Uma paciente com diagnóstico de câncer de mama será submetida a exérese segmentar e o seu médico explicou a importância de abordar os linfonodos axilares.Sobre esse assunto, é correto afirmar que:
Aquando os linfonodos são clinicamente negativos, não há necessidade de abordagem cirúrgica;
Ba biópsia do linfonodo sentinela sempre evitará a retirada dos demais linfonodos axilares;
Co linfedema decorrente do esvaziamento axilar pode ser evitado com a biópsia do linfonodo sentinela;
Dquando a doença em linfonodos axilares é detectada clinicamente, não há necessidade de cirurgia;
Ea biópsia do linfonodo sentinela não se mostrou uma boa opção para a maioria dos casos.
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GabaritoC — o linfedema decorrente do esvaziamento axilar pode ser evitado com a biópsia do linfonodo sentinela;
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Linfonodo sentinela e esvaziamento axilar no câncer de mama
Gabarito: letra C. A biópsia do linfonodo sentinela (LS) é a técnica que permite avaliar o estado da axila sem realizar o esvaziamento axilar completo, evitando, assim, o linfedema — a principal morbidade associada à linfadenectomia axilar. O procedimento é indicado para tumores T1 e T2 com axilas clinicamente negativas, conforme a prática consolidada em cirurgia oncológica mamária.
O linfonodo sentinela é o primeiro linfonodo que recebe a drenagem linfática proveniente do tumor mamário. Sua detecção e biópsia têm a finalidade de predizer o estado da axila e evitar o esvaziamento axilar nos pacientes sem comprometimento metastático. Essa abordagem é apropriada tanto para tumores T1 quanto para T2 com axilas clinicamente negativas, podendo ser empregada nas cirurgias conservadoras e nas mastectomias.
A grande controvérsia no tratamento da axila reside no fato de que o esvaziamento axilar é responsável pela maior parte da morbidade associada às cirurgias mamárias: seroma, linfedema, alterações na sensibilidade local, internação prolongada, dor crônica e dificuldade de mobilização do braço são alguns dos seus efeitos diretos. Apesar disso, a avaliação dos linfonodos axilares persiste como o principal fator prognóstico no câncer de mama, com importância fundamental para a escolha da terapia adjuvante.
Por isso, surgiu a biópsia do linfonodo sentinela, com o objetivo de evitar os esvaziamentos axilares desnecessários, ou seja, nas pacientes com axila negativa. As contraindicações absolutas são metástases axilares palpáveis ou confirmadas por citologia/histologia. Contraindicações relativas são doença multifocal na mama, cirurgias mamárias ou axilares anteriores de grande porte e radioterapia mamária ou axilar prévias.
A pegadinha central desta questão é a palavra "sempre" na alternativa B: a biópsia do LS não evita sempre a retirada dos demais linfonodos — se o LS for positivo (comprometido), o esvaziamento axilar é necessário. A alternativa C está correta porque a biópsia do LS, ao evitar o esvaziamento axilar desnecessário, previne o linfedema, que é a complicação mais temida da linfadenectomia.
Linfonodo sentinela (LS): Conceito (1º linfonodo da drenagem do tumor, Prediz estado da axila); Indicação (T1 e T2, Axila clinicamente negativa); Vantagem (Evita esvaziamento desnecessário, Previne linfedema); Contraindicações (Absoluta: metástase axilar palpável/confirmada, Relativa: doença multifocal, cirurgia/RT prévia); Limitação (LS positivo → esvaziamento axilar)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que, com linfonodos clinicamente negativos, não há necessidade de abordagem cirúrgica. Isso é falso: mesmo com axila clinicamente negativa, a avaliação cirúrgica é necessária — seja por biópsia do linfonodo sentinela, seja por esvaziamento axilar em casos selecionados. A axila clinicamente negativa não exclui micrometástases, e a avaliação dos linfonodos é o principal fator prognóstico e guia a terapia adjuvante.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O erro está no termo "sempre". A biópsia do linfonodo sentinela evita o esvaziamento axilar apenas quando o LS é negativo (sem comprometimento metastático). Se o LS for positivo, o esvaziamento axilar é indicado. Portanto, a afirmação é uma generalização indevida — a biópsia do LS não evita sempre a retirada dos demais linfonodos.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A biópsia do linfonodo sentinela, ao identificar pacientes sem comprometimento metastático na axila, evita o esvaziamento axilar desnecessário e, consequentemente, previne o linfedema — a principal morbidade do esvaziamento axilar. Essa é exatamente a finalidade do método: predizer o estado da axila e evitar o esvaziamento nos pacientes sem comprometimento metastático.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que, quando a doença em linfonodos axilares é detectada clinicamente, não há necessidade de cirurgia. Isso é falso: a presença de metástases axilares palpáveis ou confirmadas é contraindicação absoluta para a biópsia do LS, mas não elimina a necessidade de tratamento cirúrgico — pelo contrário, nesses casos o esvaziamento axilar é indicado como parte do tratamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a biópsia do linfonodo sentinela não se mostrou uma boa opção para a maioria dos casos. Isso contraria a prática consolidada: a biópsia do LS é a abordagem apropriada para tumores T1 e T2 com axilas clinicamente negativas, sendo o padrão-ouro para o estadiamento axilar no câncer de mama inicial.