Uma paciente com 33 anos, nulípara e tabagista, procura um mastologista com quadro de mastite. Relata que, nos últimos dois anos, teve alguns episódios semelhantes, sempre evoluindo para drenagem espontânea de material purulento na borda da aréola da mama esquerda. Ao ser examinada, é constatado nódulo com sinais flogísticos em região periareolar dessa mesma mama.Nesse caso, a melhor conduta é:
Aantibiótico, exérese do ducto acometido e suspender tabagismo;
Bantibiótico, cabergolina e exérese dos ductos terminais da mama esquerda;
Canti-inflamatório, exérese de parte da aréola e suspender tabagismo;
Dquadrantectomia esquerda, radioterapia e quimioterapia adjuvante;
Equimioterapia neoadjuvante, hormonioterapia.
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GabaritoA — antibiótico, exérese do ducto acometido e suspender tabagismo;
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Abscesso subareolar recidivante: conduta
Gabarito: letra A. O quadro — mastite de repetição com drenagem espontânea de material purulento na borda da aréola em paciente tabagista — é a apresentação clássica do abscesso subareolar crônico recidivante (também chamado de mastite periductal ou ectasia ductal infectada). A conduta correta combina antibioticoterapia, exérese do ducto acometido e suspensão do tabagismo, pois o tabagismo é um fator de risco importante para a recorrência dessa condição.
O abscesso subareolar crônico recidivante é uma condição benigna, porém de difícil manejo, caracterizada por abscessos de repetição que se rompem espontaneamente e fistulizam para o complexo areolomamilar. A fisiopatologia envolve a ectasia ductal — dilatação dos ductos subareolares — que, associada à infecção, leva à formação de abscessos. O tabagismo é um fator de risco clássico, pois parece alterar a flora bacteriana e a resposta inflamatória local, favorecendo a recorrência.
O tratamento na fase aguda consiste em incisão e drenagem do abscesso, associada a antibióticos (geralmente antiestafilocócicos, como cefalexina ou amoxicilina-clavulanato). No entanto, o tratamento definitivo exige a exérese completa do ducto acometido e do trajeto fistuloso em bloco, pois apenas a drenagem e os antibióticos não resolvem a causa de base — a ectasia ductal. A suspensão do tabagismo é fundamental para reduzir a recorrência.
A distinção crucial é entre o abscesso subareolar recidivante e a mastite lactacional comum. A mastite lactacional ocorre em puérperas, associada à amamentação, e o tratamento é focado em esvaziamento mamário e antibióticos. Já o abscesso subareolar recidivante ocorre em mulheres não lactantes (frequentemente tabagistas), e o tratamento definitivo é cirúrgico, com excisão do ducto. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que pensa em mastite lactacional pode optar por condutas inadequadas, como cabergolina (para inibir prolactina) ou apenas antibióticos.
Outra distinção importante é com o carcinoma mamário, que pode se apresentar com nódulo e sinais inflamatórios. No entanto, o histórico de episódios recorrentes com drenagem espontânea de pus na borda da aréola é altamente sugestivo de abscesso subareolar, não de neoplasia. A quadrantectomia, radioterapia e quimioterapia são condutas para câncer de mama, não para processo inflamatório benigno.
A pegadinha central desta questão é a associação automática entre "mastite" e "lactação". A paciente é nulípara e não está amamentando, o que afasta a mastite lactacional. O quadro recidivante com drenagem espontânea na borda da aréola é patognomônico do abscesso subareolar crônico recidivante, cuja conduta é tríplice: antibiótico, exérese do ducto e suspensão do tabagismo. Guarde essa tríade: é exatamente ela que separa a alternativa correta das demais.
Abscesso subareolar recidivante: Quadro clínico (Mastite de repetição, Drenagem espontânea de pus, Borda da aréola, Tabagismo (fator de risco)); Tratamento (tríade) (Antibiótico, Exérese do ducto acometido, Suspender tabagismo); Diagnóstico diferencial (Mastite lactacional (puérpera), Câncer de mama (neoplasia))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa reúne os três pilares do tratamento do abscesso subareolar crônico recidivante: antibiótico (para tratar a infecção aguda, geralmente por Staphylococcus aureus), exérese do ducto acometido (para eliminar a causa de base — a ectasia ductal — e o trajeto fistuloso, prevenindo recidivas) e suspensão do tabagismo (fator de risco modificável que contribui para a recorrência). A exérese do ducto em bloco é o tratamento definitivo, pois apenas a drenagem e os antibióticos não resolvem a ectasia ductal subjacente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A cabergolina é um agonista dopaminérgico usado para inibir a prolactina e, consequentemente, a lactação. Ela é indicada em casos de mastite lactacional ou ingurgitamento, quando se deseja interromper a produção de leite. Nesta paciente, nulípara e não lactante, não há indicação de inibição da lactação. Além disso, a exérese de "todos os ductos terminais" é uma abordagem excessivamente agressiva; o correto é a exérese apenas do ducto acometido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O uso de anti-inflamatório isolado não trata a infecção bacteriana subjacente. O abscesso subareolar recidivante é um processo infeccioso, e a antibioticoterapia é parte essencial do tratamento. Além disso, a "exérese de parte da aréola" não é a conduta cirúrgica adequada — o correto é a exérese do ducto acometido e do trajeto fistuloso em bloco, não a ressecção de tecido areolar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Quadrantectomia, radioterapia e quimioterapia adjuvante são modalidades terapêuticas para o câncer de mama, não para um processo inflamatório benigno. A paciente apresenta um quadro clínico clássico de abscesso subareolar recidivante, sem sinais de malignidade (como retração de pele, secreção sanguinolenta ou linfonodos suspeitos). A quadrantectomia seria uma mutilação desnecessária e a radioterapia/quimioterapia seriam prejudiciais e sem indicação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Quimioterapia neoadjuvante e hormonioterapia são tratamentos sistêmicos para câncer de mama avançado ou localmente avançado. Não há absolutamente nenhuma indicação para tratamento oncológico sistêmico em um quadro de abscesso subareolar benigno. A paciente não apresenta critérios clínicos ou histológicos de malignidade que justifiquem essa abordagem.