia quadro de hemorragia pós-parto. O médico assistente opta por usar o balão de tampão intrauterino.O seu uso seria justificado na seguinte situação:
  1. Aem caso de hemorragia após parto vaginal por suspeita de laceração uterina;
  2. Bem caso de hemorragia relacionada à placenta prévia durante uma cesariana;
  3. Cem caso de hemorragia após um parto vaginal por suspeita de retenção placentária;
  4. Dem caso de hemorragia com suspeita de infecção intrauterina associada;
  5. Ecomo profilaxia de sangramento em situações de alto risco de hemorragia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — em caso de hemorragia relacionada à placenta prévia durante uma cesariana;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Balão de tampão intrauterino na hemorragia pós-parto

Gabarito: letra B. O balão de tampão intrauterino é um dispositivo mecânico de compressão da cavidade uterina, indicado no tratamento da hemorragia pós-parto (HPP) por atonia uterina — a causa mais comum, responsável por cerca de 80% dos casos. Na situação descrita, a hemorragia relacionada à placenta prévia durante uma cesariana frequentemente cursa com atonia do segmento uterino inferior, sendo o balão uma ferramenta útil para tamponar o sangramento. As demais alternativas trazem situações em que o balão é contraindicado ou não é a conduta de primeira linha, pois exigem abordagem cirúrgica ou medicamentosa específica.

A hemorragia pós-parto é definida como sangramento > 500 mL em parto vaginal, ou a impressão subjetiva de sangramento maior que o habitual. Suas principais etiologias são resumidas pela regra dos 4 Ts: Tônus (atonia uterina), Tecido (retenção placentária), Trauma (lacerações do canal de parto) e Trombina (coagulopatias). O balão de tampão intrauterino atua diretamente sobre o componente tônus: ao ser insuflado dentro da cavidade uterina, ele promove compressão mecânica das artérias espiraladas, reduzindo o fluxo sanguíneo e favorecendo a hemostasia. Estudos mostram que seu uso pode reduzir a necessidade de intervenção cirúrgica em até 50% dos casos, além de ganhar tempo para programar terapêutica adicional, como embolização arterial ou cirurgia conservadora.

O mecanismo de ação do balão é puramente mecânico, o que explica suas indicações e contraindicações. Ele é eficaz quando o sangramento decorre de falha de contratilidade uterina (atonia), pois a compressão direta da cavidade controla o sangramento difuso. Por outro lado, o balão não é eficaz em situações em que há um ponto de sangramento ativo que não responde à compressão, como lacerações do canal de parto, retenção de tecidos placentários, infecção intrauterina ou coagulopatias. Nessas condições, a conduta deve ser direcionada à causa específica: sutura de lacerações, curetagem uterina, antibioticoterapia ou correção do distúrbio de coagulação.

Na prática, o balão é utilizado como medida de segunda linha no manejo da HPP por atonia, após falha dos uterotônicos (ocitocina, ergometrina, misoprostol) e da massagem uterina. Ele pode ser inserido por via vaginal ou durante uma cesariana, e sua insuflação deve ser progressiva, com controle do volume e monitorização do sangramento. A alternativa B menciona a placenta prévia durante cesariana: nesse cenário, o sangramento ocorre frequentemente do segmento uterino inferior, que é pouco contrátil, e o balão pode ser útil para tamponar essa área específica, especialmente quando há atonia associada. É uma indicação aceita na literatura obstétrica, embora a conduta inicial seja a sutura do leito placentário e a administração de uterotônicos.

A pegadinha da questão está em associar o balão a qualquer tipo de hemorragia pós-parto, sem considerar a etiologia. O candidato que decora a indicação "balão para HPP" sem entender o mecanismo de ação tende a marcar a alternativa A (laceração uterina) ou C (retenção placentária), que são causas de sangramento que não respondem à compressão mecânica. A distinção crucial é: o balão trata a atonia (falha de contratilidade), não o trauma (laceração) nem o tecido (retenção). A infecção intrauterina (alternativa D) é contraindicação relativa, pois o dispositivo pode servir como corpo estranho e perpetuar a infecção. A profilaxia (alternativa E) não é indicação estabelecida, pois o balão é um dispositivo terapêutico, não preventivo.

