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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg115433
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Ginecologia
Uma paciente com gestação de 10 semanas teve sangramento vaginal e realizou ultrassonografia. O exame observou gestação tópica, com feto apresentando malformações e placenta espessada com múltiplas imagens anecoicas em seu interior. A dosagem de beta-HCG foi de 500.000 mUI/mL.Ao ser coletado o cariótipo desse feto, o resultado será:
  1. Anormal;
  2. Btriploidia;
  3. Ctrissomia do cromossomo 21;
  4. Dmonossomia do cromossomo X;
  5. Etrissomia do cromossomo 18.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — triploidia;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mola hidatiforme e triploidia: diagnóstico citogenético

Gabarito: letra B. O quadro descrito — gestação tópica com feto malformado, placenta espessada com múltiplas imagens anecoicas (aspecto de "tempestade de neve") e beta-HCG extremamente elevado (500.000 mUI/mL) — é a apresentação clássica da mola hidatiforme parcial, cuja base citogenética é a triploidia (69 cromossomos). A associação entre mola parcial e triploidia é um conceito consolidado em ginecologia e obstetrícia, e é exatamente o que a alternativa B espelha.

A mola hidatiforme é uma doença trofoblástica gestacional caracterizada pela proliferação anormal do trofoblasto. Ela se divide em dois tipos principais: a mola completa e a mola parcial. A mola completa resulta da fertilização de um óvulo vazio (sem material genético materno) por um espermatozoide que se duplica, resultando em cariótipo 46,XX (ou, raramente, 46,XY) — todo o genoma é de origem paterna. Já a mola parcial resulta da fertilização de um óvulo normal por dois espermatozoides, gerando um cariótipo triploide (69 cromossomos), com material genético materno e paterno. É por isso que a mola parcial está associada à triploidia, enquanto a mola completa tem cariótipo diploide.

Na prática clínica, a distinção entre os dois tipos é fundamental, pois o risco de malignização (corioncarcinoma) é maior na mola completa. A mola parcial, embora também possa evoluir para doença trofoblástica persistente, tem menor potencial maligno. O diagnóstico é feito pela ultrassonografia (que mostra a placenta espessada com múltiplas imagens anecoicas, o chamado "aspecto em tempestade de neve") e pela dosagem de beta-HCG, que costuma estar muito elevada, como no caso da paciente (500.000 mUI/mL). A presença de feto com malformações é um achado típico da mola parcial, pois na mola completa geralmente não há feto viável.

A banca explora aqui a associação automática entre "beta-HCG muito alto" e "mola hidatiforme", mas o detalhe decisivo é a presença de feto com malformações. Na mola completa, não há feto; na mola parcial, o feto pode estar presente, mas é inviável e frequentemente apresenta malformações. Esse achado, somado à placenta espessada com imagens anecoicas, aponta diretamente para a mola parcial e, consequentemente, para a triploidia. Guarde essa distinção: mola completa = 46,XX/XY (diploide) e sem feto; mola parcial = 69 (triploide) e com feto malformado — é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Mola hidatiforme
  • 1Completa
    • Cariótipo 46,XX/XY (diploide)
    • Sem feto
    • Maior risco de malignização
  • 2Parcial
    • Cariótipo 69 (triploide)
    • Feto malformado presente
    • Menor risco de malignização
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o cariótipo será normal (46,XX ou 46,XY). Isso contraria a fisiopatologia da mola hidatiforme parcial, que é uma doença trofoblástica gestacional com base citogenética anômala. A presença de feto malformado, placenta espessada com imagens anecoicas e beta-HCG de 500.000 mUI/mL é incompatível com um cariótipo normal. A mola parcial é, por definição, uma gestação anormal com cariótipo triploide.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A triploidia (69 cromossomos) é o cariótipo característico da mola hidatiforme parcial. A fertilização de um óvulo por dois espermatozoides gera um zigoto triploide, que se desenvolve como mola parcial, com feto malformado e placenta espessada com múltiplas imagens anecoicas. O beta-HCG extremamente elevado (500.000 mUI/mL) é um marcador típico da doença trofoblástica gestacional, reforçando o diagnóstico. A alternativa está correta ao associar o quadro clínico à triploidia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A trissomia do cromossomo 21 (síndrome de Down) é uma aneuploidia autossômica que pode causar malformações fetais, mas não está associada à placenta espessada com múltiplas imagens anecoicas nem a níveis tão elevados de beta-HCG. O quadro descrito é de doença trofoblástica gestacional, não de uma trissomia simples. A trissomia 21 não explica o aspecto ultrassonográfico da placenta nem o beta-HCG de 500.000 mUI/mL.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A monossomia do cromossomo X (síndrome de Turner, 45,X) é uma aneuploidia dos cromossomos sexuais que pode cursar com malformações fetais, mas não se manifesta com placenta espessada e múltiplas imagens anecoicas, nem com beta-HCG extremamente elevado. A síndrome de Turner não é uma doença trofoblástica gestacional e não explica o quadro ultrassonográfico descrito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A trissomia do cromossomo 18 (síndrome de Edwards) é uma aneuploidia autossômica grave que causa múltiplas malformações fetais, mas, assim como a trissomia 21, não está associada à placenta espessada com imagens anecoicas nem a níveis tão altos de beta-HCG. O quadro é de mola hidatiforme parcial, cuja base citogenética é a triploidia, não uma trissomia simples.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato ao listar aneuploidias comuns (trissomias 21 e 18, monossomia X) que também causam malformações fetais. O candidato que associa "malformação fetal" a "alteração cromossômica" pode cair em uma dessas opções. No entanto, o achado-chave é a placenta espessada com múltiplas imagens anecoicas (aspecto de "tempestade de neve") e o beta-HCG de 500.000 mUI/mL, que apontam inequivocamente para doença trofoblástica gestacional. E, dentro das doenças trofoblásticas, a presença de feto malformado indica mola parcial, cujo cariótipo é triploide. Fique atento: mola completa não tem feto; mola parcial tem feto malformado e é triploide.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de doença trofoblástica gestacional, monte uma tabela mental comparando mola completa e mola parcial:

Característica

Mola completa

Mola parcial

Cariótipo

46,XX (ou 46,XY)

69 (triploide)

Origem genética

Óvulo vazio + espermatozoide duplicado

Óvulo normal + 2 espermatozoides

Feto

Ausente

Presente, mas malformado

Risco de malignização

Maior

Menor

Beta-HCG

Muito elevado

Elevado, mas geralmente menor

Essa tabela resolve a maioria das questões sobre o tema. Decore o par "mola parcial = triploidia" e "mola completa = diploide".

Gabarito: letra B — triploidia.

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