Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg115426
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Ginecologia
Uma gestante realiza ultrassonografia morfológica de 2º trimestre e é identificada massa hiperecoica no hemitórax direito do feto, que recebe vascularização por uma artéria que sai direto da aorta.Tal achado é compatível com o seguinte diagnóstico fetal:
Aobstrução traqueal;
Bderrame pleural;
Csequestro pulmonar;
Dhérnia diafragmática;
Emalformação adenomatoide cística.
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GabaritoC — sequestro pulmonar;
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Gabarito: letra C. A massa hiperecoica no hemitórax direito com vascularização por artéria que sai diretamente da aorta é a descrição clássica do sequestro pulmonar — uma massa de tecido pulmonar não funcionante, sem conexão com a árvore traqueobrônquica, que recebe suprimento sanguíneo sistêmico (geralmente da aorta). O achado decisivo é a vascularização sistêmica, que diferencia o sequestro das demais massas torácicas fetais.
O sequestro pulmonar é uma malformação congênita do trato respiratório inferior, caracterizada por tecido pulmonar que não se comunica com o trato traqueobrônquico normal e recebe irrigação de uma artéria sistêmica — na maioria dos casos, um ramo direto da aorta torácica ou abdominal. Essa vascularização anômala é o achado patognomônico que permite o diagnóstico diferencial com outras massas torácicas fetais.
Existem dois tipos principais: o intralobar, que está contido dentro do lobo pulmonar normal e é mais comum em adultos, e o extralobar, que possui pleura própria e é mais frequente no período neonatal. No feto, o sequestro costuma aparecer como uma massa hiperecoica, homogênea, geralmente na base pulmonar esquerda (mas pode ser à direita, como no caso), e o Doppler colorido demonstra a artéria sistêmica vinda da aorta — exatamente o que o enunciado descreve.
O diagnóstico pré-natal é feito pela ultrassonografia morfológica de 2º trimestre, e o achado de uma massa hiperecoica no tórax fetal com vascularização sistêmica é altamente sugestivo de sequestro pulmonar. A confirmação pode ser complementada por ressonância magnética fetal, que ajuda a avaliar a extensão da lesão e o volume pulmonar.
A principal confusão da banca é com a malformação adenomatoide cística (MAC), que também é uma massa hiperecoica no tórax fetal. A diferença crucial é a vascularização: a MAC é irrigada pela artéria pulmonar (circulação pulmonar), enquanto o sequestro recebe sangue da aorta (circulação sistêmica). Esse é o critério que separa as duas entidades e que a questão explora.
Guarde a fronteira: massa hiperecoica torácica fetal + artéria vinda da aorta = sequestro pulmonar. É exatamente nesse detalhe vascular que as alternativas se dividem.
Massa hiperecoica torácica fetal
1Sequestro pulmonar
Vascularização sistêmica (aorta)
Sem conexão traqueobrônquica
Tipos
Intralobar
Extralobar
2Malformação adenomatoide cística
Vascularização pulmonar (artéria pulmonar)
Massa hiperecoica sem vaso da aorta
3Hérnia diafragmática
Alças intestinais/estômago no tórax
Vascularização mesentérica
4Derrame pleural
Área anecoica (líquido)
Sem vascularização própria
5Obstrução traqueal
Pulmão hiperecoico homogêneo
Ascite e hidropisia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A obstrução traqueal (como a atresia de laringe ou a síndrome da brida amniótica) causa aumento do volume pulmonar com ecogenicidade aumentada e homogênea, mas não apresenta a vascularização sistêmica descrita. Além disso, a obstrução traqueal costuma cursar com ascite e hidropisia fetal, achados que não são mencionados no enunciado. O erro está em confundir uma massa hiperecoica com uma obstrução das vias aéreas, que tem fisiopatologia e apresentação distintas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O derrame pleural é uma coleção de líquido no espaço pleural, que na ultrassonografia aparece como uma área anecoica (escura), não hiperecoica. O enunciado descreve uma massa hiperecoica, o que exclui o derrame. Além disso, o derrame não tem vascularização própria — é apenas líquido acumulado. A confusão aqui seria interpretar qualquer imagem torácica anormal como derrame, mas a ecogenicidade e a vascularização apontam para outra direção.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O sequestro pulmonar é a única alternativa que combina massa hiperecoica no tórax fetal com vascularização por artéria sistêmica vinda da aorta. Essa é a descrição clássica da entidade, e o Doppler colorido é a ferramenta que confirma o diagnóstico ao demonstrar o vaso anômalo. A localização no hemitórax direito é possível, embora o lado esquerdo seja mais comum.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hérnia diafragmática é a passagem de vísceras abdominais para o tórax através de um defeito no diafragma. Na ultrassonografia, o achado típico é a presença de alças intestinais ou estômago no hemitórax, frequentemente associado a polidrâmnio e desvio do mediastino. A massa hiperecoica poderia ser confundida com alças intestinais, mas a vascularização pela aorta não é característica da hérnia — as alças têm mesentério com vascularização mesentérica, não uma artéria direta da aorta torácica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A malformação adenomatoide cística (MAC) é a principal confusão com o sequestro pulmonar, pois também se apresenta como massa hiperecoica no tórax fetal. No entanto, a MAC é irrigada pela artéria pulmonar (circulação pulmonar), não pela aorta. A presença de vascularização sistêmica é o critério que diferencia as duas entidades. A banca explora exatamente essa semelhança para induzir ao erro.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o sequestro pulmonar pela malformação adenomatoide cística, explorando a semelhança ultrassonográfica entre as duas massas hiperecoicas torácicas. O detalhe que desfaz a confusão é a vascularização: sequestro recebe sangue da aorta (sistêmica), MAC recebe da artéria pulmonar. Fique atento a esse detalhe no Doppler — é ele que decide a questão.
PEGA ESSA DICA!
Na hora da prova, ao ver uma massa hiperecoica no tórax fetal, pergunte-se: qual é a vascularização? Se vier da aorta, é sequestro pulmonar; se vier da artéria pulmonar, é MAC. Essa pergunta resolve a maioria das questões sobre massas torácicas fetais.