Guarde a fronteira entre as causas de HPP e o mecanismo de ação do balão: ele comprime a cavidade uterina, portanto só é útil quando o sangramento é difuso e decorre de falha de contratilidade. Essa é a chave para separar as alternativas.

Situação clínica

Etiologia (4 Ts)

O balão é indicado?

Conduta correta

Laceração uterina (A)

Trauma

❌ Não

Sutura cirúrgica da laceração

Placenta prévia durante cesariana (B)

Tônus (atonia do segmento inferior)

✅ Sim

Balão de tampão intrauterino (após uterotônicos)

Retenção placentária (C)

Tecido

❌ Não

Curetagem/remoção manual dos restos placentários

Infecção intrauterina (D)

Tônus + infecção

❌ Não (contraindicação relativa)

Antibioticoterapia + uterotônicos

Profilaxia em alto risco (E)

❌ Não (uso terapêutico, não preventivo)

Manejo ativo do 3º período (ocitocina, tração controlada)

1Indicação
Atonia uterina (2ª linha)
HPP por placenta prévia
2Contraindicações
Laceração (trauma)
Retenção placentária (tecido)
Infecção intrauterina
Coagulopatia (trombina)
3Mecanismo
Compressão mecânica da cavidade
Não trata causa específica
Balão de tampão intrauterino
LEVELsoulevel.com.br
Balão de tampão intrauterino: Indicação (Atonia uterina (2ª linha), HPP por placenta prévia); Contraindicações (Laceração (trauma), Retenção placentária (tecido), Infecção intrauterina, Coagulopatia (trombina)); Mecanismo (Compressão mecânica da cavidade, Não trata causa específica)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A laceração uterina (ou do canal de parto) é uma causa de HPP por trauma, que não responde à compressão mecânica do balão. O sangramento é localizado e contínuo, exigindo sutura cirúrgica da laceração. O balão não promove hemostasia sobre um vaso roto; ele apenas comprime a cavidade uterina como um todo. A conduta correta é a revisão do canal de parto e a sutura da lesão.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Na hemorragia relacionada à placenta prévia durante cesariana, o sangramento frequentemente ocorre do segmento uterino inferior, que é pouco contrátil e propenso à atonia. O balão de tampão intrauterino pode ser inserido durante a cesariana para comprimir essa área e controlar o sangramento difuso. É uma indicação aceita, especialmente quando há atonia associada ou sangramento persistente após a retirada da placenta e a sutura do leito placentário. O balão atua como medida de segunda linha, após falha dos uterotônicos, e pode evitar uma histerectomia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A retenção placentária é uma causa de HPP por tecido. O balão não remove o tecido retido e não trata a causa do sangramento. A conduta correta é a curetagem uterina ou a remoção manual dos restos placentários, seguida de uterotônicos. O balão poderia até mascarar o sangramento, mas não resolveria o problema de base, e a persistência do tecido retido aumentaria o risco de infecção.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A infecção intrauterina (endometrite) é uma contraindicação relativa ao uso do balão. O dispositivo intrauterino pode servir como corpo estranho, perpetuando a infecção e dificultando o tratamento. Além disso, o sangramento na infecção geralmente é decorrente de falha de contratilidade associada à inflamação, mas o risco de sepse contraindica a inserção de um corpo estranho. A conduta correta é antibioticoterapia e uterotônicos, com abordagem cirúrgica se necessário.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O balão de tampão intrauterino é um dispositivo terapêutico, não preventivo. Não há evidência que suporte seu uso profilático em situações de alto risco de hemorragia. A profilaxia da HPP é feita com manejo ativo do terceiro período do parto, incluindo administração de ocitocina, tração controlada do cordão e massagem uterina. O balão só deve ser utilizado quando o sangramento já está instalado e não responde às medidas iniciais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre "hemorragia pós-parto" e "balão intrauterino", sem considerar a etiologia. O candidato que decora a indicação sem entender o mecanismo de ação tende a marcar laceração (A) ou retenção placentária (C), que são causas de sangramento que não respondem à compressão mecânica. Lembre-se: o balão trata a atonia (falha de contratilidade), não o trauma nem o tecido. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de HPP, monte um fluxo mental: identifique a causa (4 Ts) → trate a causa específica → use o balão apenas se for atonia refratária. Na prova, desconfie de alternativas que mencionam laceração, retenção ou infecção como indicação de balão — elas estão testando exatamente essa distinção.

Gabarito: letra B

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