Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg115437
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Ginecologia
Uma gestante realiza ultrassonografia de rotina e, após o achado, seu obstetra solicita uma ressonância magnética nuclear (RMN) para melhor avaliar o feto. A paciente se sente bastante receosa pelos possíveis riscos desse exame para o seu filho.Sobre esse exame na gravidez, é correto afirmar que:
Aa RMN ainda não se mostrou eficaz na avaliação da hérnia diafragmática congênita;
Ba RMN tem algumas limitações para a avaliação de malformações esqueléticas;
Co gadolínio não atravessa a barreira placentária, portanto, ele pode ser usado em gestantes;
Da RMN substitui a ultrassonografia obstétrica na avaliação de quase todas as estruturas fetais;
Ea RMN tem grandes limitações para a adequada avaliação fetal em pacientes obesas.
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GabaritoB — a RMN tem algumas limitações para a avaliação de malformações esqueléticas;
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Ressonância magnética na gestação: segurança e aplicações
Gabarito: letra B. A ressonância magnética (RM) é um método de imagem seguro e útil na gestação, mas apresenta limitações específicas — entre elas, a avaliação de malformações esqueléticas fetais, que são melhor caracterizadas pela ultrassonografia (US) e, em alguns casos, pela tomografia computadorizada (TC) de baixa dose. A alternativa B está correta ao reconhecer essa limitação, enquanto as demais contêm erros conceituais sobre a segurança do contraste, o papel da RM em relação à US e a eficácia do método em situações específicas.
A RM é uma modalidade de imagem que utiliza campos magnéticos e ondas de rádio para gerar imagens detalhadas dos tecidos moles, sem exposição à radiação ionizante. Essa característica a torna particularmente atraente na avaliação fetal, pois elimina o risco de danos por radiação ao feto em desenvolvimento. Na prática obstétrica, a RM é frequentemente solicitada como exame complementar à US, quando esta é inconclusiva ou quando há suspeita de anomalias complexas do sistema nervoso central, tórax, abdome ou trato urinário fetal. A US permanece o método de rastreamento inicial e principal, sendo a RM uma ferramenta de segunda linha para esclarecer achados duvidosos ou para planejamento cirúrgico pós-natal.
A segurança da RM na gestação é um ponto central da questão. A literatura e as diretrizes de sociedades de radiologia e obstetrícia consideram a RM segura em qualquer trimestre, desde que não haja contraindicações específicas, como a presença de dispositivos metálicos incompatíveis. No entanto, o uso de agentes de contraste à base de gadolínio é desaconselhado durante a gravidez, pois o gadolínio atravessa a barreira placentária e pode se acumular no líquido amniótico e nos tecidos fetais. Embora os efeitos adversos não estejam totalmente estabelecidos, a prudência recomenda evitar o contraste, a menos que o benefício potencial justifique o risco. Essa é uma distinção crucial que a alternativa C ignora.
Outro ponto importante é a relação entre RM e US na avaliação fetal. A RM não substitui a US; ela a complementa. A US é superior na avaliação de estruturas em movimento, como o coração fetal, e na detecção de malformações esqueléticas, devido à sua capacidade de visualizar ossos em tempo real e à sua maior disponibilidade e menor custo. A RM, por sua vez, oferece melhor contraste de tecidos moles, sendo excelente para o estudo do cérebro, pulmões e abdome fetal. Portanto, a afirmação de que a RM substitui a US na avaliação de quase todas as estruturas fetais é incorreta, pois cada método tem suas indicações e limitações.
A avaliação fetal em pacientes obesas também merece consideração. A obesidade materna pode dificultar a US devido à atenuação do feixe de ultrassom pelo tecido adiposo, mas a RM é menos afetada por esse fator, pois a qualidade da imagem depende menos da constituição corporal da paciente. Assim, a RM pode ser particularmente útil em gestantes obesas, contrariando a alternativa E, que afirma o oposto. Por fim, a RM é altamente eficaz na avaliação da hérnia diafragmática congênita, permitindo estimar o volume pulmonar e o prognóstico, o que torna a alternativa A incorreta.
A pegadinha central desta questão é a inversão de papéis entre RM e US e a noção equivocada sobre a segurança do gadolínio. O candidato pode ser tentado a marcar a alternativa C, acreditando que o contraste é seguro, ou a alternativa D, superestimando o papel da RM. A chave é lembrar que a RM é um método complementar, com limitações específicas, e que o gadolínio não é recomendado na gestação. A alternativa B, ao apontar uma limitação real da RM, é a única que reflete o conhecimento atual.
Característica
Ressonância Magnética (RM)
Ultrassonografia (US)
Uso na gestação
Exame complementar, seguro (sem radiação ionizante)
Método de rastreamento inicial e principal
Avaliação de malformações esqueléticas
Limitada (menor resolução para ossos)
Superior (melhor visualização de ossos)
Efeito da obesidade materna
Menos afetada pela obesidade
Pode ser dificultada pelo tecido adiposo
Contraste (gadolínio)
Desaconselhado (atravessa a placenta)
Não se aplica (não usa contraste)
RM na gestação: Segurança (Sem radiação ionizante, Gadolínio atravessa a placenta); Aplicações (Complementa a US, Hérnia diafragmática (eficaz), Obesas (útil)); Limitações (Malformações esqueléticas, Não substitui a US)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A RM é, na verdade, uma ferramenta valiosa na avaliação da hérnia diafragmática congênita. Ela permite medir o volume pulmonar fetal, avaliar a posição do fígado e estimar o prognóstico, auxiliando no planejamento do parto e do tratamento pós-natal. A afirmação de que a RM não se mostrou eficaz é falsa.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A RM tem limitações na avaliação de malformações esqueléticas fetais. Os ossos fetais são melhor visualizados pela US, que oferece imagens em tempo real e é mais sensível para detectar anomalias ósseas, como displasias esqueléticas. A RM, embora excelente para tecidos moles, tem menor resolução para estruturas ósseas, especialmente em fases precoces da gestação, quando a ossificação ainda é incompleta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O gadolínio atravessa a barreira placentária. Por isso, seu uso em gestantes é desaconselhado, a menos que o benefício supere os riscos potenciais. A afirmação de que ele não atravessa a placenta é incorreta e perigosa, pois pode levar a uma conduta inadequada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A RM não substitui a US na avaliação fetal. A US é o método de rastreamento inicial e principal, sendo superior na avaliação de estruturas em movimento, como o coração, e na detecção de malformações esqueléticas. A RM é um complemento, indicada quando a US é inconclusiva ou para melhor caracterização de tecidos moles.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A RM é menos afetada pela obesidade materna do que a US. O tecido adiposo pode dificultar a US, mas a qualidade da imagem por RM depende menos da constituição corporal. Portanto, a RM pode ser particularmente útil em gestantes obesas, contrariando a afirmação de que tem grandes limitações nesse contexto.