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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg115425
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Ginecologia
Ultrassonografia evidencia um feto com 26 semanas com ascite, derrame pleural, edema de tecido celular subcutâneo e polidrâmnio. Não foram encontrados sinais de anemia fetal grave ao Doppler da artéria cerebral média.Tem que fazer parte da propedêutica, nesse caso:
  1. Aecocardiografia fetal e cordocentese para hematócrito fetal;
  2. Bbiópsia de vilo corial e ecocardiografia fetal;
  3. Cpesquisa de infecções maternas e biópsia de vilo corial;
  4. Dcariótipo fetal e pesquisa para diabetes gestacional;
  5. Eecocardiografia fetal e pesquisa de infecções maternas.
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GabaritoE — ecocardiografia fetal e pesquisa de infecções maternas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hidropsia fetal não imune: propedêutica diagnóstica

Gabarito: letra E. O quadro descrito — ascite, derrame pleural, edema subcutâneo e polidrâmnio em feto de 26 semanas, sem anemia fetal grave ao Doppler da artéria cerebral média — configura hidropsia fetal não imune (HFNI). Nesse cenário, a propedêutica obrigatória inclui ecocardiografia fetal (para afastar cardiopatia estrutural ou arritmia, causas cardíacas de HFNI) e pesquisa de infecções maternas (como toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, sífilis e parvovírus B19, que podem cursar com hidropsia). A ausência de anemia fetal grave direciona a investigação para as causas não hematológicas, tornando a combinação da letra E a mais adequada.

A hidropsia fetal é definida pelo acúmulo anormal de líquido em pelo menos dois compartimentos fetais (pele, pleura, pericárdio, peritônio) ou por um derrame associado a edema generalizado. Quando não há imunização Rh (ou outra incompatibilidade sanguínea materno-fetal), falamos em hidropsia fetal não imune, que corresponde à grande maioria dos casos atualmente. As causas são múltiplas e incluem: cardiopatias congênitas e arritmias (responsáveis por cerca de 20-30% dos casos), anomalias cromossômicas (como trissomias), infecções congênitas (TORCHS), anemia fetal (por parvovírus B19, talassemia, perda sanguínea), doenças metabólicas, malformações torácicas (como hérnia diafragmática e malformação adenomatoide cística), doenças genéticas e síndromes de transfusão feto-fetal.

O Doppler da artéria cerebral média (ACM) é um marcador indireto de anemia fetal: o aumento da velocidade de pico sistólico (PSV) acima de 1,5 múltiplos da mediana (MoM) sugere anemia fetal significativa. No caso apresentado, o PSV da ACM não está elevado, o que afasta anemia fetal grave como causa provável da hidropsia. Isso é crucial, pois direciona a investigação para outras etiologias, principalmente cardíacas e infecciosas.

A ecocardiografia fetal é um exame essencial na propedêutica da HFNI, pois as cardiopatias congênitas e as arritmias (como taquicardia supraventricular) são causas frequentes e potencialmente tratáveis. A pesquisa de infecções maternas (sorologias para toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes, sífilis, parvovírus B19, entre outras) também é fundamental, pois infecções congênitas podem cursar com hidropsia, mesmo sem anemia grave detectada pelo Doppler. A cordocentese (punção do cordão umbilical para obtenção de sangue fetal) pode ser indicada para avaliação de anemia fetal, cariótipo e infecções, mas não é o primeiro passo quando o Doppler da ACM não sugere anemia. A biópsia de vilo corial é um exame de primeiro trimestre (11-14 semanas) para diagnóstico genético, não sendo indicada na investigação de hidropsia fetal com 26 semanas. A pesquisa de diabetes gestacional não faz parte da propedêutica da HFNI, embora o diabetes materno descompensado possa estar associado a outras complicações fetais.

A pegadinha desta questão está em associar a hidropsia fetal à anemia grave e, consequentemente, à necessidade de cordocentese para hematócrito fetal. No entanto, o enunciado explicitamente afirma que não foram encontrados sinais de anemia fetal grave ao Doppler da ACM, o que torna a cordocentese para hematócrito menos prioritária. A banca explora a confusão entre hidropsia imune (associada à anemia por isoimunização Rh) e hidropsia não imune, onde as causas cardíacas e infecciosas ganham destaque.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ecocardiografia fetal é indicada, mas a cordocentese para hematócrito fetal não é a primeira escolha, pois o Doppler da ACM não sugere anemia fetal grave. A cordocentese é um procedimento invasivo, com risco de perda fetal, e deve ser reservada para casos em que a anemia é suspeitada ou confirmada por outros métodos. Neste caso, a ausência de anemia grave ao Doppler torna a cordocentese menos prioritária na propedêutica inicial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ecocardiografia fetal é indicada, mas a biópsia de vilo corial é um exame do primeiro trimestre (11-14 semanas) para diagnóstico genético pré-natal. Com 26 semanas, a biópsia de vilo corial não é mais viável nem indicada; para avaliação genética nessa fase, utiliza-se a amniocentese ou a cordocentese. Além disso, a biópsia de vilo corial não faz parte da propedêutica da hidropsia fetal não imune.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A pesquisa de infecções maternas é indicada, mas a biópsia de vilo corial não é apropriada para a idade gestacional de 26 semanas. A biópsia de vilo corial é realizada no primeiro trimestre para diagnóstico genético; na hidropsia fetal com 26 semanas, a investigação genética, se necessária, seria feita por amniocentese ou cordocentese. A combinação está, portanto, incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O cariótipo fetal pode ser considerado na investigação de hidropsia fetal, especialmente se houver suspeita de anomalia cromossômica, mas a pesquisa para diabetes gestacional não faz parte da propedêutica da HFNI. O diabetes materno descompensado pode estar associado a outras complicações (como macrossomia), mas não é uma causa clássica de hidropsia fetal não imune. A combinação não aborda as causas mais relevantes (cardíacas e infecciosas).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ecocardiografia fetal é essencial para avaliar cardiopatias congênitas e arritmias, causas frequentes de HFNI. A pesquisa de infecções maternas (sorologias para TORCHS e parvovírus B19) é fundamental, pois infecções congênitas podem cursar com hidropsia, mesmo sem anemia grave detectada pelo Doppler da ACM. Esta combinação aborda as duas principais etiologias não hematológicas da hidropsia fetal não imune, sendo a propedêutica mais adequada para o caso.

Gabarito: letra E

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