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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg115432
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Ginecologia
Uma grávida com 35 semanas, Gesta IV para III (cesarianas), após um episódio de sangramento vaginal, procurou uma emergência obstétrica. O plantonista realiza exame especular evidenciando sangramento em pequena quantidade pelo orifício cervical. Solicita uma ultrassonografia que evidencia placenta anterior baixa, recobrindo o colo uterino.Nessa situação, a melhor conduta é:
  1. Arealizar cesariana e, após a saída do feto, proceder com retirada manual da placenta;
  2. Brealizar histerectomia subtotal após o nascimento do feto e manter os ovários;
  3. Crealizar toque vaginal para verificar condições cervicais para indução do parto com misoprostol;
  4. Drealizar embolização dos vasos uterinos por equipe de hemodinâmica antes da cesariana;
  5. Eatentar-se a sangramentos de grande volume e programar parto cesáreo em hospital terciário com equipe especializada.
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GabaritoE — atentar-se a sangramentos de grande volume e programar parto cesáreo em hospital terciário com equipe especializada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Placenta prévia: conduta na emergência obstétrica

Gabarito: letra E. O quadro descrito — sangramento vaginal indolor na segunda metade da gestação, com ultrassonografia evidenciando placenta anterior baixa recobrindo o colo uterino — é a apresentação clássica de placenta prévia oclusiva total. A conduta correta é evitar toque vaginal e exame especular (que podem precipitar hemorragia grave), monitorizar a paciente e programar parto cesáreo em hospital terciário com equipe especializada, atentando-se a sangramentos de grande volume. As demais alternativas propõem intervenções inadequadas ou perigosas nesse cenário.

A placenta prévia é definida pela inserção da placenta no segmento uterino inferior, posicionada em frente à apresentação fetal, próximo ou recobrindo o óstio interno da cérvix uterina. O quadro clínico clássico é de uma gestante com mais de 20 semanas com sangramento genital vermelho vivo e indolor. Pacientes com placenta prévia apresentam episódios intermitentes de sangramento, habitualmente de pequeno volume, e não é esperado que evoluam com repercussão hemodinâmica imediata. O diagnóstico é essencialmente ultrassonográfico, sendo a ultrassonografia a melhor ferramenta para caracterizar a inserção placentária, com necessidade de visualização da placenta e do óstio interno da cérvix uterina.

O ponto crítico do manejo é que, na suspeita de placenta prévia, deve ser evitada a realização de toque vaginal e exame especular, pois podem precipitar hemorragia grave. O exame especular, embora realizado no caso descrito, deve ser feito com extrema cautela ou evitado. O médico emergencista deve oferecer monitorização materno-fetal contínua, cuidados de suporte hemodinâmico e encaminhar a paciente para serviço especializado. Ainda que essas pacientes apresentem sangramento de pequena monta sem sinais de instabilidade, não devem receber alta do pronto-socorro até que sejam avaliadas por um obstetra.

A conduta expectante com programação de cesariana eletiva é o padrão para placenta prévia oclusiva total, especialmente em gestação próxima do termo (35 semanas). O parto cesáreo deve ser realizado em ambiente hospitalar com infraestrutura adequada para hemorragia obstétrica, incluindo equipe especializada, banco de sangue e possibilidade de procedimentos de emergência. A histerectomia, a retirada manual da placenta e a embolização vascular são medidas de resgate para hemorragia pós-parto, não condutas de primeira linha na placenta prévia assintomática ou com sangramento de pequeno volume.

A distinção fundamental que separa as alternativas é entre conduta expectante com planejamento do parto versus intervenções agressivas imediatas. Na placenta prévia com sangramento de pequeno volume e feto viável, a conduta é conservadora: monitorização, avaliação da vitalidade fetal e programação do parto cesáreo em local adequado. Intervenções como histerectomia, retirada manual da placenta ou embolização são reservadas para hemorragia maciça ou complicações no momento do parto, não para o manejo inicial.

Placenta prévia
  • 1Definição
    • Inserção no segmento inferior
    • Recobre o óstio interno
  • 2Quadro clínico
    • Sangramento indolor
    • 2ª metade da gestação
  • 3Diagnóstico
    • Ultrassonografia
  • 4Conduta
    • Evitar toque vaginal
    • Evitar exame especular
    • Monitorização materno-fetal
    • Cesariana programada em hospital terciário
  • 5Intervenções de resgate (HPP)
    • Histerectomia
    • Embolização
    • Retirada manual
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A retirada manual da placenta após a saída do feto é uma conduta para retenção placentária ou hemorragia pós-parto, não para placenta prévia. Na placenta prévia, a placenta está inserida no segmento inferior e recobrindo o colo; a retirada manual forçada pode causar sangramento catastrófico e não é o manejo indicado. A cesariana é a via de parto, mas a placenta deve ser removida espontaneamente ou com auxílio cuidadoso, não por retirada manual agressiva como conduta de rotina.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A histerectomia subtotal após o nascimento do feto é uma medida extrema de resgate para hemorragia pós-parto refratária, não uma conduta planejada para placenta prévia. Realizar histerectomia profilática em uma paciente com sangramento de pequeno volume e feto viável é inapropriado e mutilador, sem indicação clínica. A histerectomia só é considerada quando há hemorragia incontrolável que não responde a medidas conservadoras.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Esta é a alternativa mais perigosa. O toque vaginal é terminantemente contraindicado na suspeita de placenta prévia, pois pode precipitar hemorragia grave ao descolar a placenta do óstio interno. A indução do parto com misoprostol também é contraindicada, pois o parto vaginal não é possível quando a placenta recobre o colo uterino (oclusiva total). A via de parto obrigatória é a cesariana.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A embolização dos vasos uterinos é uma técnica de radiologia intervencionista utilizada em casos de hemorragia pós-parto refratária ou em situações específicas de placenta acreta/increta/percreta, não como conduta de rotina antes da cesariana em placenta prévia. Não há indicação de embolização profilática pré-cesariana em placenta prévia não complicada. O procedimento é invasivo, requer equipe especializada e não é a conduta inicial recomendada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa reflete a conduta correta: atentar-se a sangramentos de grande volume (monitorização materna) e programar parto cesáreo em hospital terciário com equipe especializada. Na placenta prévia oclusiva total com 35 semanas, a conduta é expectante com planejamento do parto cesáreo em ambiente adequado para manejo de hemorragia obstétrica. A monitorização materno-fetal contínua, o suporte hemodinâmico e o encaminhamento para serviço especializado são as medidas recomendadas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre placenta prévia e hemorragia pós-parto (HPP). Na placenta prévia, o sangramento é de pequeno volume e a conduta é expectante com cesariana programada; na HPP, o sangramento é maciço e exige intervenções agressivas (histerectomia, embolização, retirada manual). As alternativas A, B e D descrevem condutas de HPP, não de placenta prévia. A alternativa C é a armadilha clássica: o toque vaginal, que é contraindicado na suspeita de placenta prévia por risco de hemorragia grave.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, identifique o diagnóstico pelo quadro clínico: sangramento vaginal indolor na segunda metade da gestação + ultrassom mostrando placenta sobre o colo = placenta prévia. A conduta é sempre: evitar toque vaginal, monitorizar, programar cesariana em local adequado. Intervenções agressivas (histerectomia, embolização, retirada manual) são reservadas para hemorragia pós-parto, não para o manejo inicial da placenta prévia.

Gabarito: letra E

